Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares
Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares
Década de 1970
Década de 1970
1973
Artista expõe em São Paulo
Com 80 xilogravuras prontas, Jerônimo Soares, 32 anos, pernambucano escolheu a cidade de São Paulo, como sua moradia permanente há apenas uma semana. "Sei que aqui - afirma a artista - voυ ganhar muito dinheiro, pois o número de pessoas interessadas em meu trabalho é muito maior do que em Recife".
Seu grande objetivo é abrir uma galeria, onde poderá expor suas xilogravuras e ao mesmo tempo mostrar folhetos de sua terra, de literatura de cordel. Seu trabalho vai desde a figura de um lampião até a tradicional cosa de farinha do nordeste. "Reproduzo qualquer objeto, animal, pessoa ou simplesmente uma cena". As pessoas interessadas deverão dirigir-se à rua Princesa Leopoldina, 22, em Guarulhos.
1975
Jeronimo e as suas xilogravuras
Jeronimo Soares (foto) pernambucano de 32 anos é mais um desses artistas que vem a São Paulo na esperança de difundir a sus arte e fazer dela o seu principal meio de sobrevivência. Jeronimo ja esta instalado em Diadema (R. Princesa Leopoldina, 22) e ali está, a quem interessar, uma serie de trabalhos em xilogravura (cerca de 80), com temas nordestinos: Lampião, Casa de Farinha. A Baiana, Selva Negra, Padre Cicero, Missa de Baqueiro, etc. Os preços são irrisórios, porque é preciso conectar por haifos: ananhe metro por 70 centímetros, 20 cruzeiros, e 50 por 30 centímetros, 15 cruzeiros. Além de Ilustrar fascículos de Literatura de Cordel, Jeronimo exerce mais uma atividade artística, a de acordeonista e compositor: Ninguém conhece, mas eu levo muita fé no Morena Meu Bem...
1976

O cotidiano da cidade em versos no Nordeste
SÃO PAULO - Como nas feiras livres das cidades do interior do Nordeste, a feira hippie da Praça da República, em São Paulo, juntou agora à sua paisagem a presença de três poetas, editores e xilogravuristas e vendedores da literatura de cordel: o baiano Franklin Machado e os pernambucanos Jota Barros e Jeronimo S (Soares).
Só que, na Praça da República, eles não podem cantar os folhetos. Se cantarem, são confundidos com vendedores ambulantes marreteiros e autuados pela Prefeitura, denunciados pelos próprios concorrentes, artistas de uma difusa arte, que Inclui o artesanato de couro e a pintura de paisagens em bronze. Mesmo assim, lutando contra dificuldades (Franklin Machado denuncia que o nordestino em São Paulo é tão incompreendido, e rejeitado como o negro), eles conseguem viver da venda de seus folhetos (a Cr$ 3,00 cada) ou das xilogravuras trabalhadas por suas mãos, Jota Barros por exemplo sustenta uma família de 11 filhos. Além disso, já há uma produção "paulista" dos livretos desses romanceiros nordestinos: seja nos temas (como Paulista Virou Tatu Viajando pelo Metrô, do baiano Rodolfo Coelho Cavalcanti), seja no processo Industrial (A Volta do Pavão Misterioso, de Maxado Nordestino, pseudónimo de Franklin Machado, foi concebido e impresso nesta capital -Nós estamos criando um novo ciclo da literatura de cordel aqui em São Paulo O mercado parece bom, mas ainda não tem reagido como esperamos-comenta o jornalista Franklin Machado, 33 anos, casado, dois filhos, baiano de Feira de Santana, em São Paulo há cinco anos, atualmente comerciante de literatura de cordel na feira hippie dos domingos, na Praça da República, e na sua livraria Cacimbinha ("onde se bebe saber"), na Rua Augusta, nos dias úteis. O grande problema é o da impressão, segundo Franklin Machado. A melhor solução é a dada por Jota Barros e Jerónimo Soares: produzem seus folhetos em São Paulo e mandam os textos e as gravuras pelo Correio para o Nordeste, onde são impressos. Recebem as remessas em volumes de volta pelo Correio e conseguem assim bons preços. José Alves Pontes, de Guarabira, na Paraíba, produz o folheto a Cr$ 0,30 para Jota Barros; e José Soares, o poeta-repórter de Recife, tem um custo de produção de Cr$ 0,40 por exemplar, mandando os folhetos para seu filho Jerónimo vender em São Paulo a Cr$ 3,00, enquanto ele mesmo vende a Cr$ 1,50 e Cr$ 2,00 em Pernambuco -Aqui em São Paulo, as gráficas estão todas na base do offset e não é negócio para qualquer delas produzir folhetos de cordel. É melhor imprimir faturas e notas fiscais. Assim, um folheto a base de Cr$ 1,00 por unidade. E mais barato pagar as taxas de Correio dia Franklin Machado de Jota Barros é, 40 anos de idade, casado, 11 filhos, pernambucano Glória de Coitá, há dois anca em São Paulo, depois de uma vida inteira, primeiro como agricultor no Interior de Pernambuco, depois como marceneiro em Recife. Impedido de trabalhar por um problema na coluna, leve de abraçar como única profissão se "dom de nascença", a poesia. E vive há dois anos em São Paulo exclusivamente de cordel.
-No começo era bom, era bem melhor. Mas agora a Prefeitura resolveu achar que somos marginais.
Gildo Antônio, meu filho mais velho, de 19 anos de idade, ja apanhou da polícia, so porque estava vendendo folhetos. Eles confundem cordel com livros pornográficos, eu acho. Acharam que somos marreteiros. Além disso, a Lazeiro Editora entrou no mercado com a falsificação do cordel, editando folhetos coloridos, ilustrados, impressos até com certo luxo folhetos são vendidos em bancas de jornais e revistas. E' uma concorrência desleal, porque o dono dessa editora, um paulista, Arlindo Pinto de Souza, adultera tudo e não paga os direitos autorais aos poetas. Edita clássicos do cordel, as vezes sem dar o autor, como O Pavão Misterioso, O Valente Zé Garcia, A Louca do Jardim (de Caetano Cosme da Silva), Vida e Testamento de Canção de Fogo (de Leandro Gomes de Barros) e Proezas de João Grilo (de João Ferreira Lima). Num fim de armana bem movimentado, incluindo uma passagem na feira de sábado na Praça Roosevelt, os três juntos conseguem vender 250 folhetos de cordel, no máximo. Eles trabalham na base da permuta. Não vendem apenas suas obras, mas também a de muitos poetas nordestinos.
- Mandamos 50 folhetos para um poeta do Nordeste e eles nos mandam 50 dos deles. Eles nos colocam lá e nós os colocamos aqui. Eu mantenho um intercambio maior com os poetas de Feira de Santana, Salvador e Juazeiro da Bahia (Rodolfo Coelho Cavalcanti,
Erotildes Miranda, João Ferreira da Silva, Alípio dos Santos, Vicência, Pedro Bandeira e Abraão Batista). Ja Jota Barros coloca melhor os pernambucanos, e Jerónimo vende mais as obras editadas pelo pai dele. o poeta-repórter José Soares, de Recife - diz Franklin Machado. Jerónimo & vende mais as aventuras de Lampião, Rei do Cangaço, cantada em verso. As xilogravuras das capas, ele passa o dia elaborando na casa do tio, em São Mateus, na periferia de São Paulo Padre Cicero também vende muito-diz. Jota Barros tem uma freguema apoiada nos clássicos do cordel, principalmente Leandro Gomes de Barros, João Martins de Ataíde e José Pacheco, "Os colecionadores aão apenas uns três fregueses fixos que eu tenho Mas, por causa deles, lemos de variar o estoque sempre",
- O poeta é o editor. O prejuízo é dele. Já começo a formar meu próprio encalhe, em depósito na Cacimbinha.
Jota Barros tem mais de 50 mil livros em casa - diz Franklin Machado, o Maxado Nordestino.
-Se não tivesse o encalhe seria o melhor negócio do mundo. Mas o pessoal daqui não entende direito, pensa que é subliteratura. Um dia estava vendendo meus folhetos numa calçada, passou a fiscalização da Prefeitura e o chefe me disse: "Isso não é emprego para homem. Por que não?
-Pergunta Jota Barros, Por isso, o cordel não é um bom meio de vida. -Vivo disso, mas não vivo bem não diz Jota Barros, que está formando, com Jerónimo e seu de filho Gildo Antônio, um trio regional, o Trio Cordel. Ele toca zabumba e o filho triângulo, Jerónimo, 32 anos, solteiro, pernambucano Recife, é acordeonista, viveu 16 anos em São Paulo e dois anos em Recife, como Jerónimo do Sertão, músico, compositor e intérprete sertanejo, toca nas festas de aniversário, nos forrós, nos clubes e, principalmente, nos circos mambembes percorrendo o interior de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Pernambuco.
- Só vendo o folheto, porque ele faz parte da gravura. Eu e meu irmão Marcelo somos artistas e vivo de minhas xilogravuras. Estou também tentando abrir um mercado aqui para meu pai, que quer deixar Recife e se instalar em São Paulo com uma tipografia de cordel
- diz Jerónimo, que acaba de ilustrar o mais recente lançamento de Maxado Nordestino: Carta de um Pau-de-Arara Apaixonado para Sua Noiva. O próprio Franklin, que deixou o jornalismo, acompanha o Grupo Raízes em seus shows, vendendo folhetos nas portas dos teatros em que se apresenta o conjunto. O próximo disco do grupo terá um folheto Intitulado O Grupo que Aproveita a Música de Nosso Poro
Os três representantes do cicio paulista do cordel nordestino, já receberam o apoio de dois especialistas o escritor sergipano Paulo Dantas e o professor universitário francês Raymond Cantel, um dos maiores entusiastas da literatura brasileira de cordel. Eles querem limpar a literatura de cordel da compra dos versos pelos poetas proprietários de tipografias aca poetas populares, ou das tiragens fantasmas Incontroladas pelos editores.
- Eu mesmo já fui vítima disso. Quando meus Folhetos eram editados pelo poeta paraibano João Severo da Silva, que ficou famoso recentemente pelo seu cordel abordando a tragédia da barca do Exército que afogou na lagoa Solon de Lucena, em João Pessoa, não conseguia controlar as tiragens e ele fez muita trapaça comigo -conta Jota Barros.
Além, dos clássicos de cordel os paulistas do folhetim lançam seus próprios sucessos: Jota Barros contou em versos a história do Bebé Diabo que o jornal Noticias Populares explorou durante muitos dias, no ano passado: Maxado Nordestino aproveitou o sucesso da música-tema da novela Saramandaia (Pavão Misterioso, de Ednardo), para lançar A Volta do Pavão Misterioso; e Jerónimo está vendendo os livros de seu pai, Inclusive O Divórcio no Brasil, que começa assim:
Um repórter perguntou-me se eu era contra o divórcio e eu respondi a ele que achava um mal negócio pois quem casa e se descasa não passa de um capadócio. Jota Barros, que ilustra seus próprios folhetos, Juntamente com dois de seus filhos (Gildo Antônio João de Barros Júnior), tem alguns títulos procurados como o Encontro da Crente que Virou Besta com o Crente que Virou Jumento, Carta de um Tabaréu Segundo a Língua Caipira, Lampião, Governo-Geral do Inferno, Cafu, Rei do Riso O Encontro de Dúbal Ribeiro com o Bandido Zé Cabelo, Com seu romance de amor Taciana e Juarez foi premiado em Olinda num concurso de que participaram os maiores poetas de cordel de Nordeste Inteiro. Com 28 títulos publicados e mais de 50 inéditos, Jota Barros tem um sonho: "Poder cantar na Praça do Correio”.
- O homem da cobra pode ir lá e cantar, porque tem um arregio com os fiscais da Prefeitura. Eu não tenho dinheiro para estes arreglos e se eu for cantar meus folhetos na Praça do Correio diariamente eu vou preso e meus folhetos também. E sai mais cara a multa para retirar os folhetos dos depósitos da Prefeitura do que a Impressão de novos folhetos. Maxado Nordestino ainda não tem tantos títulos. Na Bahia, para onde está sempre viajando, lançou as Profecias de António Conselheiro (O Sertão ja Virou Mar), A Feira de Santana Já Vai Sair do Meio da Rua e Maria Quitéria, Heroína Baiana que foi Homem.

