Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares
Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares
Década de 1980
Década de 1980
1980
Xilogravura
A xilogravura nordestina, uma das mais vigorosas expressões artísticas populares, vem sendo gradativamente valorizada, inclusive através de pesquisas realizadas por estudiosos estrangeiros.
Uma serie muito boa de artistas oriundos do povo, contribuem com grande significado nas expressões plásticas. Entre eles, destacamos Jeronimo Soares como um dos mais representativos. Filho de um dos mais famosos escritores da literatura de cordel, Jose Soares ele começou desde pequeno no trabalho de ilustração de folhetos. Fiel em suas origens, tanto em temática como em figuração, ele soube criar expressão própria que o distingue dos demais artistas folclóricos.
Residente há alguns anos em São Paulo, Jeronimo tem produzido obras de categoria comprovada, tendo recebido no ano passado um prêmio aquisição, no VII Salão de Arte Contemporânea de São Paulo.
A sua originalidade está registrada publicacão de um álbum com apresentando a Via Sacra em tonalidades de Cordel.
Jeronimo esta todos os domingos na Praça da Republica e sua «Via Sacra pode ser encontrada nas Livrarias: Kosmos, Pathernon e Teixeira.
Artes Plásticas
JULIO PLAZA
Arte como Arte é o nome da nova exposição de Julio Plaza, no Museu de Arte Contemporânea da USP, no par que Ibirapuera, a partir das 19 horas de hoje. O expositor mostrará obras exclusivamente gráficas, datadas de 1978/80, e divididas em dez series. Ate dia 14 de terça a domingo das 14 ás 18 horas.
FREDERIC Radicado há cinco anos, o francês Frederic inaugura hoje. 20 horas, na galeria Trilha av. Europa. 655), individual de 38 óleos sobre telas e guaches. São trabalhos realizados nos últimos três anos, enfocando temas em defesa do meio ambiente e recursos naturais brasileiros. Até fins de dezembro.
PORTINARI Óleos, desenhos e guaches do autor do mural "Guerra e Paz" (na ONU poderão ser vistos a partir das 20 horas de hoje no Plano Decorações (rua Oscar Freire, 8091. As obras são do marchand Ralph Camargo, que ja realizou outras mostras sobre Portinari. A exposição poderá ser vista durante três semanas, no horário comercial.
ENNIO BERNARDO Em uma nova galeria de São Paulo, a Impacto de Comunicação rua Joaquim Eugenio de Lima. 30), que surge hoje, haverá a inauguração, às 21 horas, da individual de esculturas de Ennio Bernardo. Ele mostrará vinte peças em madeira, sob o tema da ecologia. Ate 10 de dezembro, das 14 ás 20 horas.
ANTIQUA COM FEIRA Começa hoje a Feira de Arte da Antiqua rua da Consolação. 3.115-e que funcionará até dia 18 próximo. La estão obras de Agi Straus, Anésia Pacheco Chaves, Cid Serra Negra, Graciano, Harry Elsas. Noêmia Mourão, Ismenia, Jeronimo, Fang. Ivonaldo. F. Maxado, Simeoni e Zacarias, entre outros. Diariamente das 9 as 21 horas.
PINACOTECA DE S. BERNARDO
Inaugura-se às 20horas de hoje a Pinacoteca Municipal de São Bernardo do Campo, na av. São João Firmino de Araújo. O prefeito Tito Costa autorizou e foram adquiridas 75 obras que formam o acervo da nova entidade. Além dessas, estarão expostos trabalhos dos convidados Agenor. Antônio Vitor, Aldemir, Cacipore, Calabrone, Evandro Jardim. Flexor, Grudzinsky, José Antônio da Silva, Júlio Plaza, Paulo Chaves. Sinval, Duke Lee e Vlavianos, entre outros. Até 31 de dezembro DELUCIO MENEZES - Óleos recentes desse artista que participa de salões e coletivas desde 1968, já tendo feito algumas individuais, estão na mostra que abre hoje, 20h30. na galeria do Centro Cultural Brasil-EUA.
Em Santos. TUTTI QUANTI: COLETIVA - Ateliê de arte e restauro. Tutti Quanti fundado por alunos do último ano da Faculdade de Artes Plásticas da FAAP hà 3 meses - organizou e realiza agora a sua primeira exposição. Na coletiva de desenhos, aquarelas e cerâmicas, estão trabalhos de Vera Galvão. Jade Gadoti, Antonio Corteza. Ana Cristina Nadruz, Nelson Screnci e Renato Beancatelli. Local: rua Lisboa, 224. Até dia 30. das 14 às 18 horas-1. Z.
