Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares

Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares

Década de 2010

Década de 2010

2010

Sesc São Caetano recebe os “mestres da Gravura”

Obras de 13 artistas brasileiros representantes da xilogravura que integram o acervo do Museu de Arte Popular de Diadema ficam expostas até 30 de abril

LIORA MINDRISZ

A técnica da xilogravura ficou conhecida por ilustrar os livros de cordel, típicos da região Nordeste. Hoje ela é reconhecida por ser uma arte independente e característica do nosso País. Para conhecer um pouco mais dos artistas plásticos que popularizaram a xilogravura, o Sesc São Caetano abriga até o final de abril a mostra "Mestres da Gravura". Integrando o projeto "Série Acervos", as 32 obras expostas são de 13 artistas brasileiros e fazem parte do acervo do MAP (Museu de Arte Popular de Diadema).

O artista plástico Ricardo Amadasi, coordenador técnico e artístico do MAP e curador da exposição, conta que já conhecia os artistas de xilogravura, mas que fez uma viagem para Pernambuco e Ceará, onde eles estão em sua maioria. "Fui para lá fazer o contato e voltei com 300 obras para o acervo do MAP", comemorou. Parte desse acervo é itinerante e, por esse motivo, o convite do Sesc, está agora em São Caetano.

"Dentro da arte popular, a xilogravura é uma das manifestações mais singulares e de maior qualidade que aconteceram no Brasil. Entre nós, o início foi ilustrando capas de cordel. Depois os trabalhos foram se aprimorando e a xilogravura tornou-se uma arte autônoma", conta o curador, que se diz apaixonado pela técnica. O xilogravurista mais conhecido é o pernambucano J. Borges, que também é autor de cordéis.

No caso de Jerônimo Francisco Soares, paraibano morador de Diadema, a arte foi trazida na mala. "Comecei com 12 anos lá em Esperança (PB) e depois que vim para Diadema. Já são 58 anos de xilogravura, sempre trabalhei com isso", disse. O artista plástico tem sete obras expostas na mostra do Sesc e, com Valdeck de Garanhuns, de Paranapiacaba, representa os artistas da Região.

Nesse tempo, Jerônimo produziu o suficiente para ter 25 obras no acervo do MAP, 25 na Pinacoteca de São Bernardo, 20 no Quarteirão da Saúde de Diadema, isso só no ABCD. "Minha inspiração é o Nordeste. Vou sempre para lá e quando volto faço muitos trabalhos novos."

Serviço

A exposição "Mestres da Gravura" fica no Sesc São Caetano até 30 de abril e tem visitação gratuita de segunda a sexta, das 9h15 às 21h, e aos sábados, das 10h às 17h.

O Sesc fica na rua Piauí, 554, Bairro Santa Paula. Informações: 4223-8800.

Mestre Jeronimo Soares “costura” xilogravuras com dedicação e arte

Morador de Diadema há mais de 30 anos, artista começou ilustrando poesia de cordel

Luís Felipe Soares

A arte da xilogravura se mantém viva na região graças à criatividade do paraibano Jerônimo Soares. Vivendo há mais de 30 anos no Jardim Canhema, em Diadema, ele é um dos maiores nomes do gênero em todo o mundo e continua a encantar a todos com as imagens que talha manualmente nas madeiras, "Adoro o que faço. Não tenho do que reclamar. Tem sempre uma exposição ou alguém pedindo o meu trabalho", conta. Mestre Jerônimo aprendeu o oficio aos 12 anos, quando visitava o pai, o cordelista José Soares, em Recife (PE). Ele apresentou a arte ao filho, que começou a fazer suas primeiras ilustrações nos folhetos que continham os poemas de cordel.

Dali em diante, seu talento não parou de crescer. Mais adulto, veio para São Paulo e ficou por 15 anos expondo suas obras na Praça da República, centro da Capital. "Assim que deixei o Nordeste, comecei a apresentar o meu trabalho. Muita gente vinha me procurar ali", lembra-se.

O artista desenvolveu seu próprio meio de criar: Em 1978, inventou uma agulha especial feita de aço com a qual 'costura' a madeira para dar origem aos mais variados personagens e paisagens. Segundo ele, a ideia foi uma inspiração e o ajuda no fato de poder escolher entre os diferentes tons possíveis necessários.

O estilo lhe ajudou a consolidar a carreira artística. "É uma técnica que facilita muito o trabalho e já é minha marca. Não tem quem não goste", afirma Jerónimo, contando que é possível encontrar suas obras em Portugal, Estados Unidos, Japão, Canadá e Paraguai.

O trabalho com a xilogravura se tornou uma tradição familiar. Seu irmão Marcelo, o filho Anderson - mais conheci do como Nino e o neto Wesley, de apenas 11 anos, também mostram talento com a madeira. "É bacana ter uma cultura que seja só da família. Acaba deixando algo para todos", comenta o mestre.

Atualmente, seu trabalho pode visto na mostra Operários da Arte: O Oficio de Artista Plástico, em cartaz desde o início do mês no Museu de Arte Popular de Diadema (Rua Graciosa, 300). A exposição gratuita traz as ilustrações de Jerônimo que fazem parte do livro. Ο Menino Lula, do jornalista Audálio Dantas. Os interessados têm até domingo para conferir de perto o trabalho do xilogravurista e de outros artistas.

Clima Junino inspira a Arte Popular

É a tradição que ainda motiva os artistas

Thiago Mariano

Festa junina não é só xote, xaxado, baião, milho, bandeirinhas, fogueira e quadrilha. É tudo isso e um pouco mais.

O período que é o dos mais famosos e tradicionais do País, além de ser o mais extensivo no uso das expressões do povo brasi leiro, ultrapassa as fronteiras de junho e segue inspi-rando a criação dos artistas da cultura popular.

Religião, música, culinária, tudo se congrega à tradi-ção e ao festejo. Nascida como festa joanina, em homenagem a São João, a celebração foi trazida pelos portugueses, com a colonização. Logo foi adquirindo tons regionais e cercando-se de crenças, motivos populares e cores que se tornaram uma grandiosa teia, cada vez mais rica culturalmente.

