Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares

Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares

Década de 2000

Década de 2000

2002

Arte que Deus dá

Texto Nelson Albuquerque

 

Chutadas pela seca e na esperança de enricar, nortistas e nordestinos tentam a sorte no ABC

Música, poesia arte visual fetas apenas com o dom de Deus. Assim os chamados artistas populares explicam como produzem seus trabalhostepente, cordel e xilogravura - tão ricos cuturalmente. São auténticos nordestinos e portistas e nunca ocupam grandes palcos Pele contrário, criam suas obras e matém-se praticamente anônimos. No Grande ABC, muitos batalham pelo pão de cada dine poucos con pistam reconhecimento.

Como eles próprios dizem, chegam em São Paulo "chutados pela seca e na esperança de enricar. A convivencia desde criança com os cantadores de rui e com a literatura de cordel abre o caminho para a arte. Aprendem sozinhos a to car violão e a campor sextilhas, e sempre credi tam a baleza do resultado so dom.

Muitos não são nem alfabetizados, caso do xilogravurista paraibano Jeronimo Suares, 67 anos, 12 deles morando em Diadema. Mas isso não é motivo para que sua arte espontânea não seja valorizada Gravuras de suas excelentes obras (algumas reproduzidas nesta pagina) são rapidamente vendidas em exposições e custam entre R$ 5he HS250. Recentemente vendi uma matriz para um pessoal do Canada por RS 3 mil, diz

Tontamos retorno comercial, no entanto, não é o mesmo para os cole gas repentitas e cordelistas, "Não dá para viver só da vinla, mas tenta wins", afirma o repentista baiano Passo Preto, 52, de Diaderma Para seu pantrim, a Don Don, 40, morador de São Bernardo, a solu-ção está nos dias 5 e 20 de cada més, quando boa parte de sou público recebe o salário: "Fora desse periodo de pagamento a coisa fica ruim". O poeta popular pernambucano Gersinio Manoel, 69, de Diadema, volta a falar em dádi va para justificar o sacrificio: "Um dom dado por Deus a gente cumpre a qualquer conseqüên cia". Gersinio despede-se hoje de São Paulo. E um dos grandes cordelistas instalados em Dia dema e voltará para seu Estado natal com a mu ther para morar com os parentes. "Continuarei escrevendo por lá sobre a gratidão que devo a São Paulo e mandarei para cá minhas mensa gens", afirma.

Passo Preto não esconde que Gersinio tenha sido um de seus majores incentivadores. É un nome respeitado que pretende deixar algum co nhecimento para os mais novos "Quero que aqueles que reconhecem o que fiz fiquem com una base, um apoio", diz o poeta, que já fala com saudade aos amigos: "Só vou como pessoa, mas meu coração fica com vocês"

Autor de muitos cordéis, Gersinio não escon de seu grande desejo. "Confeccionar um livro, mesmo que seja simples e pequeno", afirma. Ele sabe que não recebeu o reconhecimento de to dos, mas também não se importa que não tenha ficado rico: "A única coisa que levamos para a sepultura é o dom.

Mais informações à página 2

Xilos de Diadema para o mundo

Jeronimo Soares veio da Paraíba para o Grande ABC, onde vive e trabalha seu pontilhado.

Texto Nelson Albuquerque

Xilogravura produzi da por gravadores A encan nordestinos tam admiredores das artes plásticas do mundo intel ro. O paraibano Jeronimo Sos res, moradar de Diadema, ja descobriu isso. Ou melhor, fol descoberto e já expôs até na Bienal de Gravura de Amadora, de Portugal, em 1998

Sun obra é chela de detalhes. Jeronimo inventou uma técnica de pontilhado feito com agulha e criou várias de suas ferramen tas. Outra marca é o caracteris tice sol com chamas direciona das para o centro do desenho. Seu trabalho está tetratado em di versos livros de arte, incluindo de países europeus, grandes interessa dor no assunto,

"A gente está só voando por ai", diz artista. Essa é apenas uma forma de falar que a tr balho vai para longe, pois Jero nimo nunca satu do Brasil, ape-sar de não ter faltado convites. São Paulo não inspira o gra vador em suas criações. Muito longe da terra onde nasceu, sie rocurte sempre a cenários e te mes nordestinos mesmo quando é contratado para lus trar capas de livros de cordéis e discos do gênero, "Passo a noite todinha pen sando no nome da gravura. Quando vou fazer, já sel como será a história", afirma. O tinu los das obras cuidam de contar a tal história. Alguns deles: D Homem da Melancia Querendo Aparecer, O Homem que Engoliu a Caroga de Jara, O Pavido Vie jante, Casamento de Maruto, Agent voande diso an que já nomer exteria Não Tenho Onde Morar e A Mulher que Matou o Marido de Chi jre. Nesta última, a mulher bate com um chifre na cabeça do ma rido. O humor está quase sem pre presente. No fim de 2001, fez uma viagem à Paraíba e voltou com a idéia do Menino Carregando Agua com Carrinho de Rolimã, que já ganhou matriz.

Jeronimo conseguiu tornar -seu trabalho conhecido por mostrá-lo diariamente na Praça da República, em São Paulo, du-rante 15 anos. Jå vendeu para turistas e estudiosos do Japão, Suiça, França e Estados Unidos.

Começou a fazer xilogravuras aos 14 anos motivado por seu pai, o poeta popular José Soares, morto em 1982. José foi um dos mais im portantes cordelis tas do Nordeste, o poeta-reporter. Ele informou a população sobre a morte de Juscelino Kubitschek antes mesmo dos jornais", diz Jeronimo está do por af, sendo chamado de artista fez ormo A familia tem outros exem plos de gravadores. No Recife, mora e trabalha o irmão Marce lo. E, em Diadema, em sua pro pria casa, o filho Nino Soares, 21 anos. "Meu pai não me ensinou nada. Fiquei olhando ele trabalhar e tive vontade de fazer também, diz.

Os desenhos do filho já não rematam o Nordeste. "Gosto de fazer paisagens e animais", afir ma. Mais preguiçaso que seu pai, Nino começa e termina a confecção de uma gravura em uma única noite. Jeronimo, mais detalhista e com técnicas mais apuradna, demora um mês para concluir a obra. "Pego o lápis e a borracha e seja la que Deus quiser", diro pai

Pelejas, cordéis e improviso

O Banco do Brasil se preocupa em oferecer espetáculos de qualidade, de forma acessível à população. Demonstra seu compromisso com a sociedade brasileira, por meio de seus Centros Culturais e do Circuito Cultural Banco do Brasil, itinerante pelas principais cidades do País, divulgando o que há de melhor na música, teatro, dança, artes plásticas e literatura, valorizando nossas raízes culturais.

Por isso, traz ao público paulista este espetáculo músico-teatral, que mistura literatura de cordel, teatro, contação, canções e música repentista, mostrando a grandiosidade da poesía popular brasileira. Com mais este projeto, o Banco do Brasil, reafirma seu papel de incentivador da cultura nacional.

Centro Cultural Banco do Brasil

Trazemos em Pelejas, Cordéis e Improviso! a autêntica expressão viva da cultura popular brasileira, representada pela literatura de cordel e pela poesia repentista. Os olhos e as mãos do Brasil agora estão voltados para a nossa própria terra, para a arte e a cultura que permeiam o dia-a-dia do nosso povo. O cordel e o repente são nordestinos, filhos do agreste e do sertão, porém sempre estiveram presentes na oralidade humana. Com vocês, a tradição brasileira de Pelejas, Cordéis e Improviso!

Teatro de Cordel Produções Artísticas

"Inusitado combolo De artistas geniais Das raizes culturais Repente, cordel, abolo O banco dá seu apolo A real hegemonia Que a arte referencia Da nação, todo perfil Eo Banco do Brasil Respirando poesia."

Sebastião Marinho

JULHO de 2002

Sextas 17h

Sábados e domingos - 15h

CÉSAR OBEID E VAVÁ DO BIXIGA

Repentistas Convidados

SEBASTIÃO MARINHO E ANDORINHA

Dias 05, 13, 21, 26 e 28

PASSO PRETO E ZÉ FRANCISCO

Dias 06, 12, 14 e 20

ZE LUIZ E MANUEL FERREIRA

Dias 07, 19 e 27

Cordelista ISAURA DE MELO

aos sábados e domingos

O Nordeste é aqui. Diadema inaugura hoje uma série de eventos que tem a cultura popular da região como tema

Everaldo Fioravante

Da Redação

A cultura popular nos destina é o destaque da agenda de agosto em Diadema. Festival de repente, mostra sobre litera tura de cordel, exposição de xi logravuras e exibição de filmes, tudo com entrada franca, são as atrações, duas delas marcadas também para setembro.

"Os nordestinos compõem boa parte da população de Dia dema e entre eles há muitos re pentistas e cordelistas, por exemplo. Com as atividades promovidas pelo Núcleo de Cordel, mantido pela Prefeitura, a obra desses artistas está sendo resga tada", disse o diretor do Depar tamento de Cultura, Esporne Lazer da cidade, José Tadeu Mota.

"A realização desta série de eventos ainda leva em conta o fato de que, também por meio do Núcleo, surgem no munici pio muitas propostas de traba lhos artisticos relacionados à te mática da cultura nordestina", afirmou Mota.

Mais informações e programação completa do evento à página 3.

Xilo é popular por ser barata e muito simples

Da Redação

O termo xdogravura é usado para desghar uanto a técnica milenat de reprodução de ima gens painto a estampa obrada por meio dela. O prосеше кол site na criação de uma mate em madera que funciona como um carimbo: o releva molhado em tints gera o desenho no pa pel

O fato de a xilogravura estar intimamente relacionada à cul tura popular nordestina tem explicação fácil: as imagens im pressas nos folhetos de cordel raramente são reproduzidas com a utilização de outro meio, isso porque a xilo demanda não só poucos recursos técnicos, mas também financeiros.

Então, a xilogravura foi elei ta a principal forma de ilustra ção dos poemas narrativos e populares nordestinos, os cor deis. Bom representante da técnica da xião é o paraibano Veronimo Soares, que terá bras em exibição em Diade cidade onde mora.

EF

Repente, cordel e xilogravura

Everaldo Floravante

Da Redação

A cantoria em dupla e com ritmo de desafio que traz as lembran ças do passado rural, seco e penoso, mas que tam-bém revela o presente urbano, muitas vezes não menos sofri do. A poesia popular, simples e visceral, abordando o cotidia no intimo ou público. A madei ra que passa pela mão do artis-ta e ganha novo status: vira arte por conta dos traços que o papel dela absorve Repente, cordel e xilogra vura são três entre as formas de expressão artística repre-sentadas por meio da série de eventos promovida em Diade-ma. A programação, a partir de hoje e com entrada franca, tem como foco a cultura po-pular nordestina. Como sede dos eventos figuram cinco centros culturais do munici nio Taboão Diadema. Ina mar, Vladimir Herzog e Ca-nhema

O Festival de Repente de Diadema reúne no sábado cin co duplas de poetas improvi sadores, em evento que não nem caráter competitivo. Já para o dia 29 está marcada apresentação dos repentistas Zé Luis e Passo Preto da Bahia.

Hoje tem Ingredientes Car-delianos, mostra com conteú do alusivo à literatura de cor-del. E, no dia 21, o ator e pes-quisador de culturas popula-res César Obeid ministra oficina sobre o mesmo tema.