Artes Plásticas
JUAREZ SEGALIN
Pinturas figurativas de Luiz Segalin formam a individual que se abre hoje, 21 horas, na Hebraica, rua Hungria n. 1.000. Até dia 24, das 14 ás 22 horas.
ASTRID, EDIR E GIBA Pinturas e desenhos de Astrid Reis, Edir Escarião e Giba Ilhabela ficarão em exposição a partir das 20 h 30 de hoje no restaurante Circus, na av. dos Imarés, 295. Os três já expuseram em outras ocasiões. Na mesma noite João Carlos Pecci autografarà exemplares de seu livro "Minha Profissão é Andar".
CARLA DE CAPUA-Abre-se às 20 horas de hoje a individual de pastels de Carla Maria Buffo de Cápua, na galeria do Clube Atlético Paulistano. Apresentada por José Moraes, a expositora mostrará 30 obras até dla 20, das 15 ás 22 horas (domingo das 9 as 22).
LEILÕES-Ultimo dia, hoje, do leilão da Bolsa de Arte do Ric, no auditório do Banco Nacional (av. Paulista, 2.166). ne Utrillo a Bruno Giorgi, 80 trabalhos serão apregoados por Irineu Angulo, a partir das 21 horas. No mesmo horário tem sequência o leilão de ar te no Pátio, av. Angélica, 2.016, cujas sessões se estenderão até sábado, sendo leiloeiro Luiz Fernando de Abreu Sodré Santoro.
JERONIMO Com apresentação de Jorge Amado e texto de Homero Senna, 100 albans assinados de xilogravuras de Jerónimo serão lançados proximamente. E a gravura popular nordestina lutando por um espaço entre os colecionadores e admiradores.
ZORAVIA BETTIOL A gravadora, tapoceira e desenhista gaúcha Zoravia Betfiol inaugura hoje Individual de 24 desenhos enfocando o bairro da Pedra Branca, no próprio ateliê da artista, em Porto Alegre-LZ.
1981
Xilogravura
O xilogravurista Jerónimo Francisco Soares, é natural da cidade de Campina Grande Estado da Paraíba. Nasceu no povoado de Esperança. Reside em São Paulo a 6 anos. Desenhista de xilogravura, Cantor e Compositor, entalhador de madeira, escultor e também é dono do Trio Cordel, Jerónimo sempre faz shows atraentes divulgando a literatura de Cordel. Trabalha todos os Domingos na Praça da República no Centro da Capital de São Paulo divulgando e vendendo os seus trabalhos. Jerônimo já percorreu quase todos os Estados da Federação, expondo as suas artes que é conhecida até no Exterior, através de vários turistas estrangeiros que adquirem seus trabalhos. Esta foto identifica uma de suas xilogravuras que tem o título Jerônimo na Pescaria.
1982

Xilogravuras na Biblioteca de Arte
XILOGRAVURAS - Está aberta na Biblioteca de Arte (1.º andar da Biblioteca Municipal) mostra de xilogravuras de temática folclórica e sacra de Mestre Noza, Costa Leite, Abraão, João de Barros, Jerônimo Soares, Palito Marcelo Soares. Até o fim do mês de segunda a sexta das 9 às 22 horas e sábados das 9 às 18.
1984

EXPOSIÇÃO DE XILOGRAVURA E CORDEL
Organizada pelo nosso Departamento Cultural, será realizada no próximo mês de Agosto, como comemoração ao mês do folclore, uma exposição didática sobre xilogravura nordestina e cordel, com a participação de trabalhos dos conhecidos xilógrafos nordestinos Jerónimo, J. Barros e Moscado, na sede do sindicato à rua Conde de Sarzedas, 286, das 8.00 19:00 horas.
As ruas para os artistas
Nada de "rapa", de fugir da polícia.