"Hoje é tudo mais sofistica-do. Quando eu era menino, lá no Nordeste, o que a gente mais curtia eram as foguei ras, quadrilhas, ainda tradicionais, os balões e as comidas típicas", conta o cordelis-ta cearense radicado em Dia-dema, Moreira de Acopiara.

Em sua arte há o reflexo de todos esses momentos. Tradição, fé e Nordeste. "A cultura popular é muito presente na vida de qualquer artista brasileiro, porque é o que compõe a vida e o dia da maior parte dos brasileiros", completa o poeta popular, que compôs versos especiais para esta reportagem (ver abaixo).

O paraibano mestre xilo-gravurista Jerônimo Soares, morador de Diadema, faz coro com Acopiara ao declarar que a festa junina nordesti na não é igual à paulista. "Aqui é quermesse, não dura tantos dias ininterruptos nem leva uma massa gigan-tesca com os mesmos pensa-mentos, a vontade de se di-vertir, dançar forró e celebrar São João", opina.

Leandro de Abreu, da Orquestra de Viola de São Bernardo, nascido na região e descendente de mineiros com paulistas, fala sobre as festas que viveu: "Aqui é o frio, o quentão... a viola no lugar da sanfona."

Para os dois artistas, o re-flexo das manifestações típi-cas é diferenciado. Para Jerô nimo, imageticamente, a -ocasião representa uma das suas maiores fontes de inspi-ração. "Trabalho com isso, cores, gente do povo, de fé", conta Soares.

Já Abreu diz que não se pontua muito pelas festas juninas, mas que elas permanecem pelo ano todo: "O ano todo nos tocamos música de festa junina".

 

MOSTRAS POPULARES

No Grande ABC são duas as ocasiões para conferir de per-to as mais puras expressões de arte popular. Uma delas é a ex-posição Diálogos na Ponta da Agulha, no Museu de Arte Po-pular de Diadema (Rua Graciosa, 300. Tel.: 4056-3366), que já está aberta.

Outra é em São Bernardo, a partir do dia 19, com a abertura da Mostra de Cultura Popular, com a participa-ção de grupos como Companhia de Moçambique Famí-lia Feliciano, Folia de Reis Es-trela Guia, Folia de Reis Alto do Baeta Neves, Sociedade Cultural e Recreativa da Ala-meda Glória e Orquestra de Viola Caipira.

Mestre Jerônimo

Maria Belmoral

Há 72 anos ele nasceu na Paraíba Descobriu que em sua vida só havia uma saída Com 12, começou a exercer a profissão Que era, sem dúvida, seguir seu coração.

O pai era poeta, contador de história de cordel Sabia que o filho não seria barbeiro, nem doutor ou coronel Ele ainda era um menino, mas a arte já estava em suas mãos Sabia apenas que na planície de madeira podia talhar uns vãos.

E nos vãos passava tinta, depois prensava no papel Foi então que a Paraíba ficou pequena, do tamanho de um anel Pois dali saia uma gravura, duas gravuras, quantas quisesse Ganhou a estrada e parou em Diadema, sem esquecer do Nordeste

De Diadema para o mundo, suas gravuras ganharam fama O segredo dele? Basta fazer o que ama Até Jorge Amado dizia que naquela arte ele era o melhor. Ele passa os dias talhando a madeira, até no detalhe menor

Nas gravuras ele conta a história do seu povo.

Lá ele busca inspiração, busca o novo

O querido Nordeste está sempre presente

Recorda as lembranças que nunca saíram da mente

Também tocou sanfona, até de Luiz Gonzaga foi parceiro

Na vida dele sempre foi assim: a arte vem sempre primeiro Mas também em primeiro vem os filhos, a família, a mulher

E a todos em casa ele sempre disse: cada um faz o que quer

Mesmo assim o filho e o neto já seguem o mesmo ofício

Na casa dele todo mundo talha a madeira e ninguém acha difícil Naquela casa em Diadema, a arte escorre pela porta, pela janela

E o homem da Paraíba garante que nunca faltou comida na panela

Hoje quase o mundo todo já conhece a sua gravura

Tem trabalhos no Japão, na Itália, na França, daqui a pouco até em Singapura

O menino da Paraíba teve, enfim, seu reconhecimento

No Museu de Arte Popular de Diadema, ele é o artista do momento

Mestre Jerônimo, a poética fantástica na xilogravura

Jerônimo Soares, esse sim é seu nome na forma pura

O mais notável gravador popular do Brasil

Pois jogue os cabelos nas costas e corra pra Diadema quem ainda não o viu.

Jeronimo Soares "costura" xilogravuras com dedicação

Luís Felipe Soares

A arte da xilogravura se mantém viva na região graças à criatividade do paraibano Jerônimo Soares. Vivendo há mais de 30 anos no Jardim Canhema, em Diadema, ele é um dos maiores nomes do gênero em todo o mundo e continua a encantar a todos com as imagens que talha manualmente nas madeiras. "Adoro o que faço. Não tenho do que reclamar. Tem sempre uma exposição ou alguém pedindo o meu trabalho", conta.

Mestre Jerônimo aprendeu o ofício aos 12 anos, quando visitava o pai, o cordelista José Soares, em Recife (PE). Ele apresentou a arte ao filho, que começou a fazer suas primeiras ilustrações nos folhetos que continham os poemas de cordel.

Dali em diante, seu talento não parou de crescer. Mais adulto, veio para São Paulo e ficou por 15 anos expondo suas obras na Praça da República, centro da Capital. "Assim que deixei o Nordeste, comecei a apresentar o meu trabalho. Muita gente vinha me procurar ali", lembra-se.

O artista desenvolveu seu próprio meio de criar: Em 1978, inventou uma agulha especial feita de aço com a qual ‘costura' a madeira para dar origem aos mais variados personagens e paisagens. Segundo ele, a ideia foi uma inspiração e o ajuda no fato de poder escolher entre os diferentes tons possíveis necessários.

O estilo lhe ajudou a consolidar a carreira artística. "É uma técnica que facilita muito o trabalho e já é minha marca. Não tem quem não goste", afirma Jerônimo, contando que é possível encontrar suas obras em Portugal, Estados Unidos, Japão, Canadá e Paraguai.