A xilogravura também é abordada a partir de hoje, isso por meio da exposição de obras dos artistas da cidade Jeronimo e Nino Soares, res

No Centro Cultural Taboão

(ax. Dom João VW, 1.393. Tel: 4077-1643)

Xilogravura e Ingredientes Cordelianos

(respectivamente, exposição de obras dos artistas da cidade Jeronimo e Nina Soares-pai e filho-e Nireuda Longobardi, e mostra de folhetos, textos, material bibliográfico e fonográfico referentes à literatura de cordel-na abertura havera apresentação dos repentistas Zé Luis e Passo Preto da Bahia). Das 19h30 de hoje até o dia 30

Quando Conto Cordell (narrativa de histórras e

improvisos pera crianças, com distribuição de folhetos de cordel). As 15h do dia 15

Fábrica de Universos (o poeta popular Costa Senna se apresenta ao lado dos músicos Tiago Stocco, Thiago Alvarez e Amilton Silva). As 19h30 do dia 16

Origem, Generos, Modalidades, Rimas e Métricas da Literatura de Cordel (os poetas Moreira de Acopiara e Costa Senna discomerão sobre o temal. As 19h30 do dia 21 Sarau em Cordeis - Chão de Patativa (o poeta popular Moreira de Acopiara fará um breve relato da trajetória do poeta cearense Patativa do Assaré e algumas de suas obras. Também haverá o pré-lançamento do livro de poemas e cordéis Uma História da vida em Poemas e Cordeis, da poetiza e cordelista Nelita Barbosa). As 19h30 do dia 22

Espetáculo Musical com Poetas Repentistas (Zé Luis e Passo Preto da Bahia mostram seus trabalhos e convidam a cantadeira Lusivam Matias). As 19h30 do dia 29

O Auto da Compadecida (Brasil, 2000), de Guel Arraes (premiada peça de Artano Suassuna que chegou ao onema. Com Matheus Nachtengalle, o João Grilo, e Selton Meila, como Chico. Grio é um nordestino muito esperto que vive várias aventuras e provoca diversas confusões, sempre acompanhado de Chicó). As 19h30 do dia 30

No Centro Cultural Inamar in Antonio Sylvic Cunha Bueno, 1.322. Tel: 4043 5476)

Pé de Parede (exposição de fotos e textos sobre a cantoria nordestina tradicional, além de xlogravuras de Jeronimo e Nino Soares). Das 19h de amanhã até 13 de setembro

Sarau de Repente (com os repentistas Zé Luize Pasiso Preto da Bahia, que contarão sua vivencia como improvisadores). As 19h30 do dia 13

Encontro de Cordel (os poetas populares Moreira de Acopiara e Costa Senna apresentarão seus trabalhos de literature de cordel em conta e música). As 19h30 do dia 15

Construindo e Contando Cordel (oficina ministrada pelo ator e pesquisador de culturas populares César Obeid-é necessário se inscrever antecipadamente). As 19h do dia 21

O Hamem que Virou Suco (Brasil, 1980), de João Batista de Andrade (exibição do fime que trata da história de um imigrante nordestino, contador de cordiel e recém-chegado a São Paulo, que é confundido com um operano que matou o patrão. A exibição contará com a participação do cordelista José Francisco, responsável pelos cordeis falados no filme). As 19h do dia 30

Quando Conto Cordel (contação de histórias e improvisos para crianças, com distribuição de folhetos de cordel). As 15h do dia 11 de setembro

No Centro Cultural Diadema ir Graciosa, 300. Tel: 4043-3983)

Festival de Repente de Diadema (evento com cinco duplas de poetas improvisadores). As 18h do sábado (dia 9)

No Centro Cultural Canhema (t 24 de Maio, 38. Tel: 4075-3792)

Messias Messina (o cantor e compositor apresenta show die voz e violão). As 19h30 do dia 21

No Centro Cultural Vladimir Herzog (r. Eduardo de Matos, 159. Tel.: 4091-2299)

Cantos e Cordéis (o poeta popular, ator e compositor Costa Senna se apresenta ao lado da Banda Estação da Luzi. Ás 19h30 do dia 22

Inauguração agita Vila Ferroviária – Casa do Milho & Poesia Regional reúne artista sem Paranapiacaba.

Texto Nelson Albuquerque

Da Redação

Produtores de cultura popu-lar corresponderam à iniciati-va e marcaram presença na inauguração, anteontem, da Casa do Milho & Poesia Regio-nal, novo empreendimento tu-rístico de Paranapiacaba, em Santo André. Nilton Claudino, proprietário do negócio, rece beu os artistas Valdeck de Ga-ranhuns, Jeronimo Soares, Costa Senna, Tony Gonzagto, Meramolin e Ubiratan Freire, entre outros. Nesse meio, há cordelísta, músico, xilogravu-rista e artista plástico.

A Casa é dedicada à venda de milho verde e produtos de-rivados, como pamonha, suco, creme de milho com azeite, sopa, cuscuz e bolo. Tudo feito por Claudino, pernambucano. que mora na vila há seis anos.

No bom movimento propor-cionado pela festa de inaugu ração, ele contou com a ajuda de familiares no atendimento aos clientes.

A sala gastronómica chama-se Ana Carla Costa Mendes, universitária que morreu me-ses antes de concluir sua pes-quisa sobre Paranapiacaba, ex-posta no local. Os pais da estu-dante também compareceram ao evento.

Na sala seguinte, são comercializados folhetos de cordel, CDs de música popular, livros e xilogravura. Somente arte de gente do Nordeste. "A vila é in-glesa, mas quem vive nela é o nordestino", disse Claudino.

A festa começou com um cortejo pela ruas da vila. Foi realizado pelo Grupo Atrás do Grito, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), sob a coor denação de Newton de Souza, pesquisador de cultura popu-lar da universidade.

O cearense Costa Senna, autor de livros e CDs, declamou e cantou seus versos: "Sou cien te que sou doido/ mas tu é doi do também se eu gritar 'xô' doido aqui não fica ninguém".

O paraibano Jeronimo Soares falou sobre xilogravura, arte à qual se dedica e é bastante reconhecido. A palestra seria dispensável, afinal suas belas obras falam por si, ao tra-zer temas relacionados à vida nordestina. No local, uma xilo de Jeronimo é vendida a R$ 45 (as matrizes são bem mais caras). Seu filho, Nino Soares, também tem obras à venda, cada uma a R$ 35.

A sala artística foi batizada de Valdeck de Garanhuns. E ele próprio esteve presente, com familiares, para agrade cer a homenagem e exibir seu trabalho de confecção de bonecos. Foi a primeira vez que foi a Paranapiacaba e deu logo sua impressão: "Esse lugar é cinematográfico".

O visual bucólico e o clima de ares distantes da vida urbana são alguns dos benefícios agregados ao passeio pela vila, que conta com museu, entreposto cultural, ateliés-residência e até casa-pousada.

A Casa do Milho & Poesia Regional (r. Fforde, 527) fica aberta aos sábados e domingos, das 8h às 17h.

Raízes Nordestinas em Diadema

Migrantes Jeronimo Soares e Moreira de Acopiara mantêm vivas duas vertentes da arte popular

Nelson Albuquerque

Da Redação

N a contramão do processo de massifica-ção cultural que afeta boa parte do pla-neta, trafegam os artistas populares do Brasil. Eles poetizam e desenham suas experiências e imaginação, de forma a registrar uma parcela bastante rica da história não oficial do país. Quase sempre nordestinos, de origem simples, esses artistas produzem sua arte espalha-dos pelo Brasil. Dois deles, dos melhores, vivem no Grande ABC, ambos em Diadema.

Jeronimo Soares é um xilogravurista paraiba-no de 69 anos, que tem no currículo participação na conceituada Bienal de Gravura de Amadora, em Portugal, e a citação do escritor Jorge Amado que o aponta como "um dos melhores gravadores do mundo".

Em agosto próximo Jeronimo re-ceberá a primeira homenagem de sua vida: durante todo o més no Cen-tro Cultural Canhema, no bairro onde ele mora, haverá uma progra mação com exposição, cordel, repen-te, teatro e mesa de debate a respeito de sua obra. "Não sei nem que home-nagem é essa, mas já estou muito fe liz", diz o gravador.

Autodidata, Jeronimo entrou para o mundo da arte motivado por seu pai, o poeta po pular Jose Soares, Nunca frequentou escola e pro

Jeroni xilogra renom Acopic sensive cordel

dez desenhos que revelam seu imaginário, espe cialmente temas nordestinos, com recorrência de cenas bem-humoradas.

O fazer é um admirável ritual arte-sanal. Uma matriz demora cerca de um mês para ficar pronta. Depois de decidida a história, Jeronimo pega o lápis e a desenha na madeira. Em se-guida, para talhar a peça, utiliza fer-ramentas que ele mesmo fabrica, in-clusive a agulha responsável por sua exclusiva técnica de pontilhado.

Palavras gostosas -Também mi-nucioso, e companheiro de contramão de Jeroni-mo, é o trabalho de Moreira de Acopiara, mas suas ferramentas são as palavras. Poeta popular nascido no Ceará, lançará no mês que vem seu quarto livro. "Escrevo muito lentamente. Vou len-do, mexendo e burilando o texto, sentindo o rit-mo e a cadência, procurando palavras gostosas de serem ditas e ouvidas", diz o poeta, de 42 anos.

Ex-garçom e ex-frentista, Moreira trabalha há seis anos exclusivamente com a literatura de cor-del. Foi convidado duas vezes para participar do Cordel na Cortez, promovido pela Livraria Cor tez. Agora, na terceira edição do evento, responde como coordenador. De 14 a 26 deste mês, serão oferecidas diversas atividades da arte popular brasileira nas unidades da livraria em São Paulo e em Santo André.

Mais informações nas páginas 2 e 3.

“Jeronimo é xilogravurista renomado; Acopiara, um sensível cordelista”

Justa Homenagem a Jeronimo: Arte do xilogravurista é o centro de uma série de eventos que serão desenvolvidos de hoje ao dia 31.

Texto Nelson Albuquerque

Um prêmio no Salão Paulista de Arte Con-temporânea (1977), um elogio de Jorge r Amado e, agora, uma homena-gem no centro cultural de seu bairro. "Para um paraibano é muita coisa". Essa é a reação, humilde e bem-humorada, do merecedor de tamanho reco-nhecimento: o xilogravurista Jeronimo Soares, 69 anos, mo- F rador de Diadema há 12. Homenagem a Jeronimo Soares - Um Gravador Popular é o evento que começa hoje, às 19h, e se-gue até 31 deste mês, no Centro Cultural Canhema, com a parti-cipação de cerca de 80 artistas.

As obras de Jero-nimo já figuraram em várias exposi ções até no exte-rior, ilustram ca-pas de livros, CDs e folhetos de cordel. Mas nunca foram reunidas em uma mostra exclusiva, uma indivi-dual. O Núcleo de Cordel de Dia-dema foi além e fez de Jeronimo o símbolo de um evento que tratará do universo da cultura po-pular brasileira.

Artista família estão radicac em Dia há 12 a

"É merecidíssimo. Ele dedi-cou a vida inteira à gravura de cordel", diz o ator César Obeid, produtor do Núcleo e curador da exposição. Jeronimo come-çou a fazer xilo na Paraíba, aos 12 anos, motivado pelo pai, o poeta José Soares. Veio para São Paulo em 1972 e conseguiu sobreviver de sua arte.

Jeronimo também é sanfoneiro e, por isso, a gravura quase perdeu um de seus mestre. “Em determonada época eu me dediquei à sanfona. Queria ter uma profissão só", conta Jeronimo.

Mas ele foi reanimado por uma declaração do escritor baia-no Jorge Amado (1912-2001): "Jeronimo Soares é um dos mais notáveis gravadores populares do Brasil. Suas madeiras para capas de folhetos de cordel são de real beleza, poderosas e poé-ticas", diz um trecho do texto de Amado, escrito em 1977 e repro-duzido no catálogo da exposi-ção em Diadema, editado por Ricardo Amadasi.

Na abertura do evento, às 19h de hoje, César Obeid apresenta o cordel que escreveu sobre Je-ronimo especialmente para esta ocasião. O paulistano Obeid não é um autêntico artista do gênero em questão, encai-a xa-se na linhagem de recriadores da cultura popular.

A agenda (mais informações nesta página) prevê ain-da o lançamento do livro Com o Pé Direito na Frente, do cearense Morei-ra de Acopiara, também mora-dor de Diadema; apresentação do mestre de mamulengo Val-deck de Garanhuns; shows de repentistas e aboiadores, como Passo Preto; e debate com o pesquisador uruguaio Ernesto Donas e o cordelista Cícero Pe-dro de Assis.

O Centro Cultural Canhema é onde funciona há cinco anos a Casa do Hip Hop, cujos freqüentadores terão uma boa chance de ter contato com a arte do imaginário popular. "A cultura popular é a base para muita coisa, até mesmo para o hip hop afirma a coordenadora do espaço, Marua Láudia de Oliveira.