Plinio Marcos quer a democratizar criação cultural
Maxado e seu cordel ao vivo
Quem conta é Franklin Maxado, baiano considerado inovador da literatura de cordel em São Paulo, por abordar temas paulistas além dos nordestinos, atraindo novas públicos. "Mesmo tendo licença para vender cordel, quando o rapa não vai com a cara da gente, ele diz que estamos perturbando o sossego porque cantamos. E o cordel é folclore liberado por le
O assunto também é objeto do novo livro de Franklin Maxado "Cordel Televivo" lançado na Bienal pela editora Codecri. O trabalho mostra um balanço da situação "agonizante em que se encontra o cordel no País, em especial no Nordeste". E Franklin explica: "O custo do papel impede os poetas de publicarem, o povo não tem dinheiro para comprar os folhetos, a televisão concorre com o lazer e os supermercados estão acabando com as feiras livres. Além disso, há a invasão da cultura estrangeira". Parece que e problema destes artistas vai além da "cara feia" do "rapa".
Jerónimo Soares, paraibano que vive há 10 anos em São Paulo trabalhando com xilogravuras, nem se atreve a exibi-las na rua: "Não mostro nem vendo meu trabalho na rua porque não quero problemas com fiscais. Sei o que acuotere com o pessoal que tenta fazer isso. Mas seria muito legal" se não houvesse problemas, por que na rua as oportunidades são bem maiores"
Tocadores de flauta, imitadores de gato, comedores de fogo, músicos, capoeiristas, vendedores de cordel e arte sãos desta cidade: ainda há uma esperança de que vocês possam mostrar seus trabalhos sem terem que "driblar" fiscais. Não é uma nova associação ou movimento que surge. Apenas a indignação e um pedido de Plinio Marcos, jornalista, escritor e teatrólogo, ao prefeito Mário Covas em favor dos artistas de rua. Plinio Marcos conta que outro dia foi chamado para um debate sobre o filme "So", do cineasta Júnior, retratando a vida de um artista de rua que, impedido de trabalhar pelo "rapa", começou a beber e acabou morrendo atropelado. E o escritor não quer que histórias como esta se repitam. Por isto, aproveitou a presença do prefeito na inauguração da 8 Bienal Internacional do Livro e fez o pedido.
"Esses artistas não têm nada a ver com os ambulantes. Eu que vendo meus livros na rua, tenho visto como essa gente da colorido à cidade, como essa, gente humaniza uma cidade de pessoas mal humoradas. Claro que existem os grandes teatros, as grandes livrarias e nelas estão os grandes artistas e escritores. Mas essa gente que se nutre muito mais dos aplausos do que das moedas que o público atira precisa ter liberdade nas praças e nas ruas. Precisa ficar livre de fiscais, gente do 'rapa', achacadores etc."
Sem gurus
Plinio disse que se propôs a ser uma voz para aqueles artistas "que não têm vor". Mas frisou que não quer saber de associações: "Não queremos organizar nada. A organização tira a liberdade deste artista de rua que é anárquico por índole. Já dei um 'toque' no Mário Covas
e ele viu com simpatia a ideia de deixar este pessoal à vontade nas ruas da cidade, livres da repressão. Estes artistas, assim como Paulo Pontes, Vianinha, Abílio Pereira de Almeida e Glauber Rocha (que morreu porque estava impedido de sie expressar livremente) precisam trabalhar. E é isso que a gente tem que garantir. A liberdade total de expressão. A praça é do povo e portanto dos seus artistas"
Para ele, o único censor que se adrite é o próprio povo. "Se ele não gostar do número a presentado, não joga sua moeda. E o telepata, o mágico, o truqueiro da rua não faz o do me, O que não pode acontecer é a falta de liberdade. Há três anos fui preso na praça da Sé defendendo um artista desses do 'rapa"."
Contudo, Plinio acredita que o prefeito tomará medidas neste sentido. "Como o Covas é da Baixada Santista, meu amigo pessoal, homem que sofreu as agruras da repressio nazifascista, pode compreender bera isso. Não queremos líder nem guru, dono ou organização. Só queremos espaço para cada um armar sua roda. Quem quiser, pode se estabelecer. Está acabando o espaço para a manifestação espontânea do povo". Com quase 50 anos de idade, Plinio fala que não tem muitos planos: "Tenho o aqui e agora. Quem não tem aqui e agora não tem futuro. Somente a projeção do passado"
A tarde está chegando ao fim. Estamos na Bienal Internacional do Livro. Plinio Marcos para de falar e concentra se en seu estande três caixas de papelão improvisadas. Em cima das caixas, livros como "Navalha na Carne", "Jesus Homem", "Dois Perdidos Numa Noite Suja" A estudante olha para o escritor e pede um autógrafo A resposta é rápida: "Va pedir autógrafo para Silvio Santos. Aqui só se vende livro". E Plinio tem vendido cerca de 200 exemplares por dia. Como ele ve a Bienal? "Numa terra de analfabetos com fome, tudo que se faz para vender livro é bem"
1986
Carta do Senador Fernando Henrique Cardoso
Senador
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
São Paulo, 25 de novembro de 1986.