O trabalho com a xilogravura se tornou uma tradição familiar. Seu irmão Marcelo, o filho Anderson - mais conhecido como Nino - e o neto Wesley, de apenas 11 anos, também mostram talento com a madeira. "É bacana ter uma cultura que seja só da família. Acaba deixando algo para todos", comenta o mestre.

Atualmente, seu trabalho pode visto na mostra Operários da Arte: O Ofício de Artista Plástico, em cartaz desde o início do mês no Museu de Arte Popular de Diadema (Rua Graciosa, 300). A exposição gratuita traz as ilustrações de Jerônimo que fazem parte do livro O Menino Lula, do jornalista Audálio Dantas. Os interessados têm até domingo para conferir de perto o trabalho do xilogravurista e de outros artistas.

Jeronimo Soares, um artista brasileiro (2010)

Autor:

Silva, Dilma de Melo

Autor USP: SILVA, DILMA DE MELO - ECA

Unidade: ECA

Subjects: XILOGRAVURA; GRAVURA; FOLHETOS DE CORDEL; CULTURA POPULAR; LITERATURA DE CORDEL

Language: Português

Mosaico de lembranças coloridas.

Hammler e Jeronimo evidenciam cultura nordestina em mostras na Pinacoteca de São Bernardo

CAIO LUIZ

A Pinacoteca de São Bernardo esta revestida de arte popular nordestina. Até meados de novembro, dois artistas oriundos de Pernambuco e da Paraíba, radicados no ABCD, apresentam as mostra "Hammler Brincante e Todas as Cores do Mundo". Em comum, Hammler e Jeronimo têm a predominância de cores marcantes nas obras e a visão única de quem vivenciou o cotidiano das regiões do território nacional que é repleta de riqueza cultural e cujos habitantes migraram expressivamente para o município.

Henrique Hammler, natural de Limoeiro (PE), mora no Rudge Ramos desde 1989 e recebeu uma das salas da Pinacoteca para colocar em evidencia 50 telas do período que denomina como "fase primitiva dentro do folclore nordestino. A mostra do pintor é resultado de una peneira feita em aproximadamente 200 quadros produzidos ao longo de uma década. Os temas criados são provenientes das experiências pessoais e das que tive em passagens a Recife, de leituras de escritores regionais como Jorge Amado, Euclides da Cunha, Ariano Suassuna", declarou o pernambucano Com técnicas de camada de tinta a óleo sobreposta, Hammler satura cores fortes vivas para compor cenários cheios de manifestações culturais como o Bumba Meu Boi, Gigantes de Olinda, Folia de Reis, Mamulengos, Cangaço, Casamento de Matuto, Calu, entre outras. "Filtro aquilo que estudo e materializo nos quadros”. Além do folclore, homenagens a personalidades, políticos e instituições são inseridas nas pinturas de 60 cm por 60 cm.

Mestre

Na sala ao lado do conterrâneo regional, há 15 xilogravuras do mestre Jeronimo Soares. Nascido em Esperança, o gravurista chegou em Diadema há mais de 40 anos e durante 15 anos vendeu as obras na praça da República, na Capital O mesure desenvolveu as próprias técnicas de fabricação de matrizes que reproduzem as xilogravuras. Desde as agulhas que usa para talhar as imagens da rotina do sertão na madeira às técnicas de colorização e a prensa manual, tudo é invenção do artista.

Aliás, é a primeira vez que Jerónimo colore seu trabalho. Para tanto, ele serra as partes da madeira a receberem tinta e as remove como se fosse um quebra-cabeça para não manchar de tinta as outras ao lado. "Para terminar uma xilogravura tradicional levo um mês, já as coloridas me tomam seis semanas", disse o paraibano.

A exposição é fruto de patrocínio do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura e retrata cenas do dia-a-dia nordestino como as casas de farinha, agricultores, retirantes sempre com a perspectiva do homem do campo sob o sol quente ao lado de árvores, pássaros e crianças

 

Serviço

Pinacoteca de São Bernardo (rua Kara, 199, Jardim do Mar). O horário de visitação das mostras é de terça-feira a sábado, das 9h às 17h (quinta, até as 20h30). "Hammler Brincante permanece exposta até 19 de novembro e "Todas as Cores do Mundo fica até 12 de novembro. A entrada é gratuita. Mais informações pelo ciclone 4125-4056

Memorial Cearense recebe a mostra “Xilogravura Nordestina-Trajetória e evolução”

O Memorial da Cultura Cearense (MCC) recebe nesta quarta-feira (30) a exposição Xilogravura Nordestina-Trajetória e evolução. Com curadoria de Bené Fonteles, a mostra apresenta uma síntese de quase um século em que a xilogravura no Nordeste alcançou um notável nível de apuro estético partindo da tradição popular fundada no imaginário do povo por Mestre Noza, de Juazeiro do Norte, no Ceará. A mostra destaca ainda como o artista pernambucano Gilvan Samico vai criar e redimensionar esta escola dentro do espaço da arte contemporânea.

A xilogravura é marcada pela rica plasticidade do imaginário popular – não menos sofisticado e inteligente que a plástica da cultura erudita –, através da obra de tantos e geniais mestres xilógrafos.

O primeiro artífice da xilogravura a ser conhecido nacional e internacionalmente foi Mestre Noza em Juazeiro do Norte, Ceará. Ele foi pioneiro na popularização da técnica quando trabalhava por encomenda para a Tipografia São Francisco, que desde os anos de 1930 era a mais importante editora e impressora do Cariri. A gráfica foi depois rebatizada pelo poeta Patativa do Assaré com o nome de Lira Nordestina.

 Em Juazeiro do Norte surgiram outros geniais artistas da xilogravura, a partir da década de 1940: João Pereira da Silva, Walderêdo Gonçalves, Manoel Lopes da Silva – o “Manoel Santeiro” –, Damásio Paulo, Antonio Batista da Silva, Abraão Batista e Antonio Lino da Silva. Estes mestres gravadores ensinaram a lida ou inspiraram a obra da geração seguinte na região do Cariri, entre eles Stênio Diniz, José Lourenço, João Pedro do Juazeiro, Francorli, Cícero Lourenço, Nilo, Gilberto Pereira, Cícero Vieira, Hamurabi Batista e muitos outros, quase todos vindos da oficina gráfica Lira Nordestina.