O clã devotado à xilogravura. Texto Nelson Albuquerque

Nelson Albuquerque

Da Rataçan

A vesa artistica da humilia Soans e parsada de geração para geração. E uma tradição que começou na Paraíba, na década de 1930, com Jusé Saars, chamado de "o poem-reporter Be incentivou o filho Jeronimo, en she com 12 anos, a produzir kilogravuras que ilustra nam seus cordet

Hoje aos unitno mon em Diadema e é um due grandes nomes entre os gravadores brasileiros. Assutomo aprendeu a arte sozinho, seu Elho Nino, 13, neto Wesley 5. seguem a mesma trajetória "De tanto olhar eu trabalhar, eles pegaram as ferna

means e começaram a fazer", afirma o artista Niro é autodidata por opção, como uma forma de pasecvar seu imaginário: "Não me interesaa estudar desenho, porque vou entrar no ritmo de quem está ensinando. Professor sempre da opinião"

A xilogineura é uma técnica milenare das mais primitivas de reprodução de imagena. Tornou-se popular no Nordeste, principalmente, por exgir potnicos materiale, portaam, recursos financeiros, O artista desenha em prancha de madeira uma história, Aus, sitiliza instrumentes cortantes (points), cuando sulcou na madeim e fabricando, as st, a matriz da oben. O desenho fica em relevo e e nele quré pasada umatinta. Em seguida, como uma espécie de carimbo, a matriz reproduz a obra em uma folla de papel.

"Normalmente, os gravadores tiram umas 200 co puas de cada matriz. Mas eu faço só umar 40, 60, pois logo vem outras matriaes", diz Jeronimo. Cada cópia custa cerca de R$ 200 e uma matriz não sai por me nos de R$ 5 mil. Também faatrabalhos sob encomen da para ilustrar livros, cordeis e CDs. Empresas, na época de fim de ang, são oumas grandes clientes

Um lugar bom-Foto pai de Jeronimotambem que men a siz para São Paulo, etti 1972, duendo eue era um lugar bum" para trabalhar com rdogr Vum. "Chegues aqui e, no primeiro jothal que ful comega espaço", afirma. Depon, passou 15 anos sendendo xiliar na feiruha da praça da República.

Em aposto deste ano, Jeronimo ganhara a pratici ra, e justa, hamersagem de sua vida, prunsvida pelo Nudeo de Cordel de Diadema e Departamento de Culinen da catale "Queremos homenagea lo em voda, privande que a cultura popular presen tech Cesat Obeid, soudunt de Nielen. Alén pouleto comobras de Jaunimo e seu filhe

Os memo retratados pelo pal são sempre os aur destinosz a vida do sertanejo e algumas sinuações co mican criadas pelo artista. No fim do ane pasado, Je ronimo fez sua primeira obra com termática urhana, chamada O Tempu das Favelas

Nino tem uma produção dersificadaan de muis. Faz bom desenhos, mas também reprodux qualquer personagem das HQs. O pequeno Wesley ainda engminha na arte, mas demonstra conhecer um importante past. "Se alguém quiser compear meu desenho, pode vender. Custa R$ 9, dir ao avo Contatos pelo telefone 4071-7526

Técnica pode ser aprendida

Artista plástica formada na Belas Artes de São Paulo ministrará oficina

Cássio Gomes Noves

Die Restação

Xilogravurata de cordel que se preze é incondicionalmente autodidata. Ou não? A artista plástica Nireuda Longobardi potiguar de 16 anos, desde co 2. radicada em São Paulo-é uma das oficineiras elencadas para a programação da livra ria Cortez (leia texto na página 21E, latainconnun na arte as sumidamente popular, Nireu da tem formação superior

Graduada em artes plásti car pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, ela admite inclusive que seu primeiro contan con xilogravura ocor reu durante o cursa. "Depon eu comecei uma pesquisa so bre a gravura de cordel, até para juntar material e montar a oficina", dia Nireuda, que pretende retuar o material pesquisado para, faturamen fazer uma pós-graduação em cima disas

O aprendizado formal, se não chega a palpitar ou imer fetit, alguna diferença faz na produçên da xilogravura. Sinto diferenças entre out dideras e grudunudos). Eu, por carmplo, the noções de ana ta, respeto alguns concri cos en ordem). Eles ( todidiatus) não fizeram cuno

anammia, mas a forma movies trabalham. Não se protlem a conceitos, farem as

ta gravuran de um modo bem nuus livre. Eeufico presa a de talbes, ne

Esse apego a mamicias "não é defeito, não", defende

se Nimada, que sublinhaja necessidade de cada r rista imprimir suas personali dade nas capinhas da ing tura de cordel. Cada um sem Seu estilo. O José Lourenço faz do jean dele, Jeronimo faz do jeno dele. Não quer di Ber que quem é autodidata gão tenha preocupações, mas trabalho sai de uma forma

Na meima moda de cele bração da naturalidade, Ni peuda lamentancia pos eventos da Cortez. "Euha pena que o Jeronimo não esta com a gente. Ele e o the drie são ótimos. E o mais inte resuante do Jeronimo e que. além de ser autodidata, ele mesmo e quem fabrics as fer mentas com as quais vai tra Belhar a madeira".

Neruda não pretende ficar conhecida come a "Mister M da silngravura", mas revela un segredo operacional dessa ate. A madeira tem de ser a mais leve e macia possivel, dano pinho, cedro ou ca Tanco melhorse for uma tábun de umburana, também conhe cida como imburana. "Essa madeira é ouro pata quem far gravara. Mas ela é muite difi dil de encontrat, s existe de norte de Minas Gerais, para elma regiles Nordeste Nor O cultivo caseim da un burana poderia então resolver jonga viagens até a Minas se senuional? "Não adianta. Ex mena je tive uma muda aqui comigo e não teve jeito. Ela 64 masel não foi para frente de jeito nenhum

Homenagem a Jeronimo

Da Redação

O evento Homenagem a Jero-nimo Soares-Um Gravador Po-pular é um exemplo da impor-tância que a cultura feita pelo povo tem em Diadema atual-mente. Ao longo de agosto pas-sado, uma programação multi-disciplinar e com entrada fran-ca dedicada ao xilogravurista paraibano de 69 anos, há 12 morando na cidade, foi ofere-cida no Centro Cultural Ca-nhema. Exposição, publicação de catálogo com reprodução de obras de Jeronimo e shows de repente figuraram entre as atrações promovidas.

Jeronimo dedica-se à xilo-gravura, processo de gravura que consiste na criação de um carimbo com o entalhe de pla-cas de madeira que servem como matrizes para a impres são das imagens sobre papel. No Brasil, a técnica da xilo é in-timamente ligada à literatura de cordel: são as gravuras que ilustram os poemas.

Se depender da familia Soares, a xilogravura terá vida longa em Diadema. Isso por-que o filho de Jeronimo, Nino, 24 anos, se dediça à lingua-gem. Wesley, 6, neto do artis-ta, já começou a fazer arte.

Jeronimo de novo reconhecido – Pinacoteca de São Bernardete adquire para seu acervo 25 obras do xilogravurista de Diadema.

Texto: Everaldo Fioravante

Everaldo Fioravante

Da Redaço

A Pinacoteca de São Ber-nardo, instituição mu seológica, inaugurada em 1990, acaba de en riquecer ainda mais sua coleção com a aquisição de 25 xilogra vuras de Jeronimo Soares, pa-raibano de 69 anos que há 12 mora em Diadema. Com estes trabalhos, o acervo do musen instalado no Espaço Henfil de Cultura totaliza 988 obras de 427 artistas.

O estimulo para a aquisição das gravuras foi o evento Home-nagem a Jeronimo Soares-Um Gravador Popular, programa-ção multidisciplinar que cele brou a obra do xilogravurista ao longo do mês passado no Centro Cultural Canherna, em Diadema, o bairro onde mora. "Conheço a produção artísti ca de Jeronimo faz anos e sem-pre quis ter exemplares de obras dele na Pinacoteca. O evento em Diadema motivou a compra, disse João Delijaicov Pilho, conhecido como João dos Quadros, o curador da pi nacoteca,

Delijakov e dois outros fun cionários do Departamento de Cultura de São Bernardo, o agente cultural Fabio Amster-dam ca analista de cultura Mô-nica Araújo, foram os responsá veis pela seleção das 25 obras adquiridas, conjunto datado dos últimos 4 anos.

Entre as gravuras, 20 estão reproduzidas no catálogo pre-parado por conta do evento Ho menagem a Jeronimo Soares. "Compramos todas que têm imagens no livro. Isso porque toda obra de arte que é publica da adquire mais valor", afir-mou Delijaicov:

"Temos no acervo da pinaco teca cerca de 70 obras de arte popular. Com os trabalhos do Jeronimo, esse notável seg mento da coleção é valorizado. Outro fator considerável é que ele é um dos mais importantes artistas do Grande ABC, região que o museu faz questão de ter obras dos nomes mais repre sentativos", disse o curador.

Para apresentar as novas aquisições, a pinacoteca tem planos de realização de uma mostra. Ainda não uma data definida para a exibição.

Embora o trabalho de Jero-nimo seja de uma riqueza esté tica inquestionável, as obras dele não atingem boas cifras no mercado de arte. Em relação ao montante pago pela pinacoteca pelas gravuras, Delijalcov afir mou que foi um preço muito acessivel. "Pagamos R$ 50 por cada trabalho, o que somou RS 1.250. É muito menos do que elas valem".

Jeronimo já fez uma série de exposições e realizou inúmeras obras para ilustrar capas de li-vros e de discos.

Jeronimo saboreia o sucesso – Exposição de xilogravuras do mestre paraibano atrai bom público a centro cultural de Diadema.

Texto: Everaldo Fioravante

Da Redação

Ο Centro Cultural Ca-nhema, em Diadema, abriga, até o fim deste mês, o evento Home-nagem a Jeronimo Soares - Um Gravador Popular, uma celebra-ção à obra deste artista plástico. A programação multidiscipli-nar em homenagem ao xilogra-vurista paraibano de 69 anos, há 12 residindo em Diadema, está em cartaz até o dia 31, sem-pre com entrada franca (mais informações nesta página). A atração principal é a exposição de xilogravuras de Jeronimo, primeira mostra individual do gravador que se iniciou neste ofício aos 12 anos, na Paraíba.

São 100 obras, sendo a mais antiga de 1976 e a maioria reali-zada nos últimos dez anos. En-tre elas, cerca de 40 estão acom-panhadas das respectivas ma-trizes, as placas de madeira que o artista entalha criando um ca-rimbo por meio do qual é feita a impressão sobre papel.

Por meio das obras, boa parte reproduzida em um catálogo com tiragem de 2 mil exempla-res, Jeronimo de certa forma re-faz o caminho que marcou sua vida e a de tantos outros nordes-tinos, a vinda da região Nordes-te para a Sudeste. Ele exibe en-tão gravuras como Maracatu e O Cajueiro, que remetem às suas raízes, e também Passeio na Fa-vela, relativa à vida urbana.

"Jeronimo está tão feliz com a homenagem que parece uma criança", diz o escultor argentino Ricardo Amadasi, assessor de Artes Plásticas da Prefeitura de -Diadema e curador da mostra.

-

-

-

"O que me deixa mais con tente é que muita gente está vi sitando a exposição", afirma Je ronimo, que faz questão de di-zer que seu filho Nino, 23 anos, também se dedica à xilogravura - obras dele estão em exibição no local. "E tem também meu neto Wesley, 5 anos, que já co-meçou a fazer suas primeiras xi-los". Essa transmissão de conhe cimentos entre familiares, por sinal, é uma das marcas da cul-tura popular.

Jeronimo Soares - Exposição. No Centro Cultural Canhemar. 24 de Maio, 38. Tel.: 4075-3792. De terça a sábado, das 9h às 18h. Entrada franca. Até o dia 31.

Arte popular finca raízes em Diadema

O xilogravurista paraibano Jeronimo Soares (foto) e o poeta cearense Moreira de Acopiara representam o que há de melhor no Brasil em arte popular. Ambos vivem e produzem suas obras em Diadema.

Cultura & Lazer 1 a 3

Um certo Moreira, de Acopiara

Artista cearense que conheceu o mestre Patativa de Assaré hoje vive de cordel em Diadema

Nelson Albuquerque

Da Redação

Moreira de Acopiara escreve cordéis desde os 12 anos, ainda no Ceará. "Eu dizia que quando crescesse queria ser igual a Patativa do Assare", afirma o M poeta popular, hoje morador de Diadema.

Nascido Manoel Moreira Junior, em Acopiara, o artista foi alfabetizado pela mãe, que lia para ele cordeis e os poemas de Patativa (1909-2002), o mestre dos mestres da poesia oral. Patativa era, também, amigo da familia e frequentador da çasa de Moreira, assim como vários cantadores repentistas daquela região.

No próximo mês, Moreira de Acopiata lança seu quarto livro, intitulado Com o Pe Direito na Frente. Mas a próxima oportunidade para ter contato com sua obra é o evento Cordel na Cortez, que ele mes mo coordena, com atividades em São Paulo e San-to André (mais informações nesta pagina).