Prezado Anige.
Vencenes. Juntos.
Quero agradecer sua ajuda. Felus circunstancias da vida não posso dar pessoalmente um abraço a cada un des muitos muitos benno que ajudaram a ajudar o PMUE. Mas, acralite, para quem já passan por an-nentos pós-eleitorais nais difíceis, como eu, e que conta, na vitória como no Insucesso são duas coisas: a convicção de que se está no runo certo a solidariedade dos amigos, das amigas, dos companheiros das companheiras.
O rumo, eu acredito que está certa. A antidariedade que nunca faltou sé posso cerribuir trabalhando com energia por nossas convicções.
Muito obrigado, mesme. Continus precisands do eu apoio. Pars nin para o éxito de nossas teses, especialmente agora quanda sacroverenos una nova Constituição, que ha de ser democrática, progressista e co-paz de sasegurar as vitórias do pavo e de pals.
Conto com você.
Un ferte sbraço
FINANS HENRIQUE CARDO50
Rua Otuntei Motas, 48-CEP 01438-Telefume (011) 800-4022-500 Pak
1988
O Cordel na Bienal do Livro
Literatura popular em A versos (Cordel, que na última bienal do livro compareceu com um estande decorado com vistosas ampaações fotográficas de xilogravura popular nordestina, este ano inova sua presença com o lançamento de Cordel acondicionado em caixinhas, contendo 10 folhe los de autores diversos. A literatura de cordel, ultimamente tem sido alvo de sérios es ludos por parte de ensaístas nacionais e estrangeiro Ramon Cantel da Fraça e Mark J. Curran, professor em State University-Tempe-EUA, têm publicados aleritados estudos sobre origens, desenvolvi mento do Cordel. Proveniente de literatura oral portuguesa, Cordel encontro no nordeste brasileiro na década de 50 o seu apogeu. A capa impressa em xilogravura, comic desenhos criativos, constitui, por tradição, um elemento C de valorização e são disputadas por colecionadores p Os nomes mais famosos, deste gênero popular de poesias são: Leandro Gomes de Bart ros, autor que segundo o mes três Luís da Câmara Cata cudo, escreveu 10 mil folhetos, que somente mil chega ham até nós, graças o empenho da Casa de Rui Barbosa do Rio de Janeiro. José Pacheco, autor de "A chegada de Lampião no Inferno, João Martins de Athaíde, José Francisco Soares o "Poeta Repórter, Rodolfo Coelha Cavalcanti, que escreveu perto de 1.000 folhetos morreu o ano passado na Bahia, Manuel de Almeida, em Aracajú, tido como um clássico: do Cordel Escritores jos Drummond de Andrade, que chegou a escrever um Cordel musicado por Sergio Ricardo, refletem em suas produções literárias Influencia do Cordel. Zacarias José, cordelista que em seus folhetos assina "Severino José" é o criador da ideia de lançar as coleções de cordel em caixinhas, ilustrada com xilo gravura, a cores, visando induzir os leitores a colecionar o Cordel, que devido ao rádio TV do de pilha está aquela ea perden-importância como veicuia típico de comunicação de massas. Severino José é o autor de entre outros dos seguintes folhetos ABC do Direita do Trabalho e Como anda um Processo na Justiça do Trabalho, distribuído gratuitamente pelo Sindicato dos Trabalhadores na indústria da Construção Civil de São Paulo, rua conde Sarzedas, 286
1989

Exposição: Cordel e xilogravura popular nordestina
EXPOSIÇÃO DE XILOGRAVURAS: F. Maxado, Jeronimo, Marcelo Soares, Otávio Soares, Carmelita Soares, Carlos Soares, Zacarias José e Jota Barros.

Cordel: uma tradição por um fio. Texto Zacarias José
Um dos campos de estudos literários e folclóricos, que atualmente vem despertando enorme interesse, não só de pesquisadores nacionais, como também de estrangei ros é a Literatura Popular em Versos, também denominada Literatura de Cordel ou simplesmente Cordel.