 Pernambuco também foi palco de grandes mestres xilógrafos como Dila, Costa Leite, Marcelo Soares, Amaro Borges, Jerônimo Soares e J. Borges, que faz uma escola estética seguida por parentes. Há também a contribuição de Ciro Fernandes, ilustrador de refinado senso estético. Já na Paraíba, destaca-se a obra seminal de José Altino.

 Outro importante artista da xilogravura nordestina é o pernambucano Gilvan Samico. Ele trabalha com uma linguagem ousada, que teve como ponto de origem o imaginário dos artistas gravadores populares do Nordeste. Samico recria e ‘transcria’ todo o fabulário nordestino e universal, utilizando de matéria poética, nunca meramente narrativa, sempre essencialmente visionária. Renova também a gravura no Brasil por meio de uma complexa forma de gravar, feita com apuro e rigor estético.

Para Ariano Suassuna, Gilvan Samico é uma extraordinária personalidade de artista erudito que, ligando-se espontaneamente às raízes da arte popular nordestina e dando-lhe uma amplitude e uma profundidade maiores, cria aquela obra que, para ele, está acima de todas no campo da gravura brasileira.  Suassuna tem Samico como herdeiro e rei da gravura popular nordestina.

A exposição Xilogravura Nordestina-Trajetória e evolução vai apresentar de Noza à Samico, a xilogravura que percorre do sertão à cidade uma grande e fascinante vereda: transforma o ordinário da madeira na mais extraordinária matriz imagética, criando e recriando mundos nunca gravados à memória de um Brasil Universo.

Saiba mais sobre a Xilogravura

 A xilogravura consiste em gravar imagens numa madeira mole (cajá, imburana, cedro ou pinho) com instrumentos cortantes (goiva, faca, canivete, estilete, formão, buril). O desenho é feito no papel, passado para a madeira com carbono, ou desenhado diretamente na madeira. Em seguida, começa a ser talhada para finalização. Depois de gravada, a matriz recebe uma fina camada de tinta espalhada com a ajuda de um rolinho de borracha. Para fazer a impressão, basta posicionar uma folha de papel sobre a prancha entintada e fazer pressão manualmente, esfregando com uma colher ou mecanicamente, com a ajuda de uma prensa.

 Presume-se que a origem remota da arte de gravar em madeira é uma contribuição milenar da cultura indiana que a usava para estamparias decorativas e religiosas. Esta técnica se espalha depois pela China e o Japão que a aperfeiçoa em sua mais perfeita e refinada forma de gravar de artistas japoneses como Hokusai e Hiroshige. Estes, vão inspirar pintores impressionistas como Claude Monet, Van Gogh e Paul Gauguin .

 A primeira notícia que se tem da chegada dessa técnica no Brasil, é de 1808, com o advento da corte real portuguesa.  Os xilógrafos nordestinos são os primeiros artistas a alimentar o imaginário visual do sertanejo com imagens de sua própria cultura, ou recriadas das raras publicações vindas da Europa que chegavam desde o final do século XIX.

 Os xilógrafos nordestinos ilustraram no início do século XX os novenários, os almanaques, os cordéis – que passaram por temáticas religiosas, políticas e eróticas – e colaboraram também com a publicidade por meio da execução de rótulos de bebidas, de folhetos comerciais e da criação e reprodução de marcas e logomarcas.

Serviço: Abertura da exposição “Xilogravura Nordestina-Trajetória e evolução”, dia 30 de março, no Memorial da Cultura Cearense no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Acesso livre.

Horário de visitação: Terça a quinta, das 9 horas às 19 horas (com acesso até 18h30min). Sexta a domingo, das 14 horas às 21 horas (com acesso até 20h30min).

 29.03.2011

Legado de Gonzagão

Emoção, alegria e humanidade são lições aprendidas por fãs

"Era uma festa. Quando o Gonzão chegava, era forro a noite inteira, de tocar até rachar”, diz Sapopemba. О alagoano de Penedo, que se chama José Silva dos Santos, e hoje mora em Santo André, jä viu muito Luiz Gonzaga tocando Em palcos pelo Sudeste ou em carroceria de caminhão na sus terra natal.

Mestre Sapopemba, que é um compêndio sobre cultura popular, sabe muito de muita coisa de música, mas é do Rei do Baião que ele sabe mais, sente-se mais próximo e à vontade para conversar. Para ele é porque o músico lhe faz as vezes de olhos, mãos, narinas, bocas, ouvidos e saudade. Gonzagão canta sobre o que ele viu, viveu e sente. É só olhar para o Rio São Francisco que seus olhar se enchem de lágrimas, lembranças da mãe lavadeira, do pai pescador e das dádivas que o rio traz.

Nordestino antes dele era tudo baiano para os outros. A partir dele é que se vê o Nordeste por outro prisma. Ele canta a trajetória transcendente do nordestino", acha Sapopemba, que desde o ano passa do segue cantando em show dedicado ao pernambucano.

Privilegio teve o xilogravurista Jeronimo Soares. O paraibano de Esperança, hoje radicado em Diadema, tocou sanfona por 35 anos. Depois se lançou as artes plásticas e "deu mais certo. Ele chegou a tocar uma vez com Gonzaga na extinta Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro. "Era simpático, conversava com todo mundo. E viva só com a sanfona", conta Soares, que sem saber ler e escrever compôs 12 canções que até hoje guarda na memória. E que têm um quê da in fluência do mestre, com variedade que passeia pelo xote, xaxado, baião e marcha, "Para mim é só ele mesmo. E o Roberto Carlos”.

Narciso Virgínio da Silva, o Lagoa, de Viçosa, Alagoas, sanfoneiro autodidata que toca no lado de Sapopemba, começou a tocar por causa do Rei do Bailo. Era criança e o pai, apesar dos apelos, não o deixava tocar na sanfona. Foi quando ele tomou coragem, pegou o Instrumento e ensaiou uma ou outra nota tal qual havia visto outra pessoa tocar. O pai chega, e, ao invés da coça, lhe dá um sorriso. Não é que o menino levava jeito para a coisa? Temo que segue tocando até hoje, profissão que ele divide com o serviço de segurança em comércio andreense.