Tudo que Moreira compós está guardado. Pu-blicados, mesmo, só os textos feitos após seu 30 Saniversário. No cordel Trajetória (2003), ele con-en sua vida e sua arte: "Nos poemas que compo nho/Gosto de falar de amor/Ecanto as coisas da terra, O homem trabalhador/ E as dores e as aflições do meu irmão sofredor."

Ensino formal, na escola, só apareceu na vida de Acopiara quando ele tinha 15 anos e, com 20, como fizeram milhares de outros nordestinos, chegou a São Paulo para tentar a vida. Por aqui, trabalhou como vendedor, garçom, gerente de choperia e auxiliar de escritório, entre outras fun ões. "Trabalhar só com poesia é dificil, mas estou conquistando meu terreno", afirma o poera.

“Riqueza não existia, Mas não nos faltava nada. Reinava paz, alegria, Mamãe era dedicada E papai colaborava. Ele nos orientava Sobre a vida e seus perigos. Sem muita bajulação Nos dizia: voces são Além de filhos, amigos. (...)

Mamãe me alfabetizou Quando eu ainda era menino, E com cautela forjou Meu caráter, meu destino. Muitas vezes no galpão Nós todos acompanhamos Nossa mäe lendo pra nós Drummond, Rachel de Queiroz E Graciliano Ramos.”

Trecho de Para um Homem ser Fellz Não E Preciso Riqueza, livro inédito de Moreira de Acoplara.

Uma loucura Acopiara diz que vende bem para seus conterrâneos, mas seu maior público são os estudantes universitários. Ele se recorda do sucesso de uma palestra sobre cordel que rea lizou na Fundação Santo André: "Rapaz, foi uma loucura. Fizeram uma fila enorme e todo mundo saiu com pelo menos um cor lelzinho".

Conhecedor da história da poesia popular, Aco-piara coordena palestras e oficinas. "Entre 1900 a 1950, quando o rádio não era popular, o cordel foi o jornal do nordestino. O sertanejo ficou sabendo da Segunda Guerra através do cordel", explica.

A propagação do rádio e da TV, r o aparecimen to de cordelistas sem talento, segundo Acopiara, fizeram essa atividade perder espaços "Mas de anme anos para of surgiram bona poetas e o interesse de pesquisadores também aumentou", afirma.

Mas os "bons poetas", apesar de aparecerem, são poucon. "Recebo muitos trabalhos, mas em ge ral não passo nem da terceira estrofe. Rimar e me trificar é fácil. Dificil é ter conhecimento, sensibili dade e gosto pela leitura para se fazer um texto de conteúdo e sem informações erradas", diz.

Seus três primeiros livros são Meu Jeito de Ser Feliz, Cidadão Nordestino e Ai que Saudade que Te tho. Na região, podem ser encontrados na Livra rin Cortez, de Santo André (tel.: 4991-8907), ου com o próprio autor (tel: 4072-2749).

Livraria promove grande evento

Da Redação

O projeto Cordel na Cortez tera sua terceira edição de 14 a 26 des te més, com exposições e venda de produtos da cultura popular. A maior parte da programação se concentrará na unidade paulista na da livraria (r. Bartira, 317. Tel 3873-7111), com atividades de se gundua sexta-feira, das 9h às 21h, e ans sábados, das 11h às 15h. Para a Cortez de Santo André (av. Prestes Maia, 3.550. Tel.: 4473-4030) foram reservadas duas da tas: dias 19 e 26, respectivamente, para oficinas de cordel e xilogra vura

A abertura (dia 14, às 19h, en São Paulo) reunirá vários artistas populares em um sarau. Estarão presentes o poeta Moreira de Aco piara, a gravurista Nireuda Lon gobardi (leia texto na página 3) e o ator Valdeck de Garanhuns, entre outros. A entrada é franca.

As oficinas de cordel (dias 15 e -19), gravura para crianças e adul tos (19 e 26) exilogravura (16, 17, -18, 22, 23 с24) têm vagas limita-das e preços entre R$ 10 e R$ 25. Quem comanda essas atividades são os próprios artistas, como Mo reira e Nire uda, além dos grava dores هر عسلникло е Утапcor

Para o čia 25, está agendado um saran poético com lançamen tos. Os autores podem se inscrever gratuitamente para expor e ven der suas obras literárias e musi cais. As vagas também são limita-das..

Aos domingos, dias que a livra ria não abre suas portas, o projeto se desloca para o Parque da Agua Branca (av. Francisco Matarazzo, 455), em São Paulo. Das 9h às 14h, cordeise xilogravuras ficarão à disposição do público.

Segundo os or ganizadores, o ob-jetivo do Cordel na Cortez é levar a crianças e adultos a li teratura de cordel e a xilogravura, ele mento estreitamente associado aos folhetos. A música dos repentistas e violeiros nordesti nos também é con templada.

A unidade paulista na, durante o evento, oferecerá ainda comi das e bebidas típicas do sertão nordestino. Além disso, dará destaque em suas prateleiras para livros de autores clássicos do gênero, como Mestre Azulão, Abraão Batista e Klévis son Viana.

-NA

O Divino Jardineiro

Contra o Dragão da Maldade: xilo de Audifax Rios para cordel de Acopiara

Histórias de um artista popular.

Gravurista Jeronimo Soares faz, hoje, registro de memórias aberto público na Alpharrabio.

Texto Everaldo Fioravante. Foto Nario Barbosa

Gravurista Jeronimo Soares, 70 anos, afir marque muitos de seus conhecidos dizem que ele nasceu com uma estrela na testa". Isso porque, ao contrário de muitos conterrâneos nordes tinos que deixaram a terra natal ese aventuraram em busca de ada melhor na região Sudeste, o arista paraibano não precisou enfrentar trabalho pesado. Sem pre viveu de arte e nunca teve outra profissão, Jeronimo conta a partir das 17inde hoje momen tos de sua trajetória pessoal e ar tistica na livraria Alpharrabio, em Santo Andre. A entrada é franca

evento mensal, batizado comp, Revivescencias, começou em março. Um dos participantes fot Pierino Massenzi, artista plástico e cenografo que é mora dor de São Bernardo. Por meio do projeto, as conversas serão avadas e depois publicadas, criando assim um registro de memórias de artistas e morado resantigos do Grande ABC

O que der na cabeça, eu falo. Esta tudo na memória e não te chovergonha de conversar diz Jeronimo a respeito do bare papo de hoje com o público. Ar nsta autodidata e analfabeto, ele nunca frequentou escola. Se não teve estudo formal, por outrо Lido tem um inquestionável sen so estético. O negócio dele é cziar silegravuras, um tipo de gravura feta a partir de placas de mideira (matrizes).

Jeronimo saiu da Paraiba cam a familia aos 12 anos. De IA para cá, rodou por diversas cidades brasileiras, entre elas Recife. Rio e São Paulo. Em Diadema, foxou mondia ba cerca de Lanos, munkno onde ele já havia morado nos anos 60.

Em São Paulo, enbin e ven deu suas gravuras durante cerca de 15 anos na famosa feirinha. da Praça da República, a partir de meados dos anos 60. Nessa epoca, eu em gravurista e sanfo neiro. Fur muito show por al e me apresentei ate com Luiz Gon zaga (1912-1989), na Radio Mayrini. Veiga, no Rio. Agora faz ums 15 ou 20 anos que não tnco mais atirma.

Ao longo da carreira de artis ta plástico, Jeronimo participou de várias mostras coletivas e ilustrou diversos cordéis e capas de livros e de discos. Emmeados do ano passado, ganhou a pri meira exposição individual, rea lizada no Centro Cultural Ca thema, Jocalizado no bairro em que ele mora em Diadema.

Na próxima quarta-feira (cha 31), a partir das 19h, o gravuris ta marca presença em São Pau lo, na Galeria Olide (av. São Jolão, 473). Na ocasião, além de apresentar obras, ele falará so bre xilogravura, em participa ção no evento Sarau do Olido (entrada franca)

Na voia-Aarte dos Soares cor re nas veias e é passada de gera-ção a geração. O pai de Jeroni mo, José Soares (morto em 1982), fol cordelista e ficou co-nhecido como "poeta-reporter" Um dos três filhos de Jeronimo, Nino, de 24 anos, também se de dica à xilogravura. O mesmo ca-minho é seguido pelo neto do gravurista, Wesley, garoto de 6 anos que já começou a criar suas xilos.

Tudo chelo-Sobre o desenvol vimento pelo qual o Grande ABC passou nas últimas décadas, um dos tópicos que devem ser ex-plorados no bate-papo na Al-pharrabio, Jeronimo o vê com bons olhos.

"Diadema, por exemplo, antiga mente era só estra da de terra. Tinha duas ou três casi nhas por quarteirio. Hoje, esta tudo cheio, Isso é bom porque gera mais movimento na cida de, tem mais trabe tes, eu só consegui vender obras nas ca pitais. Agora ja tenho reconhecimento na região. E estou cheio de coisas para fazer afirma

“Revivescências-Con versa com o grurista jero nimo Soares. Na rana Al-phanabiona Eduardo Montero 15. Sarito An от: 4438-4358 Hole, as 17h. Entrada franca

JERONIM”

Literatura em grande estilo

Dojival Filho

A partir do próximo sábado, a livraria e centro cultural Alpharrabio, em Santo An-dré, inicia uma série de encontros men-sais em que especialistas convidados irão apresentar ao público a obra de quatro grandes escritores brasileiros. Os encon-tros ocorrem até novembro, sempre aos sábados, às 17h, e têm entrada franca.

Na abertura do evento, o professor aposentado de Teoria Literária e Lite-ratura Comparada da USP, João Ale-xandre Barbosa, discute a obra de João Cabral de Mello Neto (1920-1999), na palestra Esquema de João Cabral, Um dos maiores críticos literários do país, Barbosa nasceu em Pernambuco, em 1937. Entre suas obras recentes estão o volume sobre João Cabral na cole-ção FolhaExplica e os livros Alguma Crítica e Mistérios do Dicionário.

No dia 24, será a vez do escritor mineiro Luiz Ruffato ministrar a palestra Aluísio Aze vedo e a Prosa Prolerária, Considerado pela crítica especializada como um dos melkores autores das recentes gerações da prosa bresi leira, Ruffato ja publicou, entre outros traba lhos Eles Eram Muito Cavalos e Ascanio Lopes Todos os Pressiveis Caminos.

Já no dia 29 de outubro, a livraria recebe o poeta gaúcho Eduardo Sterzi, que também tem se destacado na critica literária, com en-saios consistentes sobre poetas como Carlos Drummond de Andrade e Augusto de Campos. Na ocasião, Sterzi irá ministrar a palestra Muri-lo Mendes Mundo Enigma-Poesia-Liberdade.

Encerrando o ciclo de encontros, no dia 26 de novembro, o escritor carioca Rodrigo La-cerda irá explanar sobre os versos de João An-tônio (1937-1996). Autor de diversos livros, como O Mistério do Leão Rampante, de 1995, Lacerda atualmente conclui doutorado na USP sobre o escritor.

Mostra de artes revela talentos

Em julho, o Teatro Clara Nunes foi palco da premiação da 5ª Mostra de Artes de Diadema. Este ano, as inscrições superaram todos os anos anteriores. Os três primeiros colocados em cada categoria - artes plásticas, dança, desenho de humor, fotografia, literatura, música, teatro e vídeo receberam uma premiação no valor de R$ 1.700 para o primeiro colocado,

R$ 1.300 para o segundo e R$ 950 para o terceiro. O vencedor ainda recebeu o prêmio Plínio Marcos. Primeiro colocado na categoria música, João Paulo Critis comemorou o resultado "Foi a primeira fez que participei do evento e fiquei muito feliz".

Em sua 5ª edição, a Mostra de Artes se consolidou como um dos mais importan-tes eventos artísticos do ABCD. Segundo o coordenador do evento, Rubens Zárate, a qualidade dos trabalhos está crescendo a cada ano. "O mais importante é possibi-litar que os artistas tenham espaço para apresentar suas obras".

O secretário municipal de Cultura, Gilson Menezes, afirmou que a Mostra é um incentivo ao desenvolvimento cultu-ral do município. "Por concentrar a aten-ção de diversos produtores, a Mostra abre as portas do mercado cultural para os ar-tistas das diferentes linguagens"

Arte nordestina

Um dos melhores artistas de xilogravura do Brasil não vive no Nordeste e não ilustra só cordéis. Jerônimo Soares, 57, mora há 15 anos em Diadema, cidade onde chegou em 1963 depois de passar duas semanas viajando.