Gravuras de Jerônimo Soares na feira Nordestina
A partir de sexta-feira próxima, dia 6, estará sendo realizada no Parque Anhembi um Feira Nordestina, apresentando, entre outras coisas, trabalhos de vários artistas que expõem na Praça da República. Um dos destaques dessa feira será Jeronimo com suas xilogravuras inspiradas em literatura de cordel. Ele estará presente com quadros como "A Via Sacra", "Briga de Galo", "As Cobras do Amazonas", além de outros que retratam figuras lendárias do nordeste como Padre Cicero e Lampião.
Jerônimo mostrará trabalhos com preços a partir de cem cruzeiros e aqueles que não puderem vê-lo na "Feira Nordestina" poderão encontrá-lo todos os domingos na Praça da República. A Feira irá somente até o dia 12.

Jeronimo: o artista da Praça da República
Você poderá encontrá-lo pelas manhas de domingo no Praça da República rodeada por suas xilogravuras. E mais um artista da feira hippie.
Seu nome, Jerónimo Soares: matuto da interior de Pernambuco, conhecedor do agreste, transpirando sertão nos gestos pacatos, resignados, traz o boca carregada de sotaque nordestino.
Não é difícil reconhecê-la mesmo que nunca o tenha visto. Normalmente vestido de preto, usando túnicas bordadas Jeronimo esconde os alhas por trás de imensos óculos de lentes espelhadas que refletem o rosto dos que falam com ele. Gosta de colares e se enfeita com alguns. No dedo de unha semi-longa brilha o anel de acrílico transparente. Tem as cabelos compridos.
O FILHO DO POETA
Antes de começar a falar de seu trabalho Jeronimo faz questão de dizer que é filho de José Soares, poeta-repórter que vive no Recife, com mais de 160 livros publicados. Mas sua descendência ilustre não para of. A mãe e os irmãos também são artistas da xilogravura, o que lhe de senha no rosto um enorme sorriso de orgulho.
Jeronimo vive disso há dez anos. Seus quadros falam sempre de coisas profundamente brasileiras. Ele é um pouco das nossas raízes, atualmente tão encobertas pela massificação da cultura que estamos sofrendo Sua fonte de inspiração é a literatura de cordel. As figuras preferidas são Lampião e Padre Cicero.
"Eu gosto do Lampião, ele é mais folclore e também vende mais, só que as pessoas que compram são tudo turista de fora (estrangeiros), Tá vendo este quadro? É um pé de dinheiro e posso garantir que é o primeiro do Brasil. Esse aqui (e mostra a figura de menino com uma pedra na mão impedindo o caminho negro) de superstição, mas saiu do minha cabeça. Nesse caminho aqui ninguém pode passar quem desobedecer o menino ataca e da umas pedradas na cabeça.”
Jerônimo é assim. Além das superstições e lendas que cobrem o Brasil de ponta a ponta, ele quer dar sua colaboração e inventa outras. Desta forma faz gravuras onde um homem está virando monstro, onde outro vira cobra e ataco o amigo que está ao lado, faz até Lampião comungar.
O SONHO DE CHEGAR AS GALERIAS
Ele produz em média três xilogravuras grandes por semana e três pequenas por dia. Vende as grandes a partir de 200 cruzeiros e as menores a partir de 100 Seus motivos são os mais ricos e variados possíveis. Eu tenho sempre novidades lá na Praça. Tenho sempre ideias novas dentro da minha cabeça e nunca repito um desenho. Mas Jeronimo Soares, de 32 anos, que também se intitula composit0r de músicas nordestinas e acordeonista profissional, tem som sonha, Talvez o maior de sua vida. Chegar a expor em Galerias de Arte.
“Olha eu tô fazendo tudo pra isso. Ja arrumei professores pra aprender mais coisas. Tenha muita xilogravura pra colocar em exposição. Esse é meu sonho sim senhor!”
E para confirmar a qualidade de seus trabalhos, ele desenrola sabre a mesa ume dezenas de gravuras, de todos os tamanhos contando as mais variadas estórias e histórias. Me dá uma de presente, faz questão de autografar Quer dar outra, mas não passo aceitar sua arte tão de graça assim. Tenho que pagar par ela, pelo seu trabalho de artista sonhador que me proporciona a identificação com as raízes culturais do meu pais, por ser ainda um homem puro carregado de brasilidade. Olho para ele e só consigo dizer obrigado. Jeronimo. Sertanejo, inventor de superstições, filho do poeta pedaço de origem do pais.
1977

Cordel diz a operário como evitar acidentes
A titulo de orientação aos operários, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo ho três anos vem distribuindo, gratuitamente, um livreto destinado a circulação interna nas empresas do rumo. Elaborado pelo Departamento de Prevenção de Acidentes da entidade, o último impresso intitula-se Acidentes no Trabalho no Ramo da Construção, sendo moldado exemplo dos anteriores dentro das características da literatura de cordel. -
Desenvolvido nam total de 27 versos, o impresso è de autoria de um dos funcionários do Sindicato, Severino José, trazendo ilustrações, baseadas em xilogravuras de Jerónimo Soares. Segundo informações obtidas junto à diretoria do Departamento de Prevenção de Acidentes da entidade, a ideia da criação deste tipo de publicação nos moldes em que é editada aconteceu a partir do momento em que os dirigentes do Sindicato descobriram o apego do funcionários em relação à literatura de cordel
Constatadas anteriormente as qualidades de Severino, por ocasião da confecção de cartazes sobre prevenção de acidentes, a ideia acabou ganhando vulto, uma vez aprovada a preferência dos trabalhadores da Construção por este género de leitura. O motivo do goste pelo estilo cordel, segundo os diretores, deve-se a maioria dos trabalhos do ramo serem originários da região Nordeste, come no caso de Severino. As xilogravuras são de autoria do companheiro Jerónimo, responsável pela retratação dos versos que nascem das reuniões dominicais da praça da República,
Prevenção
Solidaria à Campanha de Prevenção de Acidentes do Trabalho, a mensagem de Severino gira em torno de orientações quanto ao procedimento do trabalhador no desempenho de suas funções, construindo poesia com sabor de concreto. Eis alguns dos versos: "Os acidentes aumentam/ Dentro do nosso setor/Muitas vítimas causando Entre o bom trabalhador E hora de dizer Basta/ Chega de ser sofredor".
De acordo com as recomendações práticas desenvolvidas junto ao trabalhador, entre elas o uso de todo o material de proteção previsto por lei, como botas, máscaras, luvas e óculos, Severino José criou a seguinte estrofe "A luva não é só beleza Amigo preste atenção Quando você trabalhar/ Não tire a luva da mão que um simples ferimento Pode dar infecção. E outra: A serra não tem juízo Na máquina ela é possante Mas você que tem cabeça Não se descuide um instante Senão vai ficar sem mão/Que lhe é muito importante Quanto à vasta legislação acidentária ora desenvolvida pelo governo, engolbando a criação da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) em cada empresa, além das muitas portarias, decretos-lei e regulamentos que devem ser observados pelos que correm perigo, o autor do impresso lembra a responsabilidade dos patrões "Se for um prédio bem alto, A Lei obriga a fazer/ De três em três andares Uma bandeja p'ra ter/ Proteção a quem trabalha Se o equilíbrio perder Com toda delicadera/ Peça hoje ao seu patrão/P'ra que ele the forneça Aparelho de proteção/Assim sai ganhando os três: Você, ele e a Nação
Falando sobre a importância da parcela de responsabilidade do trabalhador, no tocante à denúncia ao Sindicato quando constatado o não fornecimento dos instrumentos de trabalho. Severino José assim se exprime "Aqui no nosso Sindicato Funciona um departamento De prevenção de acidentes/Que agindo legal mente/Orienta aquelas firmas Que nem sem pre agem decente/. Na última estrofe, a mensagem em forma de acróstico: Salve nosso Sindicato E todos os associados/ Vamos todo mando junto Empreender no presente resultando um futuro Inda mais eficiente/o ramo da construção Orgulho de gente nossa
Lampião e Cordel, temas na Lorca
A Livraria Lorca (al. Franca, 616) realizará hoje a partir das 10h o espetáculo "Cordel e Forró", com a participação do poeta Franklin "Maxado Nordestino", do Trio Cordel e do escritor Paulo Dantas, que falará sobre Canudos e Antônio Conselheiro. Além disso Antônio Amaury C. Araújo vai enfocar os temas Lampião e a Literatura de Cordel e o artista plástico Zacarias José mostrará audiovisuais sobre xilogravuras.

Cordel e repentistas na Biblioteca Municipal
Sábado próximo, dia 26 das 18 às 21 horas, a Biblioteca Municipal "Monteiro Lobato" de Osasco estará promovendo um espetáculo de cultura popular, com a presença de poetas, repentistas e cantadores nordestinos.
Deverão participar do encontro, Jeronimo Soares, compositor e intérprete de música regional nordestina; João de Barros (Jota Barros) repentista e poeta, autor de Inúmeros livretos de cordel; José Francisco de Souza, poeta e repentista pernambucano; e Franklin Machado, poeta e escritor natural de Feira de Santana, conhecido pelo pseudônimo de "Maxado Nordestino". Os poetas promoverão uma grande exposição de literatura de cordel, com venda para os visitantes.