Sem titubear, ele diz que o que mais sua sanfona sabe vem da fonte de Gonzagão. Também sem pensar, ele diz que não há nada parecido nem tão bonito quanto tudo que diz e toca o músico. "Esses forrós de hoje são todos esculhambados, de pé quebrado. Ele fez sucesso mesmo no tempo em que as pessoas eram mais religiosas porque suas músicas não são de duplo sentido. Ele fala dos animais, dos santos, da natureza e dos homens", diz Lagoa. "O meu pai me deu educação. O Gonzaga, a alegria", completa.

Conforto é onde se recosta Eduardo Vieira da Silva quando ouve o Rei do Baião. Ele, que nasceu no Piauí e hoje tem uma casa do Norte em São Bernardo, cada vez que se depara com uma canção do forrozeiro se sente como se tivesse em casa. "Ele levou a nossa música para todos os cantos do País. Para mim, o que ele mais ensinou foi a qualidade de ser humano, simples e humilde como ele era e ainda são suas canções, acredita ele.

"Antes de qualquer coisa, ele era revolucionário", comenta Sapopembą. Apesar de toda essa luta, o Nordeste continua do mesmo jeito. E para pior, porque não existiu mais ninguém igual ao Gonzagão", emenda Lagoa.

Cordel da Cortez homenageia Luiz Gonzaga

Programação ocorrerá entre os dias 18 e 25 de agosto

No aniversário de 10 anos do projeto Cordel da Cortez, a Livraria Cortez (Rua Bartira 317 – Perdizes. São Paulo Tel.: 11 38737111) presta uma homenagem a Luiz Gonzaga. Entre os dias 18 e 25 de agosto estão programados eventos e oficinas gratuitas para públicos de todas as idades. A iniciativa conta com o apoio institucional do ILGB - Instituto Leandro Gomes de Barros, entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo promover a literatura de cordel, por meio de projetos de pesquisa, programas editoriais de folhetos, livros, revistas e jornais.

Confira alguns destaques da programação

Dia 18/08 – Sábado

Horário: 18 às 20 horas – Entrada Franca

Atividade: Sarau lítero-musical com sessão de autógrafos de diversos livros sobre o tema, lançados nos últimos meses.

Coordenação: ILGB – Instituto Leandro Gomes de Barros. Fundado recentemente, o ILGB foi idealizado e constituído a partir da ampla e profícua atuação cultural de poetas, escritores, editores, pesquisadores, educadores e divulgadores da literatura de cordel, realizando os mais diferentes projetos literários.

Sinopse: Apresentação de vários poetas e artistas engajados neste movimento. Entre eles: Assis Ângelo, Costa Senna, Erivaldo, Goimar Dantas, João Gomes de Sá, Varneci Nascimento, Marco Haurélio, Pedro Monteiro, Cacá Lopes, Moreira de Acopiara, Aldy carvalho, Pedro Monteiro, Sebastião Marinho, Andorinha, Luiz Wilson, Nando Poeta, Marcos Linhares, Wadeck de Guaranhuns, Nireuda Longobardi, Maíra Soares, Arievaldo Viana, Francorli, entre outros.

Lançamentos e sessão de autógrafos no Sarau

Título: Cordéis que educam e transformam

Autor: Costa Senna – Ilustrações: Erivaldo

Editora: Global

Título: Rei do Baião, O – Do Nordeste para o mundo

Autor: Arievaldo Viana – Ilustrações: Jô Oliveira

Editora: Planeta Jovem

Dias 20/08 – segunda-feira

Atividade: Vida e Obra de Luiz Gonzaga por Assis Ângelo

Horário: 19 às 20 hs

Coordenação: Assis Ângelo

Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Bate-papo sobre a Vida e Obra de Luiz Gonzaga em comemoração ao seu centenário. Nesta atividade, Assis discorrerá sobre a obra e a importância de Luiz Gonzaga para a nossa cultura.

Sobre o Autor: Assis Ângelo é paraibano, jornalista, pesquisador e estudioso da cultura popular brasileira. Possui um dos maiores acervos de música popular do Brasil. Entre os vários títulos publicados, destacamos o “Dicionário Gonzagueano de A a Z”, uma verdadeira enciclopédia do maior sanfoneiro do país.

Dias 21/08 – terça-feira

Atividade: Oficina “CORDEL – Aprenda a fazer, fazendo”.

Horário: 18 às 19 horas

Coordenação: Moreira de Acopiara

Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: O universo que permeia a poesia popular é muito vasto e têm inúmeras possibilidades de aplicação. O cordel e o repente refletem a vida de um povo, do povo nordestino, do retirante, do migrante, do homem que vive ligado a terra, mesmo que, por força das consequências da vida, hoje vive afastado dela. Nesta oficina, o público participante terá noção de MÉTRICA, RIMA E ORAÇÃO, que é o tema abordado neste tipo de literatura.

Sobre o autor: Moreira de Acopiara é como Manoel Moreira Júnior assina seus trabalhos. Nasceu em Acopiara, sertão central do Ceará, em 1961, e escreveu seus primeiros versos aos treze anos, influenciado pelos mestres da literatura de cordel e pelos cantadores repentistas. Publicou mais de cem cordéis e vários livros. Gravou dois CDs e desde 2004 faz parte da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC).

Após a oficina, promoveremos um sarau poético com a presença dos “novos autores”.

Atividade: Oficina de Xilogravura

Horário: 18 às 19:30 horas

Coordenação: Mestre Jerônimo Soares

Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Único xilógrafo que costura madeira, técnica desenvolvida por ele mesmo. Nesta atividade, esse artista paraibano, que tem em seu currículo, participação em encontros internacionais, além de uma citação de Jorge Amado, estará expondo ferramentas próprias que ele mesmo produz para a arte de esculpir a madeira.

Atividade: Mesa Redonda sobre a presença da xilogravura na literatura

Horário: 19:30 às 21 horas

Apresentação: Audálio Dantas, Nireuda e Jerônimo Soares

Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Um bate-papo sobre a xilogravura e a sua influência na cultura popular brasileira

Dias 23/08 – quinta-feira

Atividade: Palestra “O abraço da tradição: cultura popular e cordel”

Horário: 18 às 20 horas

Coordenação: Marco Haurélio

Apresentação: Audálio Dantas, Nireuda e Jerônimo Soares

Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Atividade que visa apresentar a ponte entre o oral e o escrito, que desemboca neste grande oceano chamado Cultura.