Jerónimo veio de Pernambu-co em busca de oportunidades melhores. Quando chegou ficou na casa de parentes que já vivi-am em Diadema. Trabalhou du-rante 15 anos na feirinha da Pra-ça da República. Vendia xilogra-vuras (arte de esculpir imagens em relevo sobre madeira e im-primi-las em papel) para turistas e colecionadores.

O artista começou a fazer xi-los aos 12 anos para atender a um pedido do pai, o poeta-re-pórter José Soares. Depois nun-ca mais parou. Viajou por diver-sos estados à procura de reconhe cimento. "O ABC é um lugar muito bom. Mas era difícil traba-Ihar aqui. Faz só quatro anos que me descobriram", contou.

Além da xilogravura, Jerôni-mo também é sanfoneiro. Tocou muito forró pelo país todo, até mesmo com Luiz Gonzaga. "Mas tive de escolher uma coi-sa só para fazer e a xilogravura era mais fácil", disse.

Ao longo dos anos, Jerôni-mo criou a própria técnica de xi-logravura. Utiliza agulhas e fer-ramentas que ele mesmo fabri-ca para imprimir sulcos e textu-ras na madeira. "O que mais gosto na xilogravura é o meu pontilhado, porque só eu faço", revelou. Ele calcula que até hoje já produziu cerca de 4 mil xilo-gravuras que ilustram livros, dis-cos, jornais, panfletos. "O que pedirem eu faço", afirmou.

Os trabalhos de Jerônimo, sempre permeado por temáticas nordestinas, já foram publicados em muitos países da Europa. Ele se orgulha ao lembrar que, em 1977, o escritor Jorge Amado publicou um artigo no qual con-siderava Jerômino Soares o me-lhor xilogravurista do mundo.

Até hoje, o artista não sabe ler nem escrever. Já teve muitas oportunidades para aprender, mas não quis. Ele prefere se ex-pressar por meio das xilogravu-ras. "Conto as histórias que que-ro com elas", afirmou.

A arte está na família. Ir-mãos, o filho e até o neto, Wesley, 6, fazem xilogravu-ras. Jerônimo mantém a mo-déstia: "Eu estou aí, estou vencendo. Não falo que já venci porque acho que ainda posso fazer muita coisa."

Cordel na Cortez mostra arte nordestina

A livraria Cortez abre hoje a 4ª edição do Cordel na Cortez, evento que reúne oficinas de xilogravura e literatura de cordel, com apresentação de violeiros, tudo regado a comidas e bebidas típicas da cultura nordestina, como paçoca, carne-de-sol, suco de cajá e cachacinha. Página 1

Lugar de cordel é na livraria.

Loja da Cortez na Sacadura Cabral, em Santo André, também terá oficina de xilogravura e repente.

Texto: Nelson Albuquerque

 

A omnia Corner, com loja em São Paulo e Hlial em Santo Andre, realiza neste més a quarta edição do Cordel na Cortez. A abemura do evento está marcada para hộie, das 11h às 10h, na unidade andreente. Insta ladis no Centro de Negócios e Serviços Sacadura Cabral Mais Igual. Aprogramação prevé oficinas de silugravura e literatura de cordel, apresenta ção de voleiros venda de produtos que têm a cultura popular nordestina como tema.

Apesar de estar na quarta edição, o Cerdel na Goctez ocotte na livraria de Santo Andre pela se dimda vez. A coordenação geralé, novamente, do copdellata centense Monica de Acopiara, radica oo em Diadema. E um evento muito procurado por estudantes universitários e professores", diz Marema. As atividades témvagas limitadas e taxas de inscrição que variam de R$ 20 a R$ 25.

O sarau de abertura, hoje, tem entrada franca Th, Mopeita de Acopiara lè o cordel que emere ven para apresentar o evento. Em seguida oścan tadores Sebastião Marinho e Andorinha empu nham vinian para demonstrar o repente.

Para atentar o clima nordestino, aliviarizole-renera comidas e bebidas tipicas ao público para cutter, paçoca carne de sol, para beber, batidas e sucos de graviola e cuja. Uma cachacinha tam bém não develalhar,

Ura dos destaques da agenda é a oficina de xio gravura (RS 15) com, Jeronimo Soares, paraibano que mora em Diadema hå 13 anos. A atividade μερείo desenvolves para esculpit a madeini. Je rosumo criou ferramentas especiais para faner es portilhados de agulha, uma caracteristica mar carte de seus desetibor

Ha anda três datas reservadas para o Varal de Historias do Poeta Passarinho-Parativa do Assa-re (US 10), dirigida As crianças. A artista plástica potiguar Nireuda le poemas e mostras as ilustra ções que fez inspirada pela obra do autor. Moreira participa contando passagens da vida de Parativa, com quem conviveis na infancia.

A Cartes de Santo André abrigaró outras três ofi cinase de curdel, de gravura para crianças e de xilo-gravuns, estacom Frascorlie José Lourenço (man ingarmações nesta página). Aprogramação comple , incluindo as atividades em São Paulo, pode ser comterida no ame www.livrariacortez.com.br

Diadema registra imaginário. Prefeitura lança hoje no Teatro Clara Nunes, Cds e catálogo com a produção de artistas locais.

 

Diadema registra imaginário.

Prefeitura lança hoje no Teatro Clara Nunes, Cds e catálogo com a produção de artistas locais.

Texto Everaldo Fioravante

A t v

Ο insaginario de a commidade registra do e amplificado. que se verá hoje nos languentos do livro Tempos Serenadrias, Anmiloga Zterária de Diadema, de dos CDs com gabalhos dos finalistus da åren de munca da Mostra de Artes de Dadema dos aton de 2002 e 2003 e de um folder com repro duções de olmas da edição do ano puzado. O evemo tem mi con bà 19h, na recem reinaugu mado Teatro Clara Nunes. Gra dusa 300. Tel: 4055-3366), A entrada e franc

Tempos e Territórios renne contas e poemas de 28 autores comidades, todos de Diadema панога participou das ofici naliterárias promovidas na ci dade. A tunagem de how milexeruplares sem como destino espaços culturais du Grande ABC marte também vai para os próprios ne

Obras recentes mapeian imagina de uma comtanida ramiro foi Portica Social Tempos Peploos, de 2002

mandução do Irno, beth de bean vien, que foi assessora de Tianura de Diadema e ideali cadora do projets, encreve que os cena de 70 trabalhis publicados desenham uma cartografia, ainda que sem a preteralão de coamplitude, dos signos e simbo tou que possam habitar o imagi lis que possam habitar e imag nário de uma comunidade"

Radi Ouveira dos Santos, uma das participantes da coles , leta textos escolhidos do li vro durante o evento que cele bra ondez anos do inicio das ofi cinas literárias promovidas pela pardeitura de Diadema, ativida des que ocurrem até hoje imin gruptamenste

O que se vê nan 08 påginas da publicação é uma diversidade de propostas euerticas e temáti cas. Como exemplos, Vivaldo de Andrade escreve sobre o amor em O Teu Beijo, Zózimo Adeoda-to Fernandes fala do passar da vida, do tempo, e Adolar Barrei mé outro a se debruçar sobre questões existenciais (leia pee mas reproduzidos nesta página).

Segundo Juscilene Araujo Monteiro, assistente de diretoria da Secretaria de Cultura de Dia edema e organizadora do evento de hoje, a idéia coma publicação odo livro é ajudar na divulgação dotrabalho dos escritores locais "A maioria deles não teria como mostrar seu trabalho a não ser A por meio desta iniciativa públi ca", afirma

A respeito dos CDs, cada um traz nove faixas interpretadas pelos finalistas das Mostras de 2002 e 2003. Eles tém tiragem reduzida destinada aos artis tas participantes (cada um recebe seis discos).

Durante o even to, Amarilton Oli veira Ferro mostra Teus Olhos, músi ca que abre o da Mostra de 2003 colocado da edição. Conforme Juncilene, o CD da Mostra de 2004 não será grava do-a premiação é na dinheiro,

Já o folder conta com repro duções de obras assinadas por 66 ortistas da cidade participan-stes da Mostra de 2004 nas mo dalidades artes plásticas, foto grafia e desenho de humor e quadrinhos (aigumas reprodans das nesta página). Os 1,5 mil exemplares serão distribuídos nos mesmos locais que os livros, Os artistas apresentaram na ex posição até très obras, mas no posição até très obras, mas no folder cada um e representado por uma.

Durante os lançamentos será anunciado que a Cia. de Danças de Diadema fará uma coreogra fia baseada no livro. Também há a ideia de utilizar músicas dos CDs como trilha sonora para esse trabalho.

Cordel na Cortez é nesta semana. Livraria faz oficinas de xilogravura e literatura

Melina Dias

Como insistência é parte fun damental no processo de in-clusão social por meio de cul tura, a Livraria Cortez volta a realizar o evento Cordel Na Cortez nesta semana. A quin ta edição ocorre na loja de São Paulo e na filial de Santo André.

A unidade andreense, insta lada no Centro de Negócios e Serviços Sacadura Cabral, é parte do projeto Sacadura Mais Igual. Na loja, morado-res da comunidade têm aces so a livros por meio de um sis tema de aluguel a R$ 1.

Para movimentar a livraria e divulgar o projeto uma pro gramação variada foi monta da. Amanhã, às 15h, o gravu rista Jerónimo Soares realiza oficina. Para participar é preci so pagar inscrição a R$ 20. O artista, com ateliê em Diade ma, é um dos legitimos repre-sentantes da xilogravura brasi leira, que tradicionalmente ilustra os livrinhos de cordel. Expôs na última Bienal de Gra vura Andreense ao lado de no-mes como Maria Bonomi.

E quem se interessar justa mente pela parte literária da publicação tipica do nordeste pode participar de oficina com Moreira de Acopiara, um mestre do assunto. Na quarta, às 10h, ele ministra a oficina Cordel, Aprenda a Fazer Fa-zendo (inscrição por R$ 10) Os alunos aprenderão a métri ca do poema e formatos como sextilha e soneto. O poeta tem vários livros publicados e é normalmente quem organiza a programação tradicional-mente freqüentada por estu dantes e pesquisadores do gê nero literário.

Na quinta (17), às 16h, a pa lestra A Literatura de Cordel Através dos Tempos pode ser assistida também mediante inscrição (R5 4). O assunto. volta a ser abordado por Va nessa Munhoz e Mariana Gal-vão em outro workshop, Do Coco no Cordel, na sexta (18), às 10h, (RS 15). Uma segun da oficina de xilogravura, des-ta vez com os gravadores Fran-corli e e José Lourenço, encer ta o Cordel na Cortez na sexta (19), às 10h. A participação custa R$ 20.

De acordo com Marcilio Ro drigues, subgerente da Livra ria Cortez, o encontro serve para aproximar a comunida de da livraria, além de promo ver a literatura de cordel e in centivar a leitura.

Haverá ainda exposições e vendas de cordéis, xilogravu ras e CDs de repentistas. As atividades acontecem na pró pria livraria, localizada na ave nida Prestes Maia, 3.350, no bairro Sacadura Cabral, em Santo André. Mais informa ções podem ser obtidas pelos telefones 4473-4030 ou 4991-8907 ou por e-mail santoandreranacertes.com.br

Cordel é tema de encontros em Santo André e São Paulo

Cordel ganha destaque no calendário de atividades literárias de agosto. A Livraria Cortez de São Paulo pro-move de 14 a 26 a quinta edição do Cordel na Cortez, série de encontros que mescla apresentações musicals, exposições e tra-balhos literários. Este ano, a programação paulistana, cuja integra está no endereço www.livrariacortez.com.br, ganhou versão regional. Trata-se do Cordel na Cortez em Santo André, que acontece na loja da livraria instalada na Unidade de Negócios Sacadura Mais Igual (Av. Prestes Maia, 3550, Sacadura Cabral), de 12 a 19 deste mês, com apoio da Prefeitura. Um sarau abre as atividades no dia 12 e terá as presenças dos gravadores Francorli, autor de Cozinhando, e José Lourenço, ambos de Juazeiro do Norte, no Ceará. Os dois participam também de oficinas no encer-ramento do evento. Outro convidado éo piauiense Plácido da Tamarutaca, repentista que é assim chamado por ser morador do Núcleo Habitacional Tamarutaca. Ao longo da semana de atrações, passam pela loja de Santo André outros nomes importantes no gênero, como a artista plástica e ilustradora Nereuda, o embo-ladeiro Mestre Bigode e o xilogravurista Jerônimo Soares. De acordo com Marcilio Rodrigues, sub-gerente da Livraria Cortez, os objetivos de criar uma versão do encontro para Santo André são aproximar a comunidade local das ações levadas a cabo pela livraria, bem como promover a literatura de cordel na região e incentivar a leitura deste e de outros estilos.