Sindicato e Cordel fazem campanha contra acidentes
Através de livretos de cordel escritos pelo poeta repentista Severino José e ilustrados por Jerónimo Soares o Sindicato conseguiu levar ao trabalhador ensinamentos para se evitar acidentes de trabalho. Cada livreto traz muitas estórias, cada qual referindo-se a um equipamento utilizado na construção civil.
«A luva não é só beleza
Amigo preste atenção
Quando você trabalhar
Não tire a luva de mão
Que um simples
ferimento
Pode dar infecção
Quem trabalha descuidado
E mesmo que está na guerra
Se não souber lidar
Com a danada da serra
Acaba de aleijando
Ou vai p'rá
baixo da terra,
A queda de um andaime Quase sempre
causa a morte
E mais um filho sem pai
Mais uma viúva sem sorte
So trabalhe com cuidado
E num andaime bem forte
JERONIMO
Com toda delicadeza
Peça hoje ao seu patrão
P'ra que ele
lhe forneça
Aparelho de proteção
Assim sai
ganhando os três:
Você, ele e a nação
O cantador Severino, que previne acidentes
Folha de São Paulo
4-8-1977
Amigo meu caro amigo/Leia com toda atenção Os versos deste folheto/Que trata da proteção/Daqueles que trabalham/No ramo da Construção" assim tem início a narrativa de Severino José, nordestino que introduziu a literatura de cordel na Campanha de Prevenção de Acidentes de Trabalho, feita pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo. Ele teve essa feliz ideia depois de verificar que a maioria dos trabalhadores no setor são nordestinos.
Com uma tiragem de dez mil exemplares, o livreto mostra ao trabalhador a necessidade de usar luvas: "Se você não usa luva/Na hora de trabalhar/Tenha no seu armário/Ou no devido lugar/Algodão lodo e gases/Pra você se medicar". Ou então: "Se você foi descuidado/E a luva não usou/E depois do ferimento/Nenhum remédio passou/Pode ter Isto por certo/Que o corte inflamou/A luva não é só beleza/Amigo preste atenção/Quando você trabalhar/Não tire a luva da mão/Que um simples ferimento/Pode dar infecção".
A distribuição desse livrinho de cordel é feita pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil rua Conde Sarzedas, 520). JAIRO FERREIRA.
Artes Plásticas
MAB Coletiva com cerca de 48 quadros de artistas brasileiros, como Di Cavalcanti, Volpi, Portinari, Iberê Camargo e Caribe. Até 12 de junho no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado, rua Alagoas, 903.
ALFREDO CAETANO Exposição do pintor santista, onde suas obras refletem a arquitetura e as construções da época. Até 5 de junho na Galeria VASP, avenida Brigadeiro Luiz Antônio, 884.
II SALÃO FEMININO DE MAIO Mostra que reúne desenhos, gravuras, aquarelas, fotografias, esculturas, tapeçarias, cerâmicas e joias, de várias artistas plásticas. Até 13 de junho na EUCATEXPO, avenida Francisco Matarazzo, 612.
HELENOS Várias vezes premiados, e com várias exposições internacionais o artista mostra sua última fase, tendo como tema o Brasil. Até 31 de maio na Galeria Projecta, rua Tabapuă, 1599.
MÁRIO CRAVO Exposição que reúne esculturas e objetos de fibra de vidro, acrílicos, poliuretano, do artista. Até 8 de junho na Galeria Múltipla, avenida Morumbi, 7990/7996.
GALERIA PORTAL Coletiva com obras de seis artistas: John Graz, José Antônio da Silva, Inos Corradin, Roni Brandão, Quissak Jr. e Mário Campello. Até 27 de maio na Portal, rua Augusta, 1961.
ARTESANATO PAULISTA - Mostra que reúne trabalhos em madeira, couro, metal, fibras vegetais, linha, cerâmica de artesões do Vale do Ribeira, Vale do Paraíba e Litoral Norte, num total de 400 peças. Até 10 de junho nas dependências da SUTACO (Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades.
JARO DEDINA Expõe "Rosas, Santos e Guerreiros" na galeria Itaú, avenida Brasil, 1151. Horário: diariamente das 9 às 22 horas. Até 27 de maio.
ARTE POPULAR Exposição que reúne literatura popular em versos, xilogravuras populares nordestinas e ampliações fotográficas de xilogravuras e relevos. Entre os artistas participantes, constam: Jeronimo Soares, Marcelo Soares e Zacarias José Até 23 de maio, das 9 ás 22 horas na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, rua da Consolação, 94.
CLAUDIO TOZZI - Exposição que abrange 34 pinturas mais recentes do pintor, que se caracterizam pelo pontilhismo. Mostra na Renato Magalhães Gouvêa Escritório de Arte, Rua Pelotas, 475.
LUIZ GREGORIO Desenhos e gravuras num total de 40, especialmente elaboradas para ilustrar o relatório anual/76 das instituições financeiras Unibanco, realizadas pelo gravador Luiz Gregório. No MASP, Av. Paulista, 1.578.
AMPELIO FIOCCHI - Pinturas que partem de um geometrismo de espaços delimitados, onde o colorido estanque completa áreas recortadas. Na Galeria Emy Bonfim, Rua Bela Cintra, 1.677.
WALTER LEWY - Obras do artista em exposição na Galeria Alberto Bonfiglioli, Rua Augusta, 2.995.
Jardim das Artes - Exposição de 30 budas da Birmânia e Tailândia dos séculos XVI e XVIII. Até 19 de maio no Jardim das Artes, rua Peixoto Gomide, 1.174.
Rosemary Chalmers - Gravuras e' desenhos da artista inglesa, que expõe pela primeira vez no Brasil. Na Galeria do Sol, avenida São José, 1.187.
MAM- Exposição "12 anos de Pintura de Geraldo de Barros", compreendendo obras de 1964 a 1976. Parque do Ibirapuera, Grande Marquise.
Odilon Nogueira - Pinturas que retratam a paisagem suburbana. Na Galeria Emy Bonfim, rua Bela Cintra, 1.677.
Galeria Centro-América - Coletiva das obras de cinco pintores uruguaios: Eduardo Vernazza, Sergio Curto, Miguel De Vita, Aldo Curto e Cesar Vanni. Eles expõem obras figurativas, neoimpressionistas e hiper-realistas. Rua João Cachoeira, 1.262.
MAC- Genilson Soares e Francisco Inarra expõem no chamado Espaço B, do Museu de Arte Contemporânea, uma série de trabalhos recentes utilizando fotografias, xerox, dispositivos, etc. No Parque do Ibirapuera, prédio da Bienal. Fechado às segundas-feiras.
Diário Popular 19 - 5 - 1977
Cordel para tudo
VIDA MODERNA
O "poeta repórter José Soares: "Ganhando um dinheirinho”
Depois de permanecer por quase século, desde que foi trazida ao Brasil pelos portugueses, praticamente restrita às classes populares e habitualmente considerada sem valor literário, a literatura de cordel está em plena ascensão social. De suas páginas, antes consideradas apenas ingênuas, alguns intelectuais tem extraído teses diversas - sobre sua ideologia, a estereotipia discurso fantástico. E os humildes folhetos, habitualmente pendurados barbantes nas ruas praças (daí o nome cordel) estão sendo exibidos com crescente frequência em livrarias galerias de arte, onde se vendem também as xilogravuras que normalmente ilustram os folhetos.
A gravadora Continental aplicou 98000 cruzeiros no LP “Cordel, a Poesia do Nordeste”, lançado no mês passado com tiragem de 5000 exemplares, para divulgar a obra do repentista cantador e editor de folhetos José Costa Leite, contratada na cidade de Condado, no Agreste pernambucano. Promovido assim aos que muitos consideram um original meio de comunicação, cordel acabou adotado por empresários, políticos, repartições públicas e tem usado para mensagens sobre inauguração de agências bancárias, explicação de programas oficiais, lançamentos de novos produtos, felicitações natalina e convites de casamento.
Precauções - Quase toda semana faço um folheto de encomenda. Agora mesmo terminei três, para a Viação Itapemirim, para o INPS e para a Sudene", conta José Soares da Silva, autodenominado "porta-repórter". Entre seus clientes, incluem-se também os formandos do Centro de Comunicação Social do Nordeste e os do Colégio Santa Maria, que distribuíram seus convites de formatura em forma de cordel além de um noivo que encomendou cinco versos para decorar e dizer na hora de cortar o bolo.
Seriam, portanto, tempos de glória do cordel? Encastelado sobre as centenas de trabalhos já publicados, José Soares não tem maiores preocupações. Para ele, a moda do cordel é, principalmente, razão de euforia "pois a gente sempre tem o que fazer e vai ganhando um dinheirinho". No entanto, em meio a tanto entusiasmo, há quem se preocupe, como o marchand italiano Giuseppe Baccaro. Radicado em Olinda, onde mantém uma gráfica para imprimir os folhetos, ele garante que tudo não passa de um consumismo desenfreado da classe média. Ou pior: "Os folhetos são adquiridos por um público que não vai nem abri-los. Ou seja, não vai consumi-los, vai colecioná-los". O mal, avisa Baccaro, é que, na procura de atingir essa classe socialmente mais elevada, com linguagem e valores diferentes, os autores de cordel acabem sofrendo influências capazes de abalar a própria estrutura e a tradição dos folhetos. Pagos para desenvolver um tema qualquer, os poetas populares não demonstram a mesma desenvoltura com que abordam assuntos como "a história do senador caloteiro de Pernambuco (o senador cassado Wilson Campos) ou "o trágico romance de Doca e a pantera Ângela Diniz". Sob encomenda, eles usam o mínimo de rebuscamento e floreios de linguagem, entrando direto na propaganda. Como estes primeiros versos de José Soares em um de seus folhetos: "A empresa Itapemirim/agora meteu a cara/botou ônibus luxuosos/de Patos da Espinhara/rodando diariamente/direto pra Guanabara".