Sobre o palestrante: Com vários livros e folhetos de cordel editados, profere palestras e ministra oficinas sobre a Literatura de Cordel e o Folclore Brasileiro. É um dos fundadores do ILGB – Instituto Leandro Gomes de Barros. Organizou, com Arievaldo Viana, a caixa 12 Contos de Cascudo em Cordel (Editora Queima-Bucha – RN), projeto que reúne adaptações de estórias recolhidas pelo saudoso folclorista potiguar, além de artigos e ensaios enfocando vários temas, com destaque para a cultura popular brasileira.

Dias 24/08 – sexta-feira

Atividade: Sarau líteromusical “Luiz Gonzaga na música e no cordel”

Horário: 19:30 às 20:30 horas

Coordenação: Cacá Lopes

Evento Gratuito

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Resultado de quase uma década gerando as quase 400 estrofes escritas em seis versos. Desde o nascimento na fazenda Caiçara, município de Exu, no sertão de Pernambuco, até a morte no Recife, passando pelas influências de dezenas de artistas brasileiros e homenagens póstumas, a impressionante trajetória do Rei do Baião ganha seu mais completo registro em cordel, Cacá Lopes cantará em verso e prosa Luiz Gonzaga.

Na ocasião, Cacá Lopes, lança o seu novo livro “Vida e Obra de Gonzagão – O mais completo cordel ilustrado sobre Luiz Gonzaga” editado pela editora Ensinamento.

Sobre o Autor: José Edivaldo Lopes, em arte Cacá Lopes é autor do “Projeto Cultural Cordel nas Escolas”, que é apresentados nas instituições Estaduais e Municipais de São Paulo e tem como objetivo reconhecer a importância do Cordel enquanto patrimônio histórico e cultural do nosso povo e estimular a leitura folhetos de cordel e de livros adaptados na linguagem cordeliana junto a alunos, professores e a comunidade escolar.

Dias 25/08 – sábado

Encerramento do VIII Cordel da Cortez – Cultura Popular na Escola

Atividade: CONTAÇÕES NA CORTEZ ESPECIAL “Cordel da Festa no Céu”

Horário: das 11 às 11h40 horas

Apresentação: Cia Rodamoinhos

Evento Gratuito

Público Alvo: Para a criançada

Sinopse: Com o principal objetivo de estimular a leitura e a imaginação das crianças, através dos contos, despertando nelas a necessidade da preservação de valores como o respeito à amizade, o espírito de coletividade e cooperação, o Contações na Cortez — destinado a crianças a partir de 4 anos, é realizado todos os sábado na Livraria Cortez.

Atividade: Lançamento acompanhado de um SARAU POÉTICO do livro “O que é cultura popular?” de autoria do poeta Moreira do Acopiara - Cortez Editora.

Horário: 12 às 14 horas

Apresentação: Moreira de Acopiara

Evento Gratuito

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Em cordel o autor explica o que faz parte da cultura popular e sua importância para a preservação do folclore e da memória nacional.

Atividade: Lançamento acompanhado de um sarau poético do livro “Cores em Cordel” da prosadora e poetisa Magu – Maria Augusta de Medeiros, editado pela Editora Formato.

Horário: das 16 às 18 horas

Apresentação: Maria Augusta de Nedeiros – Magu

Sinopse: As cores são presentes infinitos oferecidos ao nosso olhar. Entretanto, é o dom da palavra que permite dar a cada cor um nome. E é o dom da palavra iluminada pela poesia que faz com que as cores ganhem alma e significado tão certeiros, que podemos enxergá-las, mesmo sem vê-las, apenas com os olhos do coração.

Evento Gratuito

Público Alvo: Público em geral

Principais livros lançados no VIII Cordel da Cortez:

Título: O que é cultura popular?

Autor: Moreira do Acopiara

Editora: Cortez Editora

Título: Cordel no Cotidiano Escolar

Autores: Helder Pinheiro e Ana Cristina Marinho

Editora: Cortez Editora

Título: Cordéis que educam e transformam

Autor: Costa Senna – Ilustrações: Erivaldo

Editora: Global

Título: Cores em Cordel

Autora: Maria Augusta de Medeiros – Magu

Editora: Formato

Título: Colcha de Retalhos - Cordel

Autor: Moreira de Acopiara – Xilogravura: Erivaldo Ferreira

Editora: Melhoramentos

Título: Vida e obra de Gonzagão - O mais completo cordel ilustrado sobre Luiz Gonzaga

Autor: Cacá Lopes

Editora: Ensinamento

No aniversário de 10 anos do projeto Cordel da Cortez, a Livraria Cortez (Rua Bartira 317 – Perdizes. São Paulo Tel.: 11 38737111) presta uma homenagem a Luiz Gonzaga. Entre os dias 18 e 25 de agosto estão programados eventos e oficinas gratuitas para públicos de todas as idades. A iniciativa conta com o apoio institucional do ILGB - Instituto Leandro Gomes de Barros, entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo promover a literatura de cordel, por meio de projetos de pesquisa, programas editoriais de folhetos, livros, revistas e jornais.

Confira alguns destaques da programação

Dia 18/08 – Sábado

Horário: 18 às 20 horas – Entrada Franca

Atividade: Sarau lítero-musical com sessão de autógrafos de diversos livros sobre o tema, lançados nos últimos meses.

Coordenação: ILGB – Instituto Leandro Gomes de Barros. Fundado recentemente, o ILGB foi idealizado e constituído a partir da ampla e profícua atuação cultural de poetas, escritores, editores, pesquisadores, educadores e divulgadores da literatura de cordel, realizando os mais diferentes projetos literários.

Sinopse: Apresentação de vários poetas e artistas engajados neste movimento. Entre eles: Assis Ângelo, Costa Senna, Erivaldo, Goimar Dantas, João Gomes de Sá, Varneci Nascimento, Marco Haurélio, Pedro Monteiro, Cacá Lopes, Moreira de Acopiara, Aldy carvalho, Pedro Monteiro, Sebastião Marinho, Andorinha, Luiz Wilson, Nando Poeta, Marcos Linhares, Wadeck de Guaranhuns, Nireuda Longobardi, Maíra Soares, Arievaldo Viana, Francorli, entre outros.