Rodrigues informa que a nova ação vem juntar-se a outra já desenvolvida pela filial da Cortez na cidade: o aluguel de livros a R$1, que permite que os volumes sejam retirados por até uma sernana. A cada dez locações, o cliente ganha R$10 de bônus para ser utilizado como desconto na compra de livros. "Também queremos dar visibilidade a nosso trabalho e ao projeto Sacadura Mais Igual", conta. A pro-gramação pode ser conferida no quadro ao lado e, embora esteja definida, Rodrigues diz que há a possibilidades

de abrir-se espaço a novos interessados. Basta ligar 3873-7111 e falar com o gerente Edmilson. Para mais informações e detalhes da programação, consulte o endereço eletrônico da livraria.

Programação:

Dia 12 sábado - 11h

Sarau de Abertura.

Dia 15 terça-feira - 15h

Oficina de Xilogravura com Jerônimo Soares. Inscrições a R$20. Vagas limitadas.

Dia 16 quarta-feira - 10h

Oficina Cordel, Aprenda a Fazer, Fazendo, com Moreira de Acopiara. Inscrições a R$10. Vagas limitadas.

Dia 17 quinta-feira - 16h

Palestra A Literatura de Cordel Através dos Tempos, com Marco Haurélio. Inscrições a R$4 (valor equivalente à compra de dois exemplares de literatura de cordel). Vagas limitadas.

Dia 18 sexta-feira 10h

Oficina Do Coco ao Cordel, com Vanessa Munhoz e Mariana Galvão. Inscrições a R$15. Vagas limitadas.

Dia 19 sábado - 10h

Oficinas de Xilogravura, com os gravadores Francorli e José Lourenço. Inscrições a R$20. Vagas limitadas.

6ª Mostra de Artes bate recorde de público

A cerimônia de encerramento e premiação da 6ª Mostra de Artes de Diadema aconteceu em 11 de agosto, quando foram divulga-dos os vencedores de mais uma edição do evento.

Mais de cinco mil pessoas pas-saram pelo Teatro Clara Nunes e pelo saguão do Centro Cultural Diadema durante a mostra, o maior público já registrado no evento desde a sua criação, em 1999, consolidando o evento como uma das referências cultu-rais da região, especialmente para os artistas que desejam va-lorizar e difundir seu trabalho.

Artes Plásticas

1º Jerónimo Soares

2°-Marcos Rocha

3°- Ligia Tsue Oki

Humor e Quadrinhos

1°- Paulo Ferrari Clemente

2° Wilian Ponciano Serra

3º Jéssica de Så Campos

Fotografia

1º Thiago Alves dos Santos

2º Rafael Guadelupe dos Reis

3º Ivanildo Alves Brasil

Poesia e Conto

1°-Hudson Reginaldo dos Santos

2° Gilberto Caetano Barboza

3º Luzia Ferreirta Fróis

Video

1° Allan dos Santos

2-Ana Paula Isai/Ademir Antunes

3°- Leandro Paz

Teatro

1°- Grupo Jovens Atores de Diadema

2° - Grupo PPPC

3°-Grupo de Teatro Orion

Dança

1º Cia Cury de Dança

2° Grupo Black White

3°- Grupo Independente

-Música

1º-Marcelo Góes

2°- Grupo Fuzion

3º Cancioneiros do Gueto

Mestre da xilogravura exibe sua arte em Diadema

Diário Regional - foto Ari Paleta

O Museu de Arte Popular (MAP) de Diadema é sede da exposição Caminho da Fé: Vias-sacras. O píblico poderá visitar gratuitamente a mostra até o día 30 deste més.

A exposição reunirá xilogravuras do primeiro artista popular reconhecido internacionalmente, o cearense Inocêncio da Costa, o Mestre Noza. do pernambucano Marcelo Soares, do também cearense José Lourenço, e de Jerónimo Soares, que atualmente mora em Diadema.

O evento conta ainda com a parceria das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica do município, que emprestaram algumas peças sobre via-sacra para a exposição, e da Secretaria de Assistência Social, por meio do Centro de Referência Promoção de Políticas Públicas para Igualdade Racial.

Atualmente, o MAP possui um acervo de 130 obras, entre pinturas, xilogravuras, peças de cerâmica, esculturas e objetos da cultura popular. Todos os meses uma parte desses objetos é trocada, para possibilitar a rotatividade das obras, expositores e Visitantes. Em março, por exemplo, em homenagem ao Dia da Mulher foi realizada a exposição A poética e o universo da mulher.

Serviço

Caminho da Fé: Vias-sacras. Museu de Arte Popular, rua Graciosa, 300, Centro. Informações pelo telefone 4051-5408. Até 30 deste mês, de terça a sexta-feira, das 14h às 20 horas, e aos sábados das 13h às 18 horas.

DIADEMA PARA O DIANID REGIONAL

Gente do Inamar conta suas histórias

Moradores falam dos primórdios do bairro que amanhã receberá ação social do 'Diário'

Thiago Krauss

C om 1,2 km² de área, o Jardim Inamar, na Zo na Sul de Diadema, é o bairro com menor extensão da cidade. Subdividido em lotea mentos no início dos anos 1960, apesar de pequeno, le vou um tempo considerável pa ra chegar ao que é hoje. Ama nhã, a comunidade do Inamar recebe a ação social Diário do Grande ABC nos Bairros.

Na época, sequer existia in-fra-estrutura básica. Porém, com o esforço dos moradores, tudo começou a mudar. O apo-sentado Daniel Dias dos San-tos, 73 anos, dos quais 42 mo-rando no Inamar, se lembra bem das dificuldades para se conseguir um cantinho de ter ra. Vindo do bairro de São João Climaco, na Capital, che gou ao bairro em 1965 e, para comprar um terreno de 140m², teve de dar todas as economias e parcelar o restan-te em 50 meses. "Naquela épo ca, em meio a muito mato e barro, só havia duas casas. E in-teressante ver como aqui cres-ceu e ainda está crescendo" diz Dias, espantado.

Por conta de um processo de desapropriação na conheci da Rua Vergueiro, em São Pau lo, nos anos 1960, ele e mui tos outros moradores daquela região escolheram o Jardim Inamar para fixar nova resi dência. "Com esta mudança repentina, o que se via por aqui era um monte de barra-cos por todos os lados. Uma loucura", recorda

Devido à expansão repenti na da região, as necessidades em relação à infra-estrutura logicamente aumentaram. Os moradores, então, se orga nizaram e formaram uma li-derança de aproximadamen te dez pessoas (incluindo Dias). Dessa maneira, ganha-ram em 1968 a primeira li-nha de ônibus.

Os coletivos da viação Dia-dema foram muito comemora dos pela comunidade que, aquela altura, começava a acreditar que o bairro poderia meshorar. Este coletivo era co-nhecido como 'poeirinha. Quando vinha, trazia junto um pó danado", relembra Da-niel Dias. E assim o bairro foi crecsendo. Entre os anos de 1970 e 1971, chegou a ilumi nação. Em 1984, a água pas-sou a ser encanada e só em 1989 chegou o asfalto.

O memorialista de Diade ma, membro do GIPEM (Gru-po Independente de Pesquisa-dores da Memória), Walter Adão Carreiro ressalta que es-ses primeiros moradores fo-ram "verdadeiros heróis", vis-to que, quando chegaram ao Inamar, faltava tudo. "Desde escolas até o menor botequim, sem falar que não havia água, esgoto nem feiras."

Outro morador conhecido do Inamar é José Odorico de Souza, 54 anos, pernambuca no que mantém viva a tradi ção da bireratura de cordel. Ele mora no bairro há 27 anos e criou um exemplar que conta a história do bairro, patrocina-do pela Prefeitura.

O Diário do Grande ABC nos Bairros é uma iniciativa do Diá-rio que conta com a parceria da Prefeitura, o apoio do Insti tuto Embelleze e o patrocínio da Universidade Metodista.

Diadema renova convênio com cidade francesa

Para continuar com a par ceria de sucesso entre Dia-dema e a cidade francesa de Montreuil, a prefeitura reno-vou por mais cinco anos o convênio que prevê a realiza-ção de projetos nas áreas de educação, social, segurança, entre outras. A troca de expe-riência entre os dois munici pios, que teve início em 2002, vem trazendo diversos bene-ficios à população, sendo que um em especial é o intercâm bio cultural de jovens, que concedeu a tres estudantes de Diadema uma bolsa de estu-dos para cursos de graduação e lingua francesa no país eu-ropeu em 2003.

Os selecionados, Reinaldo de Freitas, Simone de Araújo Amaral e Letícia Macedo, ga-nharam ainda alojamento, aju-da de custo e convênio médi co durante a estadia em Mon-treuil. "Essa experiência mu-dou a vida deles para sempre, pois se tratou de uma oportu nidade única", explica a co-ordenadora do programa mu-nicipal Ação Compartilhada e conselheira da parceria, Ana Lucia Sanches, ao confi-denciar que Simone provavel-mente não deve mais morar no Brasil, pois se casou com um francés, e que Letícia e Freitas devem retornar a Diadema no início de 2008.

Ana Lúcia ainda aponta algumas experiencias desen-volvidas em parceria entre as duas cidades. Recentemente, a equipe que trabalha no Ser viço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) viajou a Montreuil para explicar como funciona o serviço na cidade, e aprendeu algumas ativida-des do setor desenvolvidas na França. "Foi uma grande tro ca de experiência. O modelo francés inspirou em muitas coisas o Samu do município", destacou Ana Lúcia, ao re-lembrar que Diadema foi a primeira cidade da região a implantar o atendimento.

O município também rece-beu uma delegação do país europeu que conheceu pro-gramas voltados a jovens, como Centro de Referência da Juventude e Adolescente Aprendiz, além de estudar o funcionamento da lei que de termina o fechamento dos ba-res após as 23 horas. Mas o intercâmbio não foi unilateral, os guardas civis municipais (GCMs) também viajaram para Europa, onde participa ram de cursos de policiamen-to comunitário e outras quali-ficações profissionais.

KAREN MARCHETTI

DALIEKA PRADA KHAL

Sindicato presenteia a categoria homenageado Mestre Jerônimo

Mestre Jeronimo

Jerônimo Soares nasceu em Esperança, estado da Paraíba, em 24 de maio de 1935. Com o pai, o cordelista José Soares, conhecido naquela região como "O poeta repórter", iniciou a produção de xilogravuras.

Depois de muitas andanças pelo nordeste, há 40 anos veio para São Paulo, morando durante seis anos no bairro Serraria. Tocando sanfona em bares de São Paulo, produzindo xilogravuras e aprimorando cada vez mais a sua arte, Mestre Jerônimo conseguiu concretizar o sonho de ter seu próprio espaço e monta o seu ateliê e residência no bairro do Canhema.

Em 1977, em Salvador, Jorge Amado, reconhecendo o talento impar de Mestre Jerónimo escreveu:

"Jerónimo Soares é um dos mais notáveis gravadores populares do Brasil. Suas madeiras para capas de folhetos de cordel são de real beleza, poderosas e poéticas. Refletem a identidade do artista com a vida sofrida e a imaginação invencível do povo. Vindo do cordel, sendo ele próprio nascido em família de trovadores os álbuns que têm realizado ultimamente nos dão a medida do talento e da poesia de Jerônimo Soares e o situam em posição singular entre os gravadores ingênuos. Ingenuos? Talvez os mais sábios de todos: os mais brasileiros, certamente".

Mostra de artes completa sua 7ª edição

A 7ª Mostra de Artes de Diadema reuniu mais de 600 trabalhos de cerca de 350 artistas e contou até com Mostra Paralela

Entre os dias 6 de julho e 11 de agosto foi realizado o maior evento cultural da cidade: a 7" Mostra de Artes de Diaderna.

Foram reunidos mais de 600 trabalhos nas categorias de ar-tes plásticas, poesia e conto, dança, desenho de humor e quadrinhos, fotografia, mú-sica, teatro e vídeo. Este ano, o evento veio ainda com uma novidade: a Mostra Paralela, um caminhão palco onde ar-tistas da região puderam se apresentar.