Literatura de cordel para prevenir contra acidentes no trabalho
A Literatura de Cordel está sendo utilizada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil de São Paulo como instrumento de divulgação de toda uma campanha de prevenção de acidentes. A finalidade é atingir o maior número possível de operários da construção civil, explicou Zacarias José, responsável pela divulgação de cartazes do Sindicato.
O grande número de trabalhadores nordestinos que vivem em São Paulo inspirou a ideia. Geralmente, são pessoas semianalfabetas que vieram tentar uma melhor vida na grande cidade. Porém, com todas as dificuldades que surgem, acabam na construção civil, se sujeitando a qualquer condição de trabalho para poderem manter suas famílias, explicou Zacarias.
A falta de instrução é outro fator que faz com que esses indivíduos contribuam, a cada ano, para o aumento no número de acidentes no trabalho, que no setor da construção civil tem seus maiores Índices, Juntando todos esses fatores é que Zacarias José pensou em utilizar o cordel como meio de comunicação mais acessível para atingir o trabalhador do setor.
Para isso, foi feita uma pesquisa de Literatura de Cordel e de Xilogravura popular nordestina. O cordel é o nome do fio, em que ficam expostos os livretos de versos populares, durante as tradicionais feiras nordestinas. Embora aqui seja conhecido como literatura de cordel, no Nordeste é conhecido como o livrinho de feira. A importância do cordel está na facilidade de apreensão das informações, transmitidas em versos simples, com vocabulário popular, e cantadas repentistas.
Procurando manter o máximo de fidelidade possível com todas as características do cordel, cor da capa, erros gramaticais e a utilização da xilogravura (impressão em madeira) os 10 mil exemplares do "Acidentes no Trabalho no Ramo da Construção" elaborados por Severino José e divulgados pelo Sindicato têm como finalidade atingir o maior número possível de trabalhadores da construção civil.
As xilogravuras do livreto que está sendo distribuído mostram as principais causas do acidente. Indiretamente, pede aos operários que usem o cinto de segurança, as luvas, o capacete e todo equipamento necessário para evitar acidentes de trabalho. Devido a essa linguagem simples e muito conhecida do nordestino, juntamente com a identificação causada pela vivência do ambiente de trabalho, os trabalhadores poderão fixar as mensagens e terminarem por adotar as lições de segurança.
As experiências anteriores, de divulgação de material para prevenção de acidentes, feitas pelo Sindicato, mostraram alguma eficiência. Mas, agora, com a utilização do cordel, os diretores do Sindicato esperam que o operariado seja atingido em massa. Afinal, todos têm acesso ao folheto, pois a distribuição é gratuita. Além disso, foi montado um audiovisual, que é apresentado nas sessões do Sindicato. Constam do Audiovisual slides das xilogravuras e um cantador, Jota Barros, musicou ao som de viola os versos de Severino José.
1978
Folheto de cordel na construção civil
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo está adotando um inteligente melo de comunicação com seus associados, grande parte de origem nordestina: o cordel. textos em forma de versos e xilogravuras, tal qual são conhecidos em todo o Nordeste.
"Amigo meu caro amigo Leia com toda atenção Os versos deste folheto Que trata da proteção Daqueles que trabalham No ramo da construção"
Assim vai o poeta popular Severino José fazendo a campanha de prevenção de acidentes do trabalho, auxiliado pelas Ilustrações (xilos) do gravador Jerônimo Soares.
Outro folheto, intitulado "Conheça o nosso sindicato e o novo ambulatório", começa dizendo:
"Quem é o Sindicato Da Construção Civil. Fique sabendo agora Seus direitos no Brasil".
O texto de Antônio Amaury Correia de Araújo é secundado pelas xilos de Maxado
Nordestino, ao gosto do trabalhador pernambucano, paraibano, sergipano, etc
Conta em detalhes tudo o que interessa aos sócios sobre o Sindicato a que pertencem, sempre em versos de entendimento fácil.
Aproveitando a participação de artistas populares nos seus folhetos de comunicação com os operários da construção civil, o Sindicato da classe está promovendo em sua sede, à rua Conde de Sarzedas, 286, a mostra "Xilogravura Popular Nordestina".
A exposição, que ficará aberta até meados de março, conta com trabalhos de Jeronimo Soares, Maxado Nordestino, J. Barros: Marcelo Soares e Zacarias José
Cantadores visitaram e saudaram o CB
Os poetas, repentistas, cantadores e outros participantes do I Congresso Nacional de Literatura do Cordel visitaram, ontem o Correio Braziliense. Não cantaram estamos apressados", mas fizeram a saudação para "marcar a presença".
-Se meus versos não são bons, o dotor não se opoquente Quero louvar o prestigio do Correio Braziliense.
Os visitantes são: José Ferreira da Silva (da Academia Paraibana de Poesias), José D. Neto (presidente da Associação de Cantadores do Rio de Janeiro), Joaquim Pereira Collares (BA), Zezinho da Bahia. Cicero Vieira da Silva "Mocó" (escritor de cordel), Manoel Severino de Medeiros (escritor de cordel De repentista, PB), José Pereira da Silva Neto (da Academia Norte mineira de Letras), José João Azulão dos Santos, José Gomes de Souza (cantador, RN), José Francisco de Sousa (repentista, PB), José Sabino das Santos (cantador e repentista, PA), Gerônimo Soares (gravador e compositor, PB), Augusto Souza Vieira "Limeira" (cantador, repentista, BA), Mariana Izidoro da Silva (cantador de Coco, PE), Waldomiro Galvão (cantador, RN), Paulo Nunes Batista (poeta paraibano, representando, Goiás), Francisco Cândido de Jesus (cantador e repentista, BA), Inácio Paixão Neto (escritor, PA), José Barbosa Filho (escritor, BA), Mariano Isidora (compositor, repentista e escritor, PB), Joaquim Batista de Senna (poeta e escritor, PB), José Vicente (escritor, PB), Elias Alves de Carvalho (escritor e poeta PE), João Vicente da Silva, José Cunha Neto e Franco Peres de Sousa (escritores, (PI), José Crispim Ramos (escritor, BA).
Os artistas populares estavam acompanhados do assessor técnico da ACIT Associação Comercial e Industrial de Taguatinga e do divulgador do Congresso, Sebastião Pereira de Azevedo.
DESTAQUE
Entre os artistas que tem surgido ultimamente destaca-se Jerónimo Soares como um dos mais representativos. Filho de um dos mais famosos escritores do ciclo cordelino, José Soares, o "poeta repórter", ele nasceu e se criou no meio da considerada maior expressão literário-artística viva do mundo, a Literatura de Cordel.
Desde pequeno ajudou seu pai na ilustração dos folhetos e foi ai que iniciou sua escalada cada vez mais ascendente na expressão plástica. Embora ele tenha sempre se mostrado fiel ás suns origens, tanto em temática como figuração, soube criar uma expressão própria que o distingue de outros gravadores famosos como Dila, J. Borges, Jota-barros e seu irmão Marcelo Soares.
Toda a sua obra é, hoje, facilmente identificável, o que, de certa maneira o tira do anonimato que tem consagrado os artistas folclóricos.
Residente, ha alguns anos, em São Paulo, Jerônimo tem produzido sem parar. Não foi em vão que ele recebeu, no ano passado, um prémio destacado numa das exposições mais concorridas e sofisticadas do País: o VII Salão de Arte Contemporânea de São Paulo.
OUTRO SUCESSO
Outro grande sucesso foi a publicação de um álbum apresentando a Via Sacra em tonalidades de Cordel. Nem tudo, porém, foram flores na sua carreira. "Eu deixei a Paraíba com a cara e a coragem, que é natural de todo o nordestino. Fui a São Paulo disposto a vencer. Custasse o que custasse, mesmo que passasse fome".
Conta Jerónimo que "a parada foi muito dura. Quase que perdia a esperança de vencer. Basta dizer que durante doze anos fiquei tocando sanfona, zabumba e triângulo em pequenos circos que se apresentavam no interior de São Paulo. Tinha que fazer isso para não passar fome. Mas, nas horas vagas, procurava aprimorar meus conhecimentos em xilogravura e compor músicas nordestinos".
Nos quatro últimos anos, ele passou a receber maior estímulo para produzir xilogravuras. Sua primeira preocupação foi exatamente a de encontrar motivações que viessem a prender a atenção do público sulista.
Como já tinha mantido entendimento com vários artistas e como também já tinha lido muitas coisas nos jornais, escolhi temas nordestinos. A aceitação foi a melhor possível. O paulista e o carioca são, realmente, loucos por trabalhos artísticos que enfoquem aspectos da vida nordestina.
MAIOR ACEITAÇÃO
Dos 400 quadros que gravou, até hoje. Jerónimo revela que os que tiveram maior aceitação foram os seguintes: "Pau de Sebo" "O Homem que engoliu o caroço de Jaca", "Padre Cicero comungando", "Paraquedas de Pobre", "Ladrão de Folha" e "Briga do Peru com o papagaio".
E realmente impressionante a maneira como os paulistas e os cariocas procuram adquirir tudo o que diga respeito ao Nordeste. Na parte de xilogravura, por exemplo, tudo o que for confeccionado sobre Lampião, Padre Cicero e Frei Damião será vendido sem maiores dificuldades
Jerónimo afirma que sua vida tomou um rumo completamente diferente nesses últimos quatro anos "De tocador de zabumba passei a ser um dos artista de xilogravura que recebe maior número de convites para exposição nos mais diferentes lugares públicos".
LIVRARIAS
Somente no ano passado, ele participou de exposições em oito livrarias do entro de São Paulo e do salão de Arte Contemporânea, também da capital paulista. Esteve, ainda, mostrando seus quadros na Galeria Século XXI.
Considera, entretanto, que sua maior vitória conseguida no ano pastado foi por ocasião de suspescolha para ser o responsável pela ilustração do livro sobre "Acidentes de Trabalho", publicado pelo Sindicato dos Trabalhado-resina Indústria de Construções Civil do Estado de São Paulo.
Vários artistas, alguns de renome nacional, se inscreveram na esperança de ser o vencedor. Ma feitas as devidas análises tive a grande felicidade de ser o escolhido para a ilustração do importante trabalho. Era mais uma demonstração de que o nordestino também pode vencer lá fora.
Jerónimo garantiu que sucesso não tem implantado nenhuma modificação em sua vida, profissional ou particular. "Meu pai sempre me ensinou a ser modesto. O que tenho feito é apenas colocar em prática os seus conselhos. Tenho, também, me em penitado, nos momentos de folga a folga a procurar melhorar minhas minhas qualidades, qual meus conhecimentos. Agora que encontrei uma grande charme, não posso de maneira alguma deixá-la fugir
NÃO DEIXA
De uma coisa Jerónimo tem certeza: "Jamais deixarei de continuar valorizando os temas basicamente nordestinos para a confecção de meus trabalhos. Foi com eles que tive a oportunidade de firmar o seu nome no cenário nacional. E com eles continuam realizando os meus trabalhos. O Nordeste tem muita coisa bonita. O que falta somente é gente para promove-las de uma maneira mais intensa, mais positiva. Fala-se muito em miséria do Nordeste. Mas é preciso também falar em suas belezas, em seu folclore, em suas tradições
Jerônimo na Bienal com sua Via Sacra
Em linguagem ingênua, a Via Sacra do paraibano Jeronimo Soares poderá ser vista (e adquirida) hoje, no pavilhão do Cordel, no recinto da 1. Bienal Latino-Americana de São Paulo, no Ibirapuera
Ele preparou 14 xilogravuras que formam um álbum; cada passagem bíblica tem versos do poeta J. Barros. A edição compreende 300 volumes cada um custa 300 cruzeiros e o autor das gravuras, que vive em São Paulo há dois anos, já realizou algumas exposições na Capital, comparecendo todos os domingos na feira da Praça da República.
De acordo com outro artista nordestino, Zacarias José, a gravura nordestina está despertando cada vez maior interesse Até a década de 50, disse, a ilustração se prestava mais à literatura de cordel. Mas daí em diante o interesse pelas xilogravuras populares do nordeste já têm aplicações diversas em cartazes, folhinhas e livros, além da programação periódica em museus e galerias de arte.
Os álbuns da Via Sacra de Jerônimo Soares estarão expostos no recinto da Bienal a partir das 16 horas de hoje. E lá ficarão até às 22 horas de amanhã, quando se encerrará a 1. Bienal Latino-americana.
DOAÇÃO DOS FOLHETOS
O jornalista Luís Ernesto Kawall, responsável pelo estande do Cordel na 1. Bienal Latino-americana, decidiu doar a sua coleção de folhetos exposta no local e são 4.500 impressos ao Instituo de Estudos Brasileiros da USP. O ato público será amanhã, ás 17 horas, no próprio recinto da Bienal. Kawall reunia os folhetos desde 1951, adquiridos em feiras e folheterias populares de Recife, Olinda. Caruaru, Juazeiro, Fortaleza, Campina Grande, Maceió, Ilhéus, Feira de Santana e Salvador.