Lançamentos e sessão de autógrafos no Sarau

Título: Cordéis que educam e transformam

Autor: Costa Senna – Ilustrações: Erivaldo

Editora: Global

Título: Rei do Baião, O – Do Nordeste para o mundo

Autor: Arievaldo Viana – Ilustrações: Jô Oliveira

Editora: Planeta Jovem

Dias 20/08 – segunda-feira

Atividade: Vida e Obra de Luiz Gonzaga por Assis Ângelo

Horário: 19 às 20 hs

Coordenação: Assis Ângelo

Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Bate-papo sobre a Vida e Obra de Luiz Gonzaga em comemoração ao seu centenário. Nesta atividade, Assis discorrerá sobre a obra e a importância de Luiz Gonzaga para a nossa cultura.

Sobre o Autor: Assis Ângelo é paraibano, jornalista, pesquisador e estudioso da cultura popular brasileira. Possui um dos maiores acervos de música popular do Brasil. Entre os vários títulos publicados, destacamos o “Dicionário Gonzagueano de A a Z”, uma verdadeira enciclopédia do maior sanfoneiro do país.

Dias 21/08 – terça-feira

Atividade: Oficina “CORDEL – Aprenda a fazer, fazendo”.

Horário: 18 às 19 horas

Coordenação: Moreira de Acopiara

Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: O universo que permeia a poesia popular é muito vasto e têm inúmeras possibilidades de aplicação. O cordel e o repente refletem a vida de um povo, do povo nordestino, do retirante, do migrante, do homem que vive ligado a terra, mesmo que, por força das consequências da vida, hoje vive afastado dela. Nesta oficina, o público participante terá noção de MÉTRICA, RIMA E ORAÇÃO, que é o tema abordado neste tipo de literatura.

Sobre o autor: Moreira de Acopiara é como Manoel Moreira Júnior assina seus trabalhos. Nasceu em Acopiara, sertão central do Ceará, em 1961, e escreveu seus primeiros versos aos treze anos, influenciado pelos mestres da literatura de cordel e pelos cantadores repentistas. Publicou mais de cem cordéis e vários livros. Gravou dois CDs e desde 2004 faz parte da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC).

Após a oficina, promoveremos um sarau poético com a presença dos “novos autores”.

Atividade: Oficina de Xilogravura

Horário: 18 às 19:30 horas

Coordenação: Mestre Jerônimo Soares

Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Único xilógrafo que costura madeira, técnica desenvolvida por ele mesmo. Nesta atividade, esse artista paraibano, que tem em seu currículo, participação em encontros internacionais, além de uma citação de Jorge Amado, estará expondo ferramentas próprias que ele mesmo produz para a arte de esculpir a madeira.

Atividade: Mesa Redonda sobre a presença da xilogravura na literatura

Horário: 19:30 às 21 horas

Apresentação: Audálio Dantas, Nireuda e Jerônimo Soares

Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Um bate-papo sobre a xilogravura e a sua influência na cultura popular brasileira

Dias 23/08 – quinta-feira

Atividade: Palestra “O abraço da tradição: cultura popular e cordel”

Horário: 18 às 20 horas

Coordenação: Marco Haurélio

Apresentação: Audálio Dantas, Nireuda e Jerônimo Soares

Taxa de Inscrição: Gratuito (Necessita de inscrições - Vagas limitadas)

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Atividade que visa apresentar a ponte entre o oral e o escrito, que desemboca neste grande oceano chamado Cultura.

Sobre o palestrante: Com vários livros e folhetos de cordel editados, profere palestras e ministra oficinas sobre a Literatura de Cordel e o Folclore Brasileiro. É um dos fundadores do ILGB – Instituto Leandro Gomes de Barros. Organizou, com Arievaldo Viana, a caixa 12 Contos de Cascudo em Cordel (Editora Queima-Bucha – RN), projeto que reúne adaptações de estórias recolhidas pelo saudoso folclorista potiguar, além de artigos e ensaios enfocando vários temas, com destaque para a cultura popular brasileira.

Dias 24/08 – sexta-feira

Atividade: Sarau líteromusical “Luiz Gonzaga na música e no cordel”

Horário: 19:30 às 20:30 horas

Coordenação: Cacá Lopes

Evento Gratuito

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Resultado de quase uma década gerando as quase 400 estrofes escritas em seis versos. Desde o nascimento na fazenda Caiçara, município de Exu, no sertão de Pernambuco, até a morte no Recife, passando pelas influências de dezenas de artistas brasileiros e homenagens póstumas, a impressionante trajetória do Rei do Baião ganha seu mais completo registro em cordel, Cacá Lopes cantará em verso e prosa Luiz Gonzaga.

Na ocasião, Cacá Lopes, lança o seu novo livro “Vida e Obra de Gonzagão – O mais completo cordel ilustrado sobre Luiz Gonzaga” editado pela editora Ensinamento.

Sobre o Autor: José Edivaldo Lopes, em arte Cacá Lopes é autor do “Projeto Cultural Cordel nas Escolas”, que é apresentados nas instituições Estaduais e Municipais de São Paulo e tem como objetivo reconhecer a importância do Cordel enquanto patrimônio histórico e cultural do nosso povo e estimular a leitura folhetos de cordel e de livros adaptados na linguagem cordeliana junto a alunos, professores e a comunidade escolar.

Dias 25/08 – sábado

Encerramento do VIII Cordel da Cortez – Cultura Popular na Escola

Atividade: CONTAÇÕES NA CORTEZ ESPECIAL “Cordel da Festa no Céu”

Horário: das 11 às 11h40 horas

Apresentação: Cia Rodamoinhos

Evento Gratuito

Público Alvo: Para a criançada

Sinopse: Com o principal objetivo de estimular a leitura e a imaginação das crianças, através dos contos, despertando nelas a necessidade da preservação de valores como o respeito à amizade, o espírito de coletividade e cooperação, o Contações na Cortez — destinado a crianças a partir de 4 anos, é realizado todos os sábado na Livraria Cortez.