No dia 17 de agosto, serão premiados os três melhores trabalhos expostos em cada categoria. O prêmio será de R$1.717 para os primeiros colo cados; R$1.335 para os segun-dos e de R$ 953 para os tercei-ros colocados. Os vencedores também receberão o Prêmio Plinio Marcos, em homena-gem ao dramaturgo brasilei-ro falecido em 1999. O evento será realizado no Centro Cul-tural Diadema (Rua Graciosa, 300), às 19h.

Artistas da cidade

De acordo com a secretária municipal de Cultura, Maria de Fátima Menezes, entre os principais objetivos da Mos-tra de Artes, que ocorre anu-almente, está a valorização, reconhecimento e difusão dos trabalhos dos artistas de todo o municipio. O evento também desperta o desejo do público em participar do mundo ar-tistico. "Ajuda a romper com a timidez e a perceber que a cidade oferece oficinas em vá rios centros culturais", explica a secretária.

A partir desse ano, a Mos-tra ganhará um Fórum de Dis-cussões, onde será debatido o aperfeiçoamento do evento.

"Os artistas e a população es tão convidados a participar", enfatiza Fátima.

O artista Jerónimo Soares, que desenvolve uma técnica única no Brasil, de xilogravura pontilhada com agulha, acredi-ta que a Mostra abre caminhos para todo mundo. "O artista tem sua divulgação e a popula ção passa a ter maior conheci-mento sobre arte". Soares, que já foi premiado no 7º Salão de Arte Contemporânea de São Paulo, expõe na Mostra de Artes de Diadema todos os anos.

Já a dona-de-casa Maria Lú-cia Pereira conta que antes da Mostra, não tinha o costume de ir a exposições de arte, "mas com o início do evento ficou mais fácil freqüentar e também começar a entender um pouco melhor esse universo"

Diadema inaugura Museu de Arte Popular

O espaço será o primeiro do gênero no ABCD e já reúne 398 obras. Localizado no Centro Cultural de Diadema, faz parte da Rede de Pontos Cultura do município

No dia 28 de outubro, Diadema ga-nhou um Museu de Arte Popular (MAP). Instalado no Centro Cultural Diadema, o MAP é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura, da Prefeitura e o Ministé-rio da Cultura, do Governo Federal. O espaço faz parte da Rede de Pontos Cultura do município.

O museu é o primeiro do gênero na região do ABCD. No momento, seu acervo conta com 398 obras. "Elas fo-ram adquiridas por meio de compra e doações de pesquisadores e estudiosos da Cultura Popular de todo o Brasil.

Nossa meta é chegar a mil obras em três anos", conta Ricardo Amadasi, coorde-nador técnico do MAP. Entre as obras destacam-se as pinturas de Waldomiro de Deus e as xilogravuras de Jerônimo Soares e de Valdeck de Garanhuns.

Arte educação

Além de exposições, será possível desenvolver no espaço trabalhos com professores e arte-educadores, promo-ver visitas monitoradas e cursos sobre cultura e arte popular. Também serão oferecidas oficinas culturais com tra-balhos de criação e desenvolvimento artistico e seminários com professores da Unesp.

"Não é apenas um museu, é um trabalho de ação educativa. Vamos ar-ticular escolas municipais e particulares para as visitas monitoradas, bem como a preparação dos professores de arte", acrescenta Amadasi.

Acervo conta com 398 obras de artistas do todo o Brasil

Museu de Arte Popular (MAP)

Centro Cultural Diadema - Piso superior.

Rua Graciosa, 300-Centro Tel: 4056-3366.

Funcionamento: 3ª a 6ª, das 14h às 20h

Sábados das 13h às 18h.

História de amor pela arte e por Diadema

Os dois artistas, a fotógrafa Andréia Al-cântara e o xilogra-vurista Jerônimo Fran-cisco Soares, que estão com suas obras expos-tas em Montreuil, na França, têm uma histó ria de amor e dedica-ção pela arte.

Jerônimo Francisco Soares nasceu em Es-peranças (PB), mas mora em Diadema há mais de 35 anos. Começou a produzir xilogravura aos 12 anos, para ilus-trar os cordéis do pai, José Soares, na década de 30. "Sempre fiz ex-posição na Praça da República, em São Paulo, e foi daquele espaço que consegui tirar o meu sustento. Amo a arte e tenho orgulho de saber que posso me sustentar dela."

Soares ressalta que nas ruas da Capital conheceu muitos turistas que compraram suas obras e divul-garam em diversos países. Como resultado, suas xilogravuras já fo-ram comercializadas e publicadas em livros na Suíça, França, Ingla-terra, Estados Unidos e Japão.

Já Andréia Alcântara nasceu em Campos do Jordão (SP), mas mora desde os 6 anos em Diadema. Desde 2001 realiza ensaios foto-gráficos explorando o caráter abs-trato e dando aula de artes plásti-cas nas oficinas culturais da cida-de. "É a primeira vez que viajo para fora do Brasil e fico ainda mais fe-liz porque vou para França, um lugar que é o berço dos melhores artistas do mundo. Tem coisa me-lhor do que isso?" (KM)

Diademenses participam de Mostra na França

Dois munícipes irão divulgar seus trabalhos em uma das mais tradicionais exposições de Montreuil

KAREN MARCHETTI

PARA O DIADEMA KINAL

N a última semana, dois artistas plásticos de Diadema, a fotógrafa Andréia Alcântara e o xilo-gravurista Jeronimo Francisco Soares, embarcaram para a ci-dade de Montreuil, na França, a fim de participar da Expo-sição de Primavera.

O intercâmbio só foi pos-sível, porque em novembro de 2007, a Prefeitura de Diadema renovou por mais cinco anos o convênio assinado com a ci-dade francesa em 2002.

A mostra de artes é um evento tradicional do muni-cípio francês e a cada edi-ção expõe criações de artis-tas estrangeiros com as quais tem parceria, como é o caso de Diadema.

Os municipes retornam ao Brasil no próximo dia 6. mas seus trabalhos ficam ex-postos até setembro. Além de participar da mostra, a fo-tógrafa e o xilogravurista conhecerão museus e troca-rão experiências com auto-ridades e artistas franceses.

Segundo a administração, a ida de Soares e Andreia à Fran-ça é resultado de seleção coor-denada pelo Departamento de Relações Externas da prefeitu ra, em parceria com a Secreta-ria de Cultura.

Os dois artistas seleciona-dos, que concorreram com outros oito, levaram para os franceses apreciarem duas obras cada um. Soares irá ex-por as xilogravuras Vida de Favela e Quero ver minha mde; e Andreia as fotos Rup-tura e Interferência.

A administração relem bra que a passagem, hospe-dagem e estadia dos dois moradores da cidade são custeadas pela Prefeitura de Montreuil.

História de amor pela arte e por Diadema

Os dois artistas, a foto-grafa Andréia Alcântara e o xilogravurista Jeronimo Francisco Soares, que es-tão com suas obras expos-tas em Montreuil, na Fran-ça, têm uma história de amor e dedicação pela arte.

Jerônimo Francisco Soa-res nasceu em Esperanças (PB), mas mora em Diadema há mais de 35 anos. Come çou a produzir xilogravura aos 12 anos, para ilustrar os cordéis do pai, José Soares, na década de 30. "Sempre fiz exposição na Praça da Repú blica, em São Paulo, e foi da-quele espaço que consegui turar o meu sustento. Amo a arte e tenho orgulho de saber que posso me sustentar dela."

Soares ressalta que nas ruas da Capital conheceu muitos turistas que compra-ram suas obras e divulgaram em diversos países. Como resultado, suas xilogravuras já foram comercializadas e publicadas em livros na Sui ça, França, Inglaterra, Estados Unidos e Japão.

Já Andréia Alcântara nas-ceu em Campos do Jordão (SP), mas mora desde os 6 anos em Diadema. Desde 2001 realiza ensaios foto-gráficos explorando o cará ter abstrato e dando aula de artes plásticas nas oficinas culturais da cidade. "É a pri-meira vez que viajo para fora do Brasil e fico ainda mais feliz porque vou para França, um lugar que é o berço dos melhores artistas do mundo. Tem coisa me-lhor do que isso?" (KM)

Caminho da Fé: Vias-sacras

Na última quinta-feira (03), o Museu de Arte Popular (MAP) de Diadema abriu a exposição Caminho da Fé: Vias-sacras. A mostra, que permanecerá aberta ao público até dia 30 deste més, reúne xilogravuras do primeiro artísta popular reconhecido internacionalmente, o cearense Inocêncio da Costa, do pernambucano Marcelo Soares, do também cearense José Lourenço e do mestre Jerónimo Soares, que atualmente reside em Diadema.

Mestres da Xilogravura exibem sua arte em Diadema

Diário Regional. Caderno Cultura e Lazer. B-6

O Museu de Arte Popular (MAP) de Diadema é sede da exposição Caminho da Fé: Vias-sacras. O píblico poderá visitar gratuitamente a mostra até o dia 30 deste mês.

A exposição reunirá

xilogravuras do primeiro artista popular reconhecido internacionalmente, o cearense Inocêncio da Costa, o Mestre Noza, do pernambucano Marcelo Soares, do também cearense José Lourenço, e de Jerónimo Soares, que atualmente mora em Diadema.

O evento conta ainda com a parceria das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica do município, que emprestaram algumas peças sobre via-sacra para a exposição, e da Secretaria de Assistência Social, por meio do Centro de Referência Promoção de Políticas Públicas para Igualdade Racial.

Atualmente, o MAP possui um acervo de 130 obras, entre pinturas, xilogravuras, peças de cerâmica, esculturas e objetos da cultura popular. Todos os meses uma parte desses objetos é trocada, para possibilitar a rotatividade das obras, expositores e visitantes. Em março, por exemplo, em homenagem ao Dia da Mulher foi realizada a exposição A poética e o universo da mulher.

Serviço

Caminho

da Fé: Vias-sacras. Museu de Arte Popular, rua Graciosa, 300.. Centro. Informações pelo telefone 4051-5408. Até 30 deste mês, de terça a sexta-feira, das 14h às 20 horas, e aos sábados das 13h às 18 horas.

DIADEMA

PARA O DIARIO REGIONAL

Encontro de CULTURAS POPULARES TRADICIONAIS

em São Bernardo do Campo

De 12 a 24 de agosto de 2008

Todas as atividades são gratuitas

PREFEITURA CO MUNICIPIO DE SACHERNARDO DO CAMPO

Ciclo de palestras e delates

Local: Serviço de Memória e Acervo (antiga Emeb Santa Terezinha)

Informações e inscrições para palestras: 4336 8235, ramais 8237 e 8241 ou pelo e-mail palestrasedebates@gmail.com.

Serão fornecidos certificados

Dia 18/08 (seg), às 20h:

Mesa de debates

"OS SIGNIFICADOS DA CULTURA POPULAR HOJE"

Nesta mesa serão discutidos os parâmetros, limites e possibilidades da aplicação do conceito "cultura popular como campo autónomo e pólo opositivo a uma cultura dita erudita ou de massa. Nela, o participante será levado, através das atuals discussões acadêmicas sobre o assunto, a refletir sobre os processos de ressignificação material e simbólica sofridas pelas tradições populares, em especial as de cunho artistico, no atual confexto social globalizado e cultural midiatizado. Para tanto, acontecerão as seguintes comunicações:

Já não se fazem tradições como antigamente... O "popular", ontem e hoje, com a Prof Dr Maria Lúcia Montes [FFLCH USP]

A comunicação pretende discutir as ambivalencias que desde sua origem marcam o "popular", compreendido sob a égide do "folclore". Entendidas pela perspectiva da dinâmica cultural e das relações de poder na sociedade, as culturas tradicionais e populares sempre mantiveram um diálogo desigual com a "alta cultura" e a "cultura de massa, porém numa via de duas mãos, comportando reapropriações e ressignificações. Os exemplos das Folias de Reis de São Bernardo do Campo e do "maior São João do mundo de Campina Grande servirão para ilustrar esse diálogo.