USP abre as portas para o cordel. Texto Celso Marinho
CELSO MARINHO
Toda a coleção de livretos de cordel do jornalista Luís Ernesto Kawall, exposta na 1." Bienal Latino-Americana, foi doada ao Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. A entrega será hoje, às 17 horas, no Pavilhão da Bienal, com a presença de José Aderaldo Castelo, presidente do (EB que receberá a doação em solenidade informal animada por repentes, galopes e toadas de autêntica viola nordestina.
O Instituto já havia demonstrado interesse na coleção de Luís Ernesto em agosto de 74, através de uma carta enviada por Aderaldo Castelo. Hoje, com cerca de 4.500 folhetos, ela é considerada a maior coleção particular do Estado. Luís Ernesto, jornalista, crítico de arte e pesquisador, começou a formar sua coleção em 1951, adquirindo folhetos em viagens ao Nordeste, nas feiras populares de Recife, Olinda, Fortaleza, Feira de Santana, Caruaru, Salvador.
Ele visitou muitos poetas, repentistas e folheteiros como Cuíca de Santo Amaro, Minelvino Francisco da Silva, Abrão Batista e outros. Além disso, manteve correspondência com folheteiros e colecionadores de vários lugares chegando a trocar folhetos com colecionadores brasileiros e estrangeiros. Luís Ernesto resolveu doar a sua coleção para a USP para não cometer o que chamou de "crime de lesa-pátria":
"Muitas vezes, desde que a coleção começou a encorpar, entidades cultural daqui e de fora manifestaram interesse de adquiri-la como doação ou aquisição. Em vezes diferentes, um professor norte-americano e outro alemão me procuraram, examinaram os folhetos que na época já eram milhares e quiseram comprá-los por bom preço. Não quis deixar que a coleção saísse do Brasil. Agora, depois da exposição na Bienal, decidi resolver a questão, mesmo porque, em minha casa, ela não fica catalogada cientificamente, se desgasta pela ação do tempo. diminui pelos folhetos emprestados que não voltam.
"A doação foi um gesto de livre vontade. O IEB estuda em profundidade a cultura brasileira e lá a coleção fica aberta aos pesquisadores e estudantes, catalogada, protegida, aumentada e estudada. O instituto já tem uma coleção de boa qualidade com cerca de 800 folhetos, formada pelas coleções particulares de Mário de Andrade, que recolheu uns 400 folhetos na grande viagem que fez ao Nome e Nordeste com uma caravana de intelectuais, do maestro Villa Lobos, do próprio Aderaldo Castelo e da socióloga Ruth Correa".
Durante a Bienal, o estande de cordel foi um dos mais concorridos. Junto com a coleção de folhetos estavam expos os tacos e talhas de cordel (matrizes para Impressão de gravuras) xilografias populares, ex-votos nordestinos, um oratório cearense e esculturas do mestre Manuel do Recife. Tinha ainda uma prensa rudimentar na qual o poeta, gravador e repentista J. Barros Imprimiu gravuras diante do público. J. Barros, cantador nordestino radicado aqui, montou no estande uma folheteria e apresentou repentes, galopes, martelos e outras modalidades de cantorias, com Teofilo Azevedo, cantador do norte de Minas Gerais, também radicado em São Paulo.
Nos últimos anos muitos folhetos de cordel começaram a ser produzidos em São Paulo. Luís Ernesto não nega a validade dos folhetos, embora ache-os agoniados ou interesseiros: "Conheço o cordel feito em São Paulo, não só os editados pela Prelúdio/Juazeiro, uma editora popular do Brás, como feitos por nordestinos que vivem aqui, como J. Barros, Maxado Nordestino, Teo (Teófilo Azevedo), Jeronimo. Não é um cordel autêntico, legítimo, pobre como aquele feito no Nordeste, mas é cordel. As vezes a aculturação é feia, medíocre, envernizada, sem inspiração da vivência do verdadeiro cordel que é jornal do sertão e literatura de sobrevivência".
Luís Ernesto e cordelistas autênticos estão preocupados com uma possibilidade de uma grande editora de São Paulo fazer cordel em massa e distribuir em bancas, como revistas em quadrinhos, pelas capitais do Norte e Nordeste. Segundo ele, poderá significar mais um choque. para o cordel autêntico: "Vai ser um cordel massificados em origem popular, capaz de prejudicar a pureza, a autenticidade do cordel nordestino e pode lançar a vendagem deste para um abismo. E o tal imperialismo mafioso dos grandes interesses, que tanto combatemos quando vem de fora, mas pouco podemos fazer quando está aqui dentro. Inicialmente este cordel feito no Sul, com capa colorida, mais barato e mais atraente, pode ofuscar o cordel local. Mas com o tempo o legitimo cordel sobreviverá, como em épocas passadas sobreviveu ao radinho de pilha, ao avanço da televisão.
"O povu se liga nas suas origens e raízes. Se essa grande editora aceitasse conselhos, eu diria para ela deixar o cordel com os nordestinos e principalmente não desfigurar, pela produção massificada e massificante, a literatura popular e trovadoresca brasileira, que se faz com tanta graça e originalidade no Norte e Nordeste do País.". Ao mesmo tempo que se aproxima o risco da massificação do cordel, os cantadores autênticos que vieram para São Paulo tentar a sorte não podem expor seus livretos e cantar seus repentes nas feiras e praças paulistanas. Nas, praças e feitas são perseguidos pelos fiscais e, às vezes, até ameaçados pela polícia. Quando tentam tirar uma licença não conseguem pois livreto de cordel não é considerado uma mercadoria".
De uns 10 anos para cá, o cordel tem interessado algumas universidades brasileiras. Em Pernambuco, Paraíba e Ceará as universidades têm departamentos especializados em xilogravuras populares e cordel. Agora a USP será a terceira universidade do País a dispor de uma coleção de livretos tão vasta, comparadas ás coleções das universidades do Ceará e de Pernambuco, da Casa de Rui Barbosa, no Rio, e pelas coleções particulares de Orígenes Lessa (com 8 mil folhetos de Liedo Maranhão. de Olinda.
Na opinião de Luís Ernesto, o cordel deve ser defendido, sempre: "E a sobrevivência da cultura popular, é o jornal do sertão. Inconsciente coletivo gratificado nos versos dos poetas e nas cordas da viola sertaneja. O nosso cordel é tão importante quanto nossa literatura erudita e incorpora também a memória nacional, pois é registro e história, jornalismo e audição, comunicação e interação. O cordel fica e figuras como Leandro Gomes de Barros, José Martins de Ataíde, Cuíca de Santo Amaro, Zé Limeira, Cego Aderaldo, Patativa do Assaré, são hoje tão clássicos na literatura popular brasileira como Jorge Amado, Guimarães Rosa, Paulo Dantas. Erico Verissimo, Ligia Fagundes Telles".

Xilogravura popular nordestina tem exposição em um sindicato
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo, está promovendo no decorrer deste mês de fevereiro, em sua magnifica sede social é rua Conde de Sarzedas 286, uma interessante Exposição de Xilogravura Popular Nordestina.
Participam do certame, com muitos trabalhos, os artistas populares MAXADO NORDESTINO, J. BARROS, JERONIMO SOARES, MARCELO SOARES. É uma forma de manifestação popular das mais positivas e o Sindicato, com essa mostra, dá início a uma série de exposições que serão levadas a efeito neste ano de 1978.
O Sindicato comunica aos associados que, se nas suas horas de folga cultivam atividades artísticas no ramo do desenho, pintura ou escultura, para procurarem o funcionário da entidade, Zacarias José, na Biblioteca, na parte da manhã para receberem informações, esclarecimentos e tratarem de sua participação em exposições a terem lugar proximamente. Reproduzimos com esta notícia, dois trabalhos: um, de MAXADO NORDESTINO e outro de JERONIMO SOARES.
Xilogravura Popular Nordestina
O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil estará apresentando durante o mês de fevereiro, uma exposição de xilogravuras popular nordestina. Esta exposição foi montada no seu saguão de entrada da entidade de classe, à rua Conde de Sarzedas.
Organizada pelo artista Zacarias José, funcionário da Tribuna da Justiça do Trabalho, esta mostra registra o início de uma série de apresentações já programadas para 1.978. Elas irão mostrar arte popular brasileira.
A coletiva, que permanecerá aberta até o dia 28, inclui trabalhos de Jeronimo Soares, Maxado Nordestino, Marcelo Soares, e J. Barros, entre outros.
Use Capacete
"COM toda a delicadeza, peça hoje ao seu patrão/ pr'a que ele lhe forneça/aparelho de proteção". É com a linguagem do cordel que o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo pretende divulgar as regras de segurança e criar, entre seus associados, uma mentalidade orientada para a preservação das condições de segurança no trabalho.
O folheto tem 16 páginas e começa valorizando o tema: "Amigo, meu caro amigo, leia com toda a atenção/ os versos deste folheto, que trata da proteção/ daqueles que trabalham, no ramo da Construção".
Ilustrado com xilogravuras de Maxado (com x mesmo) Nordestino e Jerônimo Soares, o folheto desenvolve os versos recomendando ao trabalhador o uso das luvas, cuidados na operação de serras, a utilidade das botas de segurança, e mostrando os perigos de desabamentos em obras sem escoramento. Ensina a usar máscara, os equipamentos de segurança para trabalho em andaimes e conclui informando que o Sindicato mantém um departamento de Prevenção de Acidentes, disposto a orientar todas as empresas construtoras, Segundo o Sindicato, a edição do folheto resultou da constatação de que "esta forma de comunicação é muito familiar à maior parte dos trabalhadores da Construção Civil em São Paulo, que provêm do Nordeste, onde o cordel substitui o jornal na divulgação de informações".
O folheto encontra-se em segunda edição da primeira, foram tirados 5000 exemplares, todos eles distribuídos; da segunda, com alguns versos a mais, foram trados 10 000 exemplares.

Xilogravuras nordestinas e outras mostras
A gravura feita na madeira (xilos) de quatro artistas nordestinos Maxado, Zacarias José, Jerônimo e Marcelo Soares poderá ser avaliada em sua técnica e realização a partir de hoje (o dia todo) no saguão do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, rua Conde de Sarzedas, 286.
Os temas abordados são enfoques daquela região brasileira e assim não faltam cenas do sertão agreste, cangaceiros, figuras carismáticas, aves famintas, fachadas de templos e o casario sob o sol Intenso. Exclusivamente gravura popular.
Na mesma exposição estarão pinturas de artistas de São Paulo: J. Rissin, José Simeone e J.A. Lisboa. Até fins de julho, das 8 às 20 horas de segunda a sexta
Xilogravura
A xilogravura nordestina, uma das mais vigorosas expressões artísticas populares, vem sendo gradativamente valorizada, inclusive através de pesquisas realizadas por estudiosos estrangeiros.
Uma série muito boa de artistas oriundos do povo, contribuem com grande significado nas expressões plásticas. Entre eles, destacamos Jeronimo Soares como um dos mais representativos. Filho de um dos mais famosos escritores da literatura de cordel, Jose Soares ele começou desde pequeno no trabalho de ilustração de folhetos. Fiel em suas origens, tanto em temática como em figuração, ele soube criar expressão própria que o distingue dos demais artistas folclóricos.
Residente há alguns anos em São Paulo, Jeronimo tem produzido obras de categoria comprovada, tendo recebido no ano passado um prêmio aquisição, no VII Salão de Arte Contemporânea de São Paulo.
A sua originalidade está registrada na publicação de um álbum seu apresentando a Via Sacra em tonalidades de Cordel.
Jeronimo esta todos os domingos na Praça da Republica e sua «Via Sacra pode ser encontrada nas Livrarias: Kosmos, Pathernon e Teixeira.

Campanha permanente de prevenção de acidentes
Apelamos aos empresários do setor para que colaborem com o governo federal e o ministro do Trabalho na campanha de prevenção de acidentes, fixando cartazes educativos em suas obras. Nosso Sindicato fornece esses cartazes aos interessados gratuitamente, assim como está apto a prestar todos esclarecimentos a respeito da prevenção de acidentes, pois se encontra em campanha prevencionista permanente. Estamos firmemente dispostos a transformar em realidade o lema: nunca é demais um acidente a menos, em nosso setor.
CIPAS
E bom lembrar que, de acordo com a portaria 3456, toda empresa com mais de 50 empregados está obrigada a manter uma CIPA. E é bom lembrar também que a fiscalização, conforme dispõe a nova lei de segurança e higiene no Trabalho, estará atenta para fazer com que a portaria da CIPA seja cumprida

Jerônimo Soares: a xilogravura sobre temas nordestinos
Mesmo com a cultura verdadeiramente popular ainda sendo pouco conhe cida nos meios que se con-sideram cultos neste Pais, ja existem muitos esforços no sentido de sua maior di-vulgação. Uma prova disso é que cada vez mais se ouve falar em poetas re-pentistas, música regional e expressões plásticas oriundas do povo.
Neste último aspecto, e em especial, na gravura popular nordestina, algo de muito interessante ocorreu: através de estu-diosos estrangeiros, como o francês Raymond Cantel e o norte-americano Mark Curran, só para citar al-guns, o mundo todo ficou conhecendo uma das mais vigorosas expressões artís-ticas do povo, a xilogra-vura nordestina.
E lógico que, a partir dai, os estudiosos brasilei ros não mais puderam se fortar endfise deste fen meno, menos ainda depois que o "marchand" italiano Giuseppi Baccaro coletou milhares de gravuras no Nordest
1979

Exposição de xilos e pinturas
Acham-se em exposição até 30 de julho, das 8 às 20 horas, à rua Conde de Sarzedas, 286, xilogravuras de Maxado, Zacarias e Jerónimo Marcelo, bem como pinturas de J. Rissini, J. Simione e J. A. Lisboa.
No clichê, um dos trabalhos de Jerónimo em exposição no endereço acima.

Exposição de xilos e pinturas
Acham-se em exposição até 30 de julho, das 8 às 20 horas, à rua Conde de Sarzedas, 286, xilogravuras de Maxado, Zacarias e Jerónimo Marcelo, bem como pinturas de J. Rissini, J. Simione e J. A. Lisboa.
No clichê, um dos trabalhos de Jerónimo em exposição no endereço acima.
“Via Sacra”, na arte de Jerônimo Soares
O paraibano Jerônimo Soares, filho de um trovador popular, bastante conhecido, José Soares, é o autor de "Via Sacra", uma coletânea de 14 xilogravadores populares, animada pela literatura de cordel.
Na edição, Paulo Dantas apresenta Jerónimo Soares como o "sertanejo, cedo iniciado na dura arte e que já tem trabalhos conhecidos no estrangeiro. Neste seu novo tema, enfrenta os passos da Paixão em cortes bem dados, galgando seu rude calvário, em arrancos e espantos, iluminados no claro-escuro dos ex-votos. Talhado para conceber em madeira, os catorze passos seculares, Jerónimo empresta ao drama do Horto, novas e rudes epifanias. E nos seus dedos calejados parece que a madeira chora e sangra, bem cavada e gravada, em talhos de desafronta".
"No Monte das oliveiras / O Santo Filho de Deus Logo após a Santa Cela Falava aos apóstolos seus / Daqui a pouco estarei / Nas unhas dos fariseus", abre a primeira estação da "Via Sacra", de Jeronimo, e os versos de J. Barros.
Exposição de xilos e pinturas
Acham-se em exposição até 30 de julho, das 8 às 20 horas, à rua
Conde de Sarzedas, 286, xilogravuras de Maxado, Zacarias e Jerónimo Marcelo, bem como pinturas de J. Rissini, J. Simione e J. A. Lisboa.
No clichê, um dos trabalhos de Jerónimo em exposição no endereço acima.