Tentaremos resumidamente dar uma introdução histórica deste fenômeno literário, ressaltando seus aspectos mais conhecidos. De inicio, devemos. esclarecer a denominação Cordel, enfatizando o fato de que somente em Portugal foi que tal expressão encontrou maior divulgação. No Brasil, os ensaistas e pesquisadores preferem denominá-la Literatura Popular em Versos. O povo, entretanto, conhece lais livretos com o sugestivo nome de "Livrinhos de Feira", "Folhetos"
e "Arrecife". Por que Cordel? Porque em Portugal, nas pequenas livrarias de fim de rua, eram vrarias de fim de rua, eram expostos os livretos ao público consumidor, pendurados em fios de Cordão ou barbante, formando um belíssimo visual graças ao colorido de suas capas. Dai Literatura de Cordel ou Literatura de Cego, como era chamada, pois o rel D. João V, por Edital, determinou que uma entidade de cegos de Lisboa detivesse o monopólio da impressão e comercialização dos livrinhos. Estes eram trazidos no bojo das caravelas pelos colonizadores, encontrando no nordeste seu meio mais favorável. Com a imigração do nordestino para o Ama zonas e mais tarde para o sul, espalhou-se pelo Brasil inteiro. A sua origem se perde, portanto, nos tempos mais remotos.
Em Portugal como na Espanha estes livrinhos eram encontrados nas feiras, nas romarias espalhados por todo lugar, onde iam os vendedores ambulantes e os menestréis. Tais poetas iam de cidade em cidade, cantando suas poesias, acompanhadas de: violas, alaúdes, pandeiros, divertindo o povo e castelões ilhados em suas propriedades.
Na França eram conheci dos como "Littérature de Colportage", literatura volante, mais dirigida a um público rural. Na Espanha eram conhecidas por "Pliegos Sueltos". No México. Nicarágua, Cuba, Argentina, ainda hoje encontramos os "Corridos", espécie de desabafo de cantadores. muito parecido com a nossa cantoria. No Brasil, isto já não se discute, a literatura de Cordel desenvolveu-se no Nordeste, talvez devido ao seu atraso material ou particularidades de sua organização social, que até hoje guarda características feudais.
O surgimento de inúmeros cantadores dá-se com os seguintes fatores: manifestações messiânicas, fanáticos de Pedra Bonita, Can.. dos. aparecimento σε bandos de cangaceiros, as secas periódicas, lutas de famílias, o desequilíbrio social.
Estes cantadores iam de engenho em engenho, de fazendas em fazendas, espa Inando em versos, as lutas os romances de princesas românticas, os aconteci mentos catastróficos, que eram impressos em livrinhos e cantados nas feiras dominicais.
Registra-se, sem muita precisão, que foi Leandro Gomes de Barros o primeiro poeta a escrever e imprimir, ele mesmo vendendo de feira em feira o produto de sua enorme inspiração poética (este fato ocorreu em fins do séc. XIX, em Recife).
Este poeta, tido por todos como o maior poeta popular do Brasil, viveu exclusivamente de sua atividade e, segundo o ensaísta Câmara Cascudo, escreveu milhares de folhetos em sua curta vida. Outro gigante da Literatura de Cordel foi João Martins de Athaide, que possuía enorme tino comercial e manteve em Recife uma tipografia, espalhando pelo Brasil grandes quantidades de livretos. Também comprava direitos autorais de poetas menores, incorporando a sua obra, o que vem dificultando, atualmente, a identificação dos verdadeiros autores.
For na década de 50 que o Cordel finalmente encontrou sua época de ouro. João Martins de Athaide orgulnava-se de ter somente em estoque mais de 30 ml destes folhetos, que Jin ser distribuídos por avião para o Brasil inteiro,
Modernamente o Cordel vem atravessando uma série de crises provocada em parte pelo aumento excessivo do preço da impressão. Por outro lado, têm surgido novos meios de comunicação, mais atraentes, como: TV, rádio, revistas.
Os temas e assuntos abordados no Cordel são os mais variados possíveis, entre eles: romances de Carlos Magno e seus doze Pares, a Princesa Magalona, João Calais, todos vindos da Idade Média, até acontecimentos recentes, como a viagem do Papa ao Brasil, a morte de JK, o suicídio de Getúlio. Também os assuntos históricos, fatos ligados à religiosidade, ao misticismo, desastres, crimes, acontecimentos da atualidade mundial, são versados em Cordel.