Maria Lúcia Montes é graduada em Filosofia pela Universidade de São Paulo, com mestrado em Sociologia pela University of Essex e doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia das Populações Afro-Brasileiras. Nos últimos anos, a professora tem se dedicado ao estudo conceitual-teórico da cultura popular e de algumas de suas representações. Sociabilidade juvenil e práticas tradicionais na cidade de São Paulo, com a Prof Dr Maria Celeste Mira [PUC SP] O objetivo da comunicação é expor parte dos resultados da pesquisa desenvolvida durante o ano de 2007 por uma equipe coordenada pela professora na PUC/SP. A investigação mapeou aproximadamente 20 grupos envolvidos com pesquisa e recriação de culturas populares tradicionais na cidade de São Paulo em sua relação com a sociabilidade jovem, uma vez que partiu da hipótese de que estes agrupamentos, mais ou menos institucionalizados, seriam formados, sobretudo, por pessoas desta faixa etária, o que a pesquisa confirmou apenas em parte. Procurando fornecer dados úteis também para a construção de politicas públicas nas áreas de cultura, lazer e juventude, a pesquisa fez um levantamento das características mais importantes do trabalho desses grupos: onde se localizam, de que recursos dispõem, com que expressões trabalham, desde quando, o perfil de seus membros e os possíveis motivos de seu interesse por práticas de origem tradicional. Desta maneira, pretende-se contribuir para a compreensão dos novos significados da cultura popular hoje.

Maria Celeste Mira é graduada em Direito pela USP e em Ciências Sociais pela PUC-SP, possui doutorado pela Unicamp e pós-doutorado pela Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales, EHESS, França. Atualmente é professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP, onde desenvolve o projeto "Sociabilidade juvenil e práticas culturais tradicionais na cidade de São Paulo".

Mesa de Debates

"CULTURA POPULAR NA ERA DA GLOBALIZAÇÃO"

O objetivo desta mesa é discutir o processo de reelaboração simbólica e material por que passam alguns aspectos da cultura tradicional trazida por migrantes e imigrantes durante sua inserção no interior da "sociedade hospedeira". Neste sentido, dentro de uma perspectiva histórico-antropólogica, o foco das discussões recairá sobre os múltiplos significados assumidos pela cultura popular tradicional praticada por grupos ditos "folclóricos e/ou parafolclóricos de imigrantes, migrantes e seus descendentes na região do Grande ABC. Contribuindo para as discussões, foram chamados os seguintes convidados:

A cultura popular em movimento: migrantes e imigrantes em São Paulo, com Simone Toji [IPHAN]

Diante dos deslocamentos humanos, daqueles que transitam dentro de seu próprio pais e daqueles que transitam por outros paises, a cultura popular tem se evidenciado como locus da ressignificação de pertencimentos, imagens do que seja o nacional e/ou o estrangeiro. Em São Paulo, megalópole urbana e cosmopolita, a cultura popular se toma um dos elementos pelos quais grupos e indivíduos afirmam e reelaboram identidades, imagens ou reflexos. Será discutido o caso do Bom Retiro, bairro situado na área central da cidade de São Paulo e lugar que abriga sentidos para os mais variados grupos migrantes e imigrantes.

Simone Toji possui graduação em Ciências Sociais pela

Universidade de São Paulo e mestrado em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, estudando principalmente os temas ligados à antropologia urbana, cultura popular e festa. Toji é autora do trabalho "Breve história do comércio no Bom Retiro: imigração e culturas em movimento".

Cultura popular: Abaçaí Cultura e Arte e Revelando São Paulo, com Toninho Macedo [Revelando São Paulo]

A palestra terá como base a sua trajetória de trinta e cinco anos na direção do grupo Abaçaí Cultura e Arte, e a experiência de doze anos como diretor artistico do Revelando São Paulo.

Toninho Macedo, doutor em Ciências da Comunicação pela ECA USP, é diretor artistico do Revelando São Paulo e fundador do Grupo Abaçal Cultura e Arte, uma ONG que desde 1973, desenvolve programas de formação, produção artística e ação cultural, servindo-se do Folclore/Cultura Popular como fonte de inspiração para criações em diversos campos artísticos.

Apresentações artísticas ..

Exposição

Arte Popular no Acervo da Pinacoteca

Local: Câmara de Cultura Antonino Assumpção

Exposição que mostra um pouco da arte popular presento no acervo dia Pinacoteca de São Bernardo do Campo, com obras de Climena Cardena Darcio Luna. Edsen Lima vonads, Jeronimo Soares, João Cândido da Siva, José Antonio da Silva, Rinaldo de Santi, Toles, Waldomsro de Deus, Zica Bergam

Abertura: 12 de agosto de 2008, ás 20h Vicitação at 30 de agosto de segunda, das in as 19h, terça a soxta, das 9h às 21h

Encontro de CULTURAS POPULARES TRADICIONAIS

em São Bernardo do Campo

De 12 a 24 de agosto de 2008

Todas as atividades são gratuitas

PREFEITURA CO MUNICIPIO DE SACHERNARDO DO CAMPO

Ciclo de palestras e delates

Local: Serviço de Memória e Acervo (antiga Emeb Santa Terezinha)

Informações e inscrições para palestras: 4336 8235, ramais 8237 e 8241 ou pelo e-mail palestrasedebates@gmail.com.

Serão fornecidos certificados

Dia 18/08 (seg), às 20h:

Mesa de debates

"OS SIGNIFICADOS DA CULTURA POPULAR HOJE"

Nesta mesa serão discutidos os parâmetros, limites e possibilidades da aplicação do conceito "cultura popular como campo autónomo e pólo opositivo a uma cultura dita erudita ou de massa. Nela, o participante será levado, através das atuals discussões acadêmicas sobre o assunto, a refletir sobre os processos de ressignificação material e simbólica sofridas pelas tradições populares, em especial as de cunho artistico, no atual confexto social globalizado e cultural midiatizado. Para tanto, acontecerão as seguintes comunicações:

Já não se fazem tradições como antigamente... O "popular", ontem e hoje, com a Prof Dr Maria Lúcia Montes [FFLCH USP]

A comunicação pretende discutir as ambivalencias que desde sua origem marcam o "popular", compreendido sob a égide do "folclore". Entendidas pela perspectiva da dinâmica cultural e das relações de poder na sociedade, as culturas tradicionais e populares sempre mantiveram um diálogo desigual com a "alta cultura" e a "cultura de massa, porém numa via de duas mãos, comportando reapropriações e ressignificações. Os exemplos das Folias de Reis de São Bernardo do Campo e do "maior São João do mundo de Campina Grande servirão para ilustrar esse diálogo.

Maria Lúcia Montes é graduada em Filosofia pela Universidade de São Paulo, com mestrado em Sociologia pela University of Essex e doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia das Populações Afro-Brasileiras. Nos últimos anos, a professora tem se dedicado ao estudo conceitual-teórico da cultura popular e de algumas de suas representações. Sociabilidade juvenil e práticas tradicionais na cidade de São Paulo, com a Prof Dr Maria Celeste Mira [PUC SP] O objetivo da comunicação é expor parte dos resultados da pesquisa desenvolvida durante o ano de 2007 por uma equipe coordenada pela professora na PUC/SP. A investigação mapeou aproximadamente 20 grupos envolvidos com pesquisa e recriação de culturas populares tradicionais na cidade de São Paulo em sua relação com a sociabilidade jovem, uma vez que partiu da hipótese de que estes agrupamentos, mais ou menos institucionalizados, seriam formados, sobretudo, por pessoas desta faixa etária, o que a pesquisa confirmou apenas em parte. Procurando fornecer dados úteis também para a construção de politicas públicas nas áreas de cultura, lazer e juventude, a pesquisa fez um levantamento das características mais importantes do trabalho desses grupos: onde se localizam, de que recursos dispõem, com que expressões trabalham, desde quando, o perfil de seus membros e os possíveis motivos de seu interesse por práticas de origem tradicional. Desta maneira, pretende-se contribuir para a compreensão dos novos significados da cultura popular hoje.

Maria Celeste Mira é graduada em Direito pela USP e em Ciências Sociais pela PUC-SP, possui doutorado pela Unicamp e pós-doutorado pela Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales, EHESS, França. Atualmente é professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP, onde desenvolve o projeto "Sociabilidade juvenil e práticas culturais tradicionais na cidade de São Paulo".

Mesa de Debates

"CULTURA POPULAR NA ERA DA GLOBALIZAÇÃO"

O objetivo desta mesa é discutir o processo de reelaboração simbólica e material por que passam alguns aspectos da cultura tradicional trazida por migrantes e imigrantes durante sua inserção no interior da "sociedade hospedeira". Neste sentido, dentro de uma perspectiva histórico-antropólogica, o foco das discussões recairá sobre os múltiplos significados assumidos pela cultura popular tradicional praticada por grupos ditos "folclóricos e/ou parafolclóricos de imigrantes, migrantes e seus descendentes na região do Grande ABC. Contribuindo para as discussões, foram chamados os seguintes convidados:

A cultura popular em movimento: migrantes e imigrantes em São Paulo, com Simone Toji [IPHAN]

Diante dos deslocamentos humanos, daqueles que transitam dentro de seu próprio pais e daqueles que transitam por outros paises, a cultura popular tem se evidenciado como locus da ressignificação de pertencimentos, imagens do que seja o nacional e/ou o estrangeiro. Em São Paulo, megalópole urbana e cosmopolita, a cultura popular se toma um dos elementos pelos quais grupos e indivíduos afirmam e reelaboram identidades, imagens ou reflexos. Será discutido o caso do Bom Retiro, bairro situado na área central da cidade de São Paulo e lugar que abriga sentidos para os mais variados grupos migrantes e imigrantes.

Simone Toji possui graduação em Ciências Sociais pela

Universidade de São Paulo e mestrado em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, estudando principalmente os temas ligados à antropologia urbana, cultura popular e festa. Toji é autora do trabalho "Breve história do comércio no Bom Retiro: imigração e culturas em movimento".

Cultura popular: Abaçaí Cultura e Arte e Revelando São Paulo, com Toninho Macedo [Revelando São Paulo]

A palestra terá como base a sua trajetória de trinta e cinco anos na direção do grupo Abaçaí Cultura e Arte, e a experiência de doze anos como diretor artistico do Revelando São Paulo.

Toninho Macedo, doutor em Ciências da Comunicação pela ECA USP, é diretor artistico do Revelando São Paulo e fundador do Grupo Abaçal Cultura e Arte, uma ONG que desde 1973, desenvolve programas de formação, produção artística e ação cultural, servindo-se do Folclore/Cultura Popular como fonte de inspiração para criações em diversos campos artísticos.

Apresentações artísticas ..

Exposição

Arte Popular no Acervo da Pinacoteca

Local: Câmara de Cultura Antonino Assumpção

Exposição que mostra um pouco da arte popular presento no acervo dia Pinacoteca de São Bernardo do Campo, com obras de Climena Cardena Darcio Luna. Edsen Lima vonads, Jeronimo Soares, João Cândido da Siva, José Antonio da Silva, Rinaldo de Santi, Toles, Waldomsro de Deus, Zica Bergam

Abertura: 12 de agosto de 2008, ás 20h Vicitação at 30 de agosto de segunda, das in as 19h, terça a soxta, das 9h às 21h

Museu de Arte Popular (MAP)

Museu valoriza a Arte Popular

MARCOS LU

O MAP, que existe desde 2007 e fica no Centro Cultural Diadema, tem um acervo com cerca de 400 obras.

Jerônimo Soares é um dos artistas locais que tem seu trabalho exposto no museu. "É muito importante ter um lugar como esse, pois a população consegue ter acesso a cultura e a história da cidade".

Terça a sexta das 13h às 18h.

Rua Graciosa, 300 - Centro.

Tel.: 4051 5408.

Linha do Tempo Geral

Linha do Tempo Geral

Década de 1970

Chegada a São Paulo, atuação na Praça da República, feiras nordestinas, diálogo com o cordel, campanhas sindicais e primeiras inserções institucionais estruturam este período.

Década de 1980

fortalecimento da identidade autoral e maior presença em exposições e eventos culturais.

Década de 1990

A de Jeronimo trajetória passa a ser reconhecida como referência na produção de xilogravura vinculada à tradição do cordel.

Década de 2000

 A produção do artista se mantém ativa e vinculada às raízes culturais, dialogando com novos espaços e públicos.

Década de 2010

A obra de Jeronimo passa a ser compreendida como parte da memória cultural e da permanência da xilogravura popular no cenário contemporâneo.

Década de 2020

Sua produção de xilogravuras permanecem como linguagem viva, reafirmando sua presença no debate cultural atual.

Projeto

Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares

Realização

Recursos para a realização desse projeto: PNAB – Política Nacional Aldir Blanc — Ministério da Cultura, Governo Federal. Município de Diadema (2025)