Artes Visuais: artes, mestres e aiatolás
Folha de São Paulo. 4º Caderno ilustrada, p.34 recortadas
LUIZ ERNESTO KAWALL
Ferias são férias, mas, nada melhor a um jornalista em férias que anotar impressões/informações ao sabor do momento, em rabiscunhos espontâneos e veros, com os olhos de ver como queria Camões. São desta viagem de janeiro, ao Norte/Nordeste ensolarado que revisito após 2 anos, estas legendas e resumos, do que vi, ouvi, colhi num roteiro que abrangeu capitais e cidades do Interior. De Recife a Manaus, a tarde brasileira é especificamente regional, figurativa, artesanal, folclórica, e até, às vezes, telúrica e armorial. Incorpora o drama socioeconômico do norte/nordestino, acompanha a catarse da impressionante região mais de 2/3 do Brasil que deseja aparecer, viver e subsistir, e, liga-se à arte do Sul de maneira fragmentada e pálida. Quando um artista de alto nível aparece, dotado de rara sensibilidade e criatividade, como Sérvulo Esmeraldo, por exemplo, no Ceará, repete o rumo de um Antônio Bandeira, vai viver em... Paris. Vão, pois, aqui, estes relatos de novas andanças por Manaus e Belém, São Luís e Teresina, Juazeiro e Fortaleza. Caruaru e Recife, cidades onde há arte, uma boa arte, se as aparências, como notava Pirandello, não se confundem às vezes com a realidade.
Moacir Andrade, ecologista
Escritor, professor, poeta, antropólogo autor do monumental Alguns aspectos da antropologia cultural da Amazônia" jornalista e principalmente artista Moacir Andrade vai andando pelas ruas movimentadas de Manaus, recém-chegado da Europa, carregando seus cartazes contra a destruição da natureza: "Faça da água e da árvore, uma amiga e uma irmã", trombeteia o pintor telúrico, consciente agora de seu papel de líder e de defensor impetérrito da ecologia da Amazônia. "Defender a natureza é o principal dever neste momento, do artista brasileiro, e aqui estou eu, pois, lutando pela preservação de nossas palmeiras, de nossas matas, de nossas florestas, de nossos peixes, das águas de nossos rios e do nosso rio-mar Amazonas", diz Moacir Andrade. Moacir recebeu no ano passado, em sua casa, a visita do presidente Giscard d'Estaing da França, a quem ofereceu um quadro representando a mitologia e o santuário amazónico. Depois, embrenhou-se num batelão por rios, lagos, paranás, Igarapés, furos e igapós, bradava aos céus e mares, a todos que dissessem ouvi-lo: "Defender a natureza, é dever de cada um de nós. Não faça de nossos rios e de nossas matas, um futuro deserto. Penso no futuro da Amazônia, do Brasil, da humanidade". Dixit.
Mestre Dezinho reparado
Sem lenço nem documento, sem es cola ou pistolão, mas com enxó, serrote e criação. Mestre Dezinho esculpe silenciosamente em sua casa/ateliê da Rua Firmino Fires, 1610 bairro da Vermelha, Teresina. Piauí, obras em cedro amarelo e vermelho, artesão sem igual, a lembrar os mestres do Baixo Renas cimento, segundo Fabio Magalhães. Toda a sua obra e vendida e disputada no Sul do País e seu marchand Ranulho (do Recife prepara individual de Dezinho, este ano em S. Paulo. Ex-santeiro de ex-votos em sua terra natal (Valença), ainda artesão popular mudou-se para a capital para ser vigia noturna municipal na pracinha do Bairro da Vermelha. Nas horas de folga, era carpinteiro da Igreja, para a qual faz um Cristo e a seguir, toda todas as obras da Igreja, que assim, fica majestática e bela maior atração turística de Teresina. Dezinho aborreceu-se, contudo com o Padre Carvalho o decorador Afrânio Castelo Branco, que deturparam obras suas, colocando argolões de ferro em seus anjos, cortando asas de santos, enfim descaracterizando sua criação original. Passando na cidade. Rebolo Gonsales visita a Igreja da Vermelha e a seguir, na casa de Dezinho, das entrevistas e sua solidariedade a este, denunciando publicamente a mutilação dos trabalhos da Mestre, Resultado e Secretário da Cultura. Joaquim Alencar Bezerra, toma providencias, arranja verbas, o Pe. Carvacho volta atrás, e as obras de Mestre Dezinho van ser reformadas conforme orientação do Mestre, e a própria Igreja terá ajardinamento, obras, telhado novo, a arte esculpida e vivida de Mestre Dezinho restaurada e consagrada Dezinho, artesão e escultor do Piauí e artista nacional, volta a seu mestrado sem igual. Dezinho procura Rebolo no Hotel, agradece a sua interferência e a deste jornalista, agora e outro. Dezinho.
Eles são 300, 350...
Somadas as idades, os três somam quase 200 anos Ariano Suassuna, em Água Forte, Gilberto Freyre, no Recife, e Câmara Cascudo, em Natal, fazem de cada dia uma visão de futuro, na criação constante múltipla, territorial memorialista, heterogênea, antropológica. Universal Dos três mestres do estudo, da escrita, da análise da etnografia e da historiografia do nordeste, se pode dizer, como Mario de Andrade, que eles são 300, não, são trezentos e cinquenta...
Múltiplos, facetados, admiráveis em seu universo e sua humanidade, acolhem com a simplicidade e a afetividade dos grandes. Ariano é um fino esteta, mais D.Quixote, fácil na prosa e divertido. "A arte armorial brasileira é aquela que tem como traço comum principal a lição com o espirito mágico dos "folhetos" do romanceiro popular do nordeste (literatura de cordel), com a música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus cantares, e com a xilogravura que ilustra suas capas, assim com o espirito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo romanceiro relacionados". Ele e seu grupo, no qual se destaca o jovem Antônio Carlos Nóbrega, do Quinteto Armorial, veem, pesquisam e interpretam o armorial que existe no cinema, no teatro, na arquitetura, acreditam que a criação é mais importante que a teoria, e que se deve criar sempre, antes de definir. Curtem Gilvan Samico e gravadores e entalhadores populares. Gilberto Freyre não para, em Apicucos, vendo e recebendo, falando e conferenciando, ficando e viajando, sempre com os olhos sociológicos de "Casa Grande, Senzala". Derrama seu arquipélago de assuntos sociais, políticos, culturais, em artigos cá para as Folhas e pinta suas manchas e aquarelas, para as quais tem público comprador certo. Vaso da comunicação e da interação da inteligência nacional, como Câmara Cascudo. Cascudo, na Junqueira Aires, é moto-continuo, historiador, folclorista, antropologista, sociólogo, ensaísta, jornalista, tradutor, comentador, cronista.
Romancista de costumes, epistológrafo. "Nenhum progresso extingue cultura nativa, tradicional, local. Alguma novidade prosodial, novos modelos, alterações morfológicas, mas a "inspiração" modeladora imprime características reconhecíveis. Exceto, naturalmente, nas mãos "geniais" dos que não possuem característica alguma, repetindo institivamente o que veem, na técnica irresponsável e fácil dos espelhos". Essa conversa mole, diz, da técnica moderna acabar com o folclore é imagem infeliz e melancólica de Andre Malraux, a quem o belga Albert Marinus deu fulminante resposta, negando balela de "la machine a tué le fol-klore"... Como em todas as criações do Espírito Humano, a Tradição de sua literatura oral e lúdica, conterà devotos e aproveitadores do esforço alheio, gente que investiga, analisa, conclui, e os "sabidinhos" que ensinam a ciência da natação sem tomar banho. As vezes nem chegam a molhar-se". Ariano Suassuna, Gilberto Freyre e Câmara Cascudo, o guru do armorial, o mestre da sociologia cultural, o papa do folclore e da etnografia nacional. Três aiatolás geniais e seus fanáticos adeptos.
Belém, Eden tropical
Esteta, fino intelectual, poderoso politico, o maranhense Antônio Lemos governou Belém do Pará de 1897 a 1911, deixando o corpo da capital paraense replasmado por uma obra admirável de urbanista, com traçado moderno, largas avenidas arborizadas, plantio de mangueiras e seringueiras, num panorama de urbe majestosa que a bela Capital conserva até hoje. Santa Maria de Belém do Grã Pará com suas praças cuidadosamente tratadas as mais belas praças do Pais, como a Batista Campos, por exemplo, cheias de chafarizes, pontes e coretos é ainda hoje um Eden tropical, as construções setecentistas, as igrejas barrocas, as residências solarengas, o Teatro da Paz. O Museu Goeldi, o Palácio do Governo, uma cidade ainda bem "fin de siècle". Quase art-nouveau, adorável e enfeitiçada. Impossível não encontrar-se em Belém sem sentir a cidade como um painel surrealista, desde o Ver-o-Peso até a praia do Mosqueiro, da Basílica de Nazaré ao Cemitério da Soledade, os minaretes do Mercado de Ferro, gente andando e cantando as músicas de Fafá de Belém, as mulheres dengosas e cheirosas com os afamados aromas de Belém... Terra de artistas de primeiro time, nomes nacionais, como o do lendário Goeldi, Perci Deane, Quirino Campiofiorito, Waldemar da Costa, Waldir Sarubi e outros, muitos jovens pintores de hoje, cidade amazônica que devia ser tombada, conservada, colocada na redoma da História da epopeia da borracha e de um povo livre.
Artistas e artesãos
Os grandes artistas do Ceará, que deixam/deixaram gravados seus nomes na arte brasileira contemporânea são, sem dúvida, Raimundo Cela de que vimos notável exposição no Banco do Estado do Ceará Antônio Bandeira. Atualmente com obras de seu acervo expostas na Universidade Federal, Aldemir Martins, Chico da Silva, Mestre Noza, Anderson Medeiros, José Pinto com suas esculturas de sucata em praça pública, José Tarcísio, Zenon e Sérvulo Esmeraldo, este, atualmente, o de maior cartaz, e vivendo em Paris. A arte cearense incorpora as linhas mestras da arte brasileira em geral, embora presa a muitos cânones figurativos. De Aldemir, passando férias na Prainha, em casa que adquiriu recentemente, se fala que se mantém fiel ao Ceará, mas todos, público e crítica, desejam maior participação sua no quadro local das artes visuais cearenses. Há ainda o fotógrafo Chico Albuquerque, um inovador, com anos de imaginosa produção em S. Paulo, e hoje retornando à terra natal capaz de comover com suas fotos de flores e frutos, por exemplo. Dos novos destaques para um Hélio Rola e uma Adrianiza, ambos aprendendo com mestre Rebolo, em cada estada do artista paulista em Fortaleza, uma Heloisa Joaçaba, um Jussieu, um Sergei, um 2e Fernandes, um Siqueira, um Félix, unm Fidėlis, um Sérgio Lima. Os museus têm uma atividade fragmentada, e merecerão, segundo se diz, total reformulação no governo de Virgílio Távora. A Casa de Cultura, junto ao Mercado, es tá em obras. As galerias são duas só vivendo de impulsos de seus proprietários, Sinval e Ignès Fiuza. O meio não propicia um bom mercado de arte, apesar das fortunas das grandes famílias cearenses, sendo esse fato causador da continua emigração dos jovens artistas da terra para Rio, São Paulo Paris (exemplos: Bandeira, Aldemir Sérvulo, José Tarcísio, e, agora, Aderson Medeiros).
Em contraponto, o artesanato no Ceará ganha impulso, sob a dinâmica do líder Flávio Sampaio à frente da Associação Brasileira de Artesãos - seção Ceará, com mais de 4 mil artesãos registrados, em todo o Estado. Os artesãos vendem sua produção diretamente ao público, sob coordenação da Associação, eliminando-se o intermediário, vendem também nas mais famosas feira livres do Estado (Cascavel, Sobral, Juazeiro. Fortaleza), ou ainda se reúnem na praça Portugal, as sextas feiras, em iniciativa das mais louváveis não faltando também o melhor da comida cearense: passoca, balão de dois, feijão de corda, carne de sol, tapioca, cajuína e frutas. No Ceará, cada artesão que se destaca, ganha o sofisticado acréscimo, ao seu nome, de Mestre; assim são estes os melhores e mais destacados artesãos do Ceará: Mestre Expedito (couros), Mestra Francisca (bordados), Mestre Frank (esculturas). Mestra Raimunda e Mestre Amaro (cerâmicas), Mestre Giovani (adornos). Mestre Maia (entalhes), Mestre João Batista de Sena. Mestre Ferreira do Ceará, Mestre Zé Pinto... Eles estão por Fortaleza, na Barra do Ceará belíssima, no cais do porto, em Iracema, organizados, arteiros/artesãos, gente simples e que faz de sua habilidade artesanal pão e subsistência, folclore e sobrevivência, cultura espontânea da melhor, típica e arquetípica, autêntica e brasileira.