Dai a tentativa de alguns estudiosos em classificar o acervo existente nas coleções. Grandes escritores, como Orígenes Lessa, M. Cavalcanti Proença, no Brasil, Raimond Cantel, na França, Mark Curam, nos Estados Unidos, têm escritos profundos ensaios, focalizando a Literatura Popular em Versos (Cordel), enriquecendo, assim, com suas contribuições ao estudo deste fenômeno literário tão rico, mas infelizmente ainda pouco conhecido entre nós.
BIBLIOGRAFIA: Literatura Popular em Verso (seleção e introdução e Comentário) Manuel Cavalcanti Proença, Edição da Casa de Rui Barbosa. Rua São Clemente nº 167- Botafogo, Rio de Janeiro.
Getúlio Vargas e a Literatura de Cordel (Orígenes Lessa
O que e Literatura de Cordel? (F. Maxado-Ed. Code cri
Literatura de Cordel (antologia. Bco. do Nordeste do Brasil S.A.)
O Livro no Brasil (sua história Laurence Hallewel. Ed. Edusp. Universidade de São Paulo)

Exposição: Cordel e xilogravura popular nordestina
UEDE ZORZETTO
Dia 02-20h (abertura)
De 03 a 16 das 15h às 22h, de terça-feira a domingo
Exposição de pintura da artista Guede Zorzetto que desenvolve um trabalho de tinta acrílica sobre tela. Na ocasião, apresentação da peça "Hollywood Carrocinha com o Grupo Fundação e sah a direção de Jayr Alves.
Local: Saquão do Teatro Cacilda Becker Paço Municipal
NOSSA GENTE - 89 COLETIVA DE SÃO BER-NARDO DO CAMPO
Dia 21-20h30 (abertura)
De 22 a 13/9 das 8h30 às 21h, de segunda-feira a sábado (visitação)
Nossa Gente -89 é uma exposição que reúne obras selecionadas de artistas plásticos, que nasceram ou residem 00 trabalham em São Bernardo. Participam artistas em diversas modalidades, divididos em duas alas: Acadêmica Contemporânea.
Local: Centro Cultural do Bairro Assunção - Av. João Firmino, 900
CORDEL E
XILOGRAVURA POPULAR NORDESTINA
17 a 30
PAÇO MUNICIPAL/Saguão da Teatro Cacilda Becker
Dia 17 (quinta-feira) 19h abertura/visitação: terça a domingo das 15 is 22h
EXPOSIÇÃO DE XILOGRAVURAS: F. Maxado, Jeronimo, Marcelo Soares, Otávio Soares, Carmelita Soares, Carlos Soares, Zacarias José e lota Barros.
REPENTISTA: Jota Barros / PALESTRA:
Zacarias José
LANÇAMENTO COLEÇÃO CORDEL/FEIRA POPULAR DE LITERATURA DE CORDEL SINDICATO DOS METALURGICOS DE SÃO BERNARDO DO CAMPO E DIADEMA
Rua João Basso, 231/visitação segunda a sexta feira das 9h às 20h, sábado das 8h às 12h
EXPOSIÇÃO DE XILOGRAVURAS: F. Maxado, Jeronimo, Marcelo Soares, Otávio Soares, Carmelita Soares, Carlos Soares, Zacarias José e lota Barros 1 a 31
Linha do Tempo Geral
Linha do Tempo Geral
Década de 1970
Chegada a São Paulo, atuação na Praça da República, feiras nordestinas, diálogo com o cordel, campanhas sindicais e primeiras inserções institucionais estruturam este período.
Década de 1980
fortalecimento da identidade autoral e maior presença em exposições e eventos culturais.
Década de 1990
A de Jeronimo trajetória passa a ser reconhecida como referência na produção de xilogravura vinculada à tradição do cordel.
Década de 2000
A produção do artista se mantém ativa e vinculada às raízes culturais, dialogando com novos espaços e públicos.
Década de 2010
A obra de Jeronimo passa a ser compreendida como parte da memória cultural e da permanência da xilogravura popular no cenário contemporâneo.
Década de 2020
Sua produção de xilogravuras permanecem como linguagem viva, reafirmando sua presença no debate cultural atual.
Projeto
Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares
Realização
Recursos para a realização desse projeto: PNAB – Política Nacional Aldir Blanc — Ministério da Cultura, Governo Federal. Município de Diadema (2025)