Chico da Silva, adivinho Chico da Silva voltou com força total aos seus dragões e bichos enfeitiçados, sob guarda de seu novo marchand - os outros eram "expertises próprios", segundo ele diz Agostinho Ramires, cumpadre e contra-parente. De manha pinta no ateliê do Pirambu, Fortaleza, e, após o almoço, volta para casa, no sofisticado bairro da Aldeota, onde pinta outra vez, até o jantar. Pode tomar até 4 doses de licor por dia, e, à noite, na varanda da casa, recebe amigos e conhecidos, dedicando-se a um novo divertimento, que o alegra enormemente: descobrir acontecimentos, fatos, dores, pensamentos de cada pessoa à sua roda. Muitas vezes acerta, e isso torna feliz o indio ocreano de 57 anos, gordo e redondo, que até foi dado por morto há 2 anos pelos jornais do Sul. Ele faz poesia também, elz que é índio, poeta e brasileiro, quer ser pobre sempre, ama Deus "mas não gosta de padres", quer ser povo e massa, coração e amor. Chico da Silva está pintando com menos categoria que antes, a velha maestria que o tornou célebre e vencedor de Bienalem Veneza mas ainda é sincero em sua parte primitiva e real. No seu ateliê do Pirambé, pinta ao lado da filha. Chica, e do filho, Roberto, que assinam com seus próprios prenomes cada quadro. Os quadros de Chico são levados por seu marchand a um cartório, que os reconhece oficialmente. Assim, a obra de Chico da Silva o artista falsificado milhares de vezes, talvez, muitas vezes, por sua própria culpa, é agora de novo válida. Ele nos diz com a boca aberta de felicidade sem os dentes de ouro, roubados numa noitada de bebedeiras alto e bom som: "Já enriquei muita gente que não tinha coração. Agora sou o Chico de novo que o mundo conhece. Minha pintura vem de Deus, do deus dos pássaros e dos bichos, dos rios e da natureza".
A xilogravura nordestina
E da melhor qualidade, e, sobre ela, já tem derramado boa literatura a Fundação Casa de Rui Barbosa (Rio), a Universidade Federal do Ceará (Fortaleza) e a Galeria Ranulpho (Recife), que editou há 2 anos um álbum da melhor qualidade, com biografia dos principais xilógrafos e reproduções de trabalho de cada um deles. A xilo nordestina é usualmente utilizada para ilustrar os folhetos de cordel do Nordeste, são matrizes toscas, feitas a formão oυ canivete, que esgravatam cascas de caja, umburana, cedro, pinho e outras madeiras. Ligados intimamente aos poetas populares, muitas vezes, o próprio xilógrafo é também autor dos versos, como Abraão Batista, de Juazeiro, e ainda poeta e folheteiro, como J. Borges, em Bezerros, e Dila, em Caruaru, ambos em Pernambuco. José Costa Leite, vi vendo em Condado, também em Pernambuco, é considerado o maior xilógrafo popular e um dos grandes poetas populares do Nordeste. Além dos já citados, formam entre os grandes da Xilogravura Mestre Noza, de Juazeiro; Jerónimo Soares e J. Barros, ambos vivendo em S. Paulo, Ciro Fernandes. Uirauna, PE; Franklin Machado, ou Maxado Nordestino, Feira de Santana, Bahia, também vivendo em SP: Franklin Jorge, poeta, pintor, crítico de arte. Natal: RGN; José Stenio e Arlindo Marques da Silva (AMS), Juazeiro, CE; Marcelo Alves Soares (MA ou MS), Recife. Fazem todos uma arte bela e rude, suada e gravada, que já encantava Lourival Gomes Machado nos idos de 1950. Conversar com Dila, em Caruaru, é receber um banho de fantasias e da legitima inspiração e vibração do nordestino: ele acredita que o Pe. Cicero está vivo e que Lampeão, também vivo, o persegue com seu bando. Dila esculpe a gilete em finos pedaços de borracha e, de certa forma, apesar da impressão de folhetos que faz na arcaica impressora que foi de seu avô, é um inovador da xilo regional. Em Caruaru, além da Casa de Cultura José Condé (direção de Luiza Maciel) e da afamada feira, è visita certa, na Artfolheto São José, Rua Guarany. 36. Riachão. Eleito pelo Instituto Joaquim Nabuco, como o melhor xilógrafo do Nordeste, diz-nos ele: "Vejo com tristeza o desaparecimento da xilogravura, lançada entre os índios do Nordeste por missionários portugueses como atividade extracatequètica. A xilo é mensagem social e transmite, através dos folhetos de cordel, nossos cultos, grandezas e misérias, as joias da nossa alma e as agruras do nosso coração".
Cultura piauiense
Dizer que o Piauí existe, sim, senhor, e já é uma piada de muito mau gosto os piauienses respondem, com graça, que a gente deve visitar logo o Piauí, "antes que vire São Paulo". O Piauí, com a antiga Oeiras, a personalíssima Parnaíba, e a fantástica Sete Cidades, além de Teresina, calorosa e encalorada entre dois rios, atraindo turistas, está em franco progresso, não fora a ajuda escancarada que lhe dão seus dois filhos mais ilustres, ministros Reis Velloso e Petrônio Portela. Progride na defesa dos recursos naturais, do patrimônio histórico, no saneamento básico. No campo cultural, três pessoas comandam: Joaquim Alencar Bezerra, secretário da Cultura (da cla dos Portella), com ação objetiva e séria em favor das artes piauienses; prof. Aldenora Vasconcellos Mesquita, coordenadora de Assuntos Culturais da Universidade do Piauí; e prof. Noé Mendes de Oliveira, do Centro de Ciências Humanas e Letras da mesma Universidade. Noé, piauiense de cēpa, é, além de professor de História, etnógrafo e folclorista, estendendo sua ação em todo o Estado, como principal colaborador do MEC Funarte e outras entidades. Estudioso da problemática das Sete Cidades de Pedra, a 170 km de Teresina, explica com entusiasmo sobre as formações rochosas gigantescas, as pedras esculpidas, os estranhos monumentos, as torres pitorescas, as muralhas fortificadas, as escarpas, cúpulas e castelos escondidos que compõem o fabuloso conjunto natural (eltado por Van Daniken num de seus livros, como antigo lugar onde habitavam, há 4 mil anos, os fenícios). Rebolo vai até as Sete Cidades com o prof. Noé, sobe na Pedra da Tartaruga e pra descer Desce carregado, pelo professor solicito e por nós... A prafa do Sal, perto de Parnaíba, è lugar de visitação e curtição, muitas cidades, o Mestre Dézinho. o famoso reisado, o tatu refogado, comido em jantar de pratos típicos, com os Noé e Maria Amélia... D Piaui que edita e dança, estuda e pesquisa, aparece e toma um lugar an sol, entre os os clumes Iindeiros de maranhenses maranhenses e cearenses Pedro Mendes Mendes Ribeiro, professor e radialista publica obra única dedicada aos poetas cantadores de todo o Nordeste: "Segredos do repente Ali se fica sabendo solire on violetrus, as regras do verso e do repente, as estrofes segundo o número de versos, silabas e acentuação, gêneros do repente, quadras e quadrões, ligeiras e sextilhas, gemedeiras e mourões, décimas e martelos, motes e galopes, toadas e gabinetes, a embolada, a parcela, o beira-mar mourão. O Piauí vive uma realidade de sensibilidades e afirmação sócio econômica/histórica/cultural. toril, de multa festa e folclore-ciência, nhão bra regional, ja computado na comu
Partindo de Fortaleza, os roteiros são muitos e variados, desde as conhecidas praias do norte Camocim pesca da lagostas, Paracuru e Pecém, como as do leste. Morro Branco. Yrapestosa, Ma Jorlancia garrafinhas de área) e Canoa Quebrada. Em torno desta existe toda uma lenda e muito folclore, a coroar sua beleza natural incomum e as magnificas danas que a envolve Junto Junto an Piaui es tão as grutas de Uhajara, misteriosas, que encantaram Cora e Aldemir e, mais a meio de caminho. Sobral, qual uma Campinas nobre, "United States of Sobral". Em Quixada, de Raquel de Queiroz, as formações naturais pochosas surpreendem, como o Açude do Cedro (construído no século passado por ordem de Pedro 27), a serra do Estevão, com o Repouso das freiras de São José, e o duro e cruel sertão, comos carrog dores d'agua em seus jeques, ate Oros Este, terceiro acude do munda, e na vegável, nadavel e curtivel mima bela surpresa da viagem. Aquiras e Aracali Je D. Castorina são cutades histórica na serra do Baturite, em Guaramiranga a Suíça brasileira ha verde, muito verde, e rosas em Maranguape está Chico Anísio com sua indústria rendosa. no Canindé o Frei Lucas cede, muito amável, votos e ex-votos a quem pedir. Acha que o culto de São Francisco e o maior do Nordeste, mator mesmo que o de Bom Jesus da Lapa do Padre Cicero e do Senhor de Bonfim. Exageros nada franciscanos Juazeiro, no vale verde do Cariri, disputa com Crato a preferência do visitante, e tudo ali se faz em torno da figura mitológica de Meu Padim Ciço. A estátua lem 30 metros de altura. menor apenas que as da Liberdade, em Nova York e a carioca do Cristo Redentor. As figuras da da cidade devota são Mestre Noza, que nos recebe com o in defectível chapéu, gravando o cedro e a umburana com um velho canivete ele é famoso não só no Nordeste, mas na Franca, onde sua produção tefu palilico certo e o farmacêutico e professor Abraão Batista, gravador e autor de folhetos de cordel. As filhas de Jose Bernardo da Silva, hitam para manter viva a arte e a folheteria do cordel ajudadas pelo neto de Jose Bernardo. Stenio, também gravador. A feira do Juazeiro é tão grande como as do Caruaru, e de Feira de Santana, as maiores do Nordeste vende de tudo e os bentinho, as araçõe os terços de pe. Cicero são chamariz e atração. O almanaque do Nordeste, de Vicente Vitorino de Melo, astrologia do cordel, anuncia a Juízo do Ano de 79, em linguagem sertaneja tranca e rude Em Crato o médico Jefferson de Albuquerque e Souza dirige o Instituto Cultural do Carriri, promovendo as artes na região. Tem até um museuzinho da Imagem e do som em sai casa, estrategicamente instalada entre Crato. Juazeiro e Barbalha. Ali perto, reboa a voz de Patativa do Assaré, o grande cantador do sertão cearense, peno agricultor, vive isolado com sua voz e sua poesia derramada, trovador nordestino autêntico, "cante lá que eu canto cá", versos e cantoria sertaneja telúrica sob o luar do sertão do Cariri.
Texto Homero Senna
Em 1977, aproveitando o seu rico acervo de matrizes de xilogravuras, o Centro de Pesquisas da Casa de Rui Barbosa resolveu publicar um álbum com esse material tradicionalmente usado, como se sabe, para ilustrar os chamados "folhetos de cordel", que dos mercados e feiras livres do Nordeste passaram para as Universidades, e são hoje estudados como uma das mais curiosas manifestações da nossa cultura popular.
Especialmente convidado, incumbiu-se do planejamento e diagramação do álbum o especialista em programação visual Salvador Monteiro. Dal resultou um volume sóbrio, sem maiores requintes de arte gráfica, mas atraente e sugestivo Xilógrafos Nordestinos.
Na apresentação que para ele escrevemos, tivemos oportunidade de salientar que as produções dos nossos gravadores populares precisam ser mais conhecidas, para que se de o devido valor a esses artistas, que, mesmo li dando com materiais rudes, primitivos, tanto sabem reproduzir o que veem ao redor de si, como criar imagens de sonho e fantasia.
E não será exagero afirmar que data da publicação desse álbum a formação da consciência de que a xilogravura popular do Nordeste tem força bastante para subsistir como arte autônoma, independentemente dos folhetos que de início se destinava a ilustrar.
Prova disso tivemos há pouco com a publicação da Via Sacra, de Jerônimo Soares (um dos artistas incluídos naquele álbum), o qual nos oferece agora este novo volume, com dez gravuras de sua autoria.
Nascido na Paraíba em 1945, filho do poeta popular José Soares (mais conhecido como "poeta-repórter"), Jeronimo Soares criou-se no Recife, e começou fazendo carimbos de madeira e depois xilogravuras para ilustrar capas de folhetos de cordel. Hoje vive na capital de São Paulo, basicamente da venda de suas cópias xilográficas, que se caracterizam pelo primitivismo artesanal e pelos motivos simples do seu mundo mítico e místico, sertanejo.
O que há de peculiar na sua arte é a pureza, a ingenuidade, que nem mesmo a vida numa metrópole como São Paulo, tão distanciada do seu ambiente primitivo, conseguiu matar.
Surrealista à sua maneira, neste álbum exibe ele, entre outros trabalhos de sugestiva riqueza plástica, uma fuga para o Egito misturada a uma visão do Paraíso. Noutra gravura, nos mostra o diabo de serrote em punho, naturalmente para cobrar a sua parte num pacto feito em hora de desespero ou de fanfarronice. De modo geral, as figuras são expressivas, e, para alcançar maior expressividade, Jerônimo Soares não hesita em apelar para a deformação, recurso também largamente usado por pintores modernos.
Quanto à técnica, são notáveis os efeitos de sombreado que o artista, mesmo trabalhando com instrumentos rudes, sabe tirar da madeira, seja ela casca de cajá, umburana, cedro ou pinho.
Está, assim, a xilogravura primitiva transformada em arte autônoma, e, diante de trabalhos como os enfeixados neste álbum, não podemos deixar de pensar no mistério da criação artística, em cuja base se encontram a intuição e os dons inatos da pessoa humana, pois, como rezam as Escrituras, "o Espírito sopra onde quer".
Rio de Janeiro, agosto de 1979
HOMERO SENNA
Diretor do Centro de Pesquisas da
Fundação Casa de Rui Barbosa

Xilogravuras nordestinas no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil
-Pinturas e Xilogravuras Exposição de pinturas e xilogravuras nordestinas de J. Bissin, Marcelo Soares, Jeronimo Soares, Zacarias José, Maxado Nordestino. J. Si meone. Das 8 às 20 horas na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias da Construção Civil, rua Conde de Sarzedas, 286. Até 31 de julho.

Xilogravura e cerâmica popular nordestinas
Num local que nada lembra gale ria de luxo nem sala de museu está montada uma exposição de arte popular nordestina: o salão do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo, na rua Conde Sarzedas. São cerâmicas de Caruaru, Vale do Paraíba. Há textos explicativos e fotos de Rosaly Beijo, Nicola Vincenzi e Zacarias José. A mostra estará aberta até outubro, diariamente das 8 ás 20 horas.
XILOS DE JERONIMO.
Também nordestina é a individual que Jeronimo Soares apresenta no Hilton Hotel (av. Ipiranga), com um conjunto de dez trabalhos. Os trabalhos fazem parte de um álbum e têm uma edição limitada a 300 exemplares, assinados um a um pelo autor.
Para Zacarias José. Jerónimo é o "mais importante xilógrafo popular na praça Em 1977 esse gravador lançou um outro álbum, de 150 exemplares, enfocando a Via Sacra, que obteve êxito entre os colecionadores, nacionais e do Exterior. Pernambucano radicado ha algum tempo em. São Paulo (Carapicuíba), Jerónimo Soares tomou parte de alguns salões e já teve seus trabalhos servindo como capa de livro, de disco, folhinhas etc. Aos domingos ele expõe na praça da República. Um folheto sobre "Acidentes no Trabalho no Ramo da Construção", editado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Pauto, foi ilustrado pelo artista, com versos do posta popular Severino José, e leve sucesso pa classe MARIA AUXILIADORA PENAPOLIS
Abre-se hoje, no município paulista de Penápolis, uma exposição-homenagem à pintora primitivista Maria Auxiliadora da Silva, falecida há 5 anos. A mostra ficará justamente na nova sede do Museu do Sol, cujas obras do acervo foram doadas pela fundadora, a pintura Iracema Arditi. O Museu do Sol tem o apoio da Fundação de Artes de Penápolis e está localizado no "Campus" Universitário daquele município.
Quanto à Maria Auxiliadora, sua pintura alegre e rememorativa da gente e das coisas brasileiras, ela desde 1968 (com 33 anos) passava a expor em São Paulo e outros Estados, até alcançar interesse na Europa e EUA. Gostava muito de pintar, atividade que iniciou com II anos. Suas últimas participações foram na Alemanha, França e Suíça
JOSE XAVIER Na av. Pompéia. 723, surge a Galeria Jose Xavier, fotógrafo e pintor. Abre com aquarelas do próprio Xavier, com temática de flores e frutas, aos preços de 3 a 8 mil. Ele informa que o local dará guarida aos artistas de todas as tendências, funcionando diariamente das 10 as 19 horas
No acervo da galeria estão obras de Gregório, Gerchman, Tomie Ohtake, Caciporé, Evandro Carlos Jardim. Fang. Tozzi e Gruber. Até dia 30.
ADRIANA GAI JONA - Italiana naturalizada brasileira. Adriana Gal Jona (Adry) abriu individual de pinturas no Paço Municipal de Campo Limpo Paulista. Ela pinta há dez anos e recebeu vários prêmios nos Salões Paulista de Belas Artes, de Amparo, Rio Claro, São Bernardo, Jundiaí e outros Adry é sócia-fundadora da Associação dos Artistas Plásticos de Jundiaí. Até dia 8, das 12 às 18 horas.
BIENAL Dos 48 artistas premiados nas 14 Bienais anteriores, 31 ja confirmaram sua participação na 15 edição, a inaugurar-se dia a de outubro, no Ibirapuera. I.Z.

Sim, arte para o trabalhador
A arte não é uma conquista fácil, nem chega fácil às camadas chamadas menos favorecidas da população. Principalmente as obras sob o enfoque do modernismo.
As razões disso são várias, mas o ponto crucial é a própria formação básica da nossa gente. É uma verdade dura, mas a grande maioria sequer atinge ou complementa o segundo grau de instrução. Então, é trabalhar para sobreviver. Arte, ora a arte.
Algumas iniciativas particulares, entretanto, merecem aplausos, como as do Sesc de São Paulo, que já instalou cinco locais exclusivamente para exposições. Sobretudo de jovens sem oportunidades em locais mais tradicionais ou comerciais.
De uns meses para cá também a sede de um Sindicato operário parece seguir o exemplo. E o que trata dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil de São Paulo, rua Conde de Sarzedas. Sem alarde, vem oferecendo aos seus associados exposições de arte, como agora, do gravador primitivista Jerônimo Soares Os associados estão gostando da ideia, abrindo espaço para os mais sensíveis, que sempre os há. A ideia deve ser ramificada, ou a arte é exclusiva para a elite?
Ivo Zanini
Esses acidentes precisam acabar
Não dá mais para trabalhar sem condição alguma de segurança.
E obrigação de a empresa dar o equipamento necessário.
A gente, que trabalha na construção civil, sabe muito bem que vira e mexe estão acontecendo acidentes. Muitos bem graves, que levam os companheiros a morte. Aliás, neste tipo de trabalho a quantidade de acidentes e muito grande. Em Porto Alegre, Capital do Rio Grande do Sul, foi feita uma pesquisa que mostra como estamos expostos ao perigo. Lá, no ano passado, em cada grupo de 100 operários da construção civil, 30 deles ja haviam sofrido acidentes
E preciso saber por que isso acontece, para tentar mudar a situação. Já ouvimos falar que a culpa é nossa, que o operário se machuca porque não presta atenção no serviço. Ou então porque não usa capacete ou outros equipamentos de segurança, durante o trabalho.
Mas sabemos que nem sempre as firmas oferecem esses equipamentos. A maioria não tem nada disso. Obriga a gente a trabalhar de qualquer jeito, naqueles andaimes que ficam balançando lá em cima da obra. E com qualquer tempo, faça chuva ou faça sol.
Estão acontecendo coisas importantes nesse campo, das quais a gente de via participar, junto com o Sindicato. E o caso da Semana de Saúde do Trabalhador, a SEMSAT, que vem sendo realizada por 80 Sindicatos, entre os quais o nosso, e várias Federações de trabalhadores.
Este ano já foram realizadas duas SEMSAT. Durante a primeira, se discutiu o problema das poeiras, que provocam doenças no pulmões. E na segunda SEMSAT foram analisados os problemas de esforço físico, vibração, calor e frio e ruídos, que causam cansaço, fadiga, irritação e surdez.
Para tratar desse e outros problemas, ja existe a CISAT (Comissão Intersindical Permanente de Saúde do Trabalhador), que fez um documento denunciando os problemas causados pelas condições de trabalho. O documento ja foi entregue as autoridades, Agora, a CISAT tá tomando todas as providências para criar o Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde do Trabalhador, o DIESAT.
Para que as nossas condições de trabalho melhorem é preciso que a gente participe dessas iniciativas. Não basta que a diretoria do Sindicato denuncie as coisas. A gente tem que fazer a nossa parte, também. Tem que informar sobre as dificuldades que enfrenta no trabalho. E assim podemos modificar es se estado de coisas que está ai. Fazendo, inclusive, com que diminuam os acidentes de trabalho
Linha do Tempo Geral
Linha do Tempo Geral
Década de 1970
Chegada a São Paulo, atuação na Praça da República, feiras nordestinas, diálogo com o cordel, campanhas sindicais e primeiras inserções institucionais estruturam este período.
Década de 1980
fortalecimento da identidade autoral e maior presença em exposições e eventos culturais.
Década de 1990
A de Jeronimo trajetória passa a ser reconhecida como referência na produção de xilogravura vinculada à tradição do cordel.
Década de 2000
A produção do artista se mantém ativa e vinculada às raízes culturais, dialogando com novos espaços e públicos.
Década de 2010
A obra de Jeronimo passa a ser compreendida como parte da memória cultural e da permanência da xilogravura popular no cenário contemporâneo.
Década de 2020
Sua produção de xilogravuras permanecem como linguagem viva, reafirmando sua presença no debate cultural atual.
Projeto
Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares
Realização
Recursos para a realização desse projeto: PNAB – Política Nacional Aldir Blanc — Ministério da Cultura, Governo Federal. Município de Diadema (2025)




