Atividade: Lançamento acompanhado de um SARAU POÉTICO do livro “O que é cultura popular?” de autoria do poeta Moreira do Acopiara - Cortez Editora.

Horário: 12 às 14 horas

Apresentação: Moreira de Acopiara

Evento Gratuito

Público Alvo: Público em geral

Sinopse: Em cordel o autor explica o que faz parte da cultura popular e sua importância para a preservação do folclore e da memória nacional.

Atividade: Lançamento acompanhado de um sarau poético do livro “Cores em Cordel” da prosadora e poetisa Magu – Maria Augusta de Medeiros, editado pela Editora Formato.

Horário: das 16 às 18 horas

Apresentação: Maria Augusta de Nedeiros – Magu

Sinopse: As cores são presentes infinitos oferecidos ao nosso olhar. Entretanto, é o dom da palavra que permite dar a cada cor um nome. E é o dom da palavra iluminada pela poesia que faz com que as cores ganhem alma e significado tão certeiros, que podemos enxergá-las, mesmo sem vê-las, apenas com os olhos do coração.

Evento Gratuito

Público Alvo: Público em geral

Principais livros lançados no VIII Cordel da Cortez:

Título: O que é cultura popular?

Autor: Moreira do Acopiara

Editora: Cortez Editora

Título: Cordel no Cotidiano Escolar

Autores: Helder Pinheiro e Ana Cristina Marinho

Editora: Cortez Editora

Título: Cordéis que educam e transformam

Autor: Costa Senna – Ilustrações: Erivaldo

Editora: Global

Título: Cores em Cordel

Autora: Maria Augusta de Medeiros – Magu

Editora: Formato

Título: Colcha de Retalhos - Cordel

Autor: Moreira de Acopiara – Xilogravura: Erivaldo Ferreira

Editora: Melhoramentos

Título: Vida e obra de Gonzagão - O mais completo cordel ilustrado sobre Luiz Gonzaga

Autor: Cacá Lopes

Editora: Ensinamento

Título: Rima na Escola, o Verso na História

Autora: Maíra Soares Ferreira

Editora: Boitempo

Título: Abelhinha, A – História tradicional de “lenga-lenga”

Autora: Nireuda Longobardi

Título: Rima na Escola, o Verso na História

Autora: Maíra Soares Ferreira

Editora: Boitempo

Título: Abelhinha, A – História tradicional de “lenga-lenga”

Autora: Nireuda Longobardi

Todas as cores do mundo

Mestre Jeronimo, a Magia que costura a madeira

Na contramão do processo de massificação cultural que afeta boa parte do planeta, trabalham os artistas populares, dando forma às suas múltiplas experiências de vida. Transformando-as num registro vivo e atual de um Brasil real. Vozes sempre poéticas e diferenciadas, são a expressão de um povo que expressa em seus traços o autorretrato do país. Neste caudaloso e profundo mar de sentimentos, destaca-se a presença de Jeronimo Soares, mestre da xilogravura, que fez de seus sonhos e recordações uma manifestação artística de incansável vitalidade e poesia. Jeronimo, enquanto cria suas belas composições, elaboradas através de um ritual artesanal de minuciosa dedicação, vai matutando novos sistemas de prensas para impressão, dignas de uma verdadeira engenharia popular e concebendo suas famosas agulhas, responsáveis pela sua original técnica de pontilhado que, numa alquimia de prazer e paixão, vão costurando a madeira nos mínimos e mais distantes detalhes. Mestre Jeronimo iniciou-se no universo da xilogravura aos 12 anos, em Recife, incentivado por seu pai, José Soares – o poeta repórter – e nunca mais desistiu. Tornou-se referência no mundo das texturas e dos grafismos em preto e branco, cheias de nuances e suaves meios tons. E o sol do sertão sempre presente, não nos deixando esquecer da arte de um nordeste muito querido.

Tudo isto ainda não foi suficiente para este irriquieto, sensível e admirável paraibano. Assim, como na xilogravura popular, que caminha com um pé na tradição e outro na evolução, tentando não desfigurar suas características, Mestre Jeronimo, aos 75 anos, nos surpreende mais uma vez com um novo desafio: uma belíssima série de 15 xilogravuras coloridas, apresentadas ao público no Museu de Arte Popular de Diadema e na Pinacoteca de São Bernardo do Campo. Coroando desta forma, uma relação sincera de amizade, respeito e admiração da região do ABC com este grande artista de Diadema e do mundo. Uma nova e sempre bem vinda manifestação de resistência e vitalidade de um povo que não se intimida com as dificuldades do cotidiano. Em sua poesia ondulante e sugestiva que se encontra hoje com a plenitude das cores, estabelecendo um casamento perfeito de uma das mais altas expressões do imaginário popular e universal, que nos lembram as palavras de nosso saudoso Jorge Amado que situa xilógrafos da estirpe de Jeronimo Soares entre os melhores gravadores do mundo. Ricardo Amadasi Artista plástico, pesquisador de arte popular, Curador do MAP e Consultor de Arte Popular de SESC-SP.

O xilogravurista Jeronimo Soares

Pela primeira vez, a cidade faz uma festa com tematica junina no Vale do Anhangabaú. Música, comida e cultura regional são os destaques

Juco Guimarães

Juca gémamesddarios.com.br

Acontece hoje, das 14h30 às 22h, o segundo dia do Arraial de São Paulo, no Vale do Anhan gabaú, na região central

O público que esteve ontem na festa aprovou a iniciativa da Prefeitura que, pela primeira vez, transformou um dos pon tos mais conhecidos da cidade em uma quermesse com muita comida típica, música. cultura tradicional e brincadei tas para as crianças,

"Inserir a celebração do São João no programa anual de eventos da Secretaria de Cultu ra atende a uma demanda da propria cidade, que já incorpo rou a comemoração no seu ca lendário", disse o secretário municipal de Cultura, Juca Fer-reira

Ontem, o dia ensolarado contribuiu para animar a festa, que teve como destaques as re-ceitas especiais elaboradas por renomados chefs de cozinha com preço maximo de R$ 15 caso do risoto de pinhão trufa-do e do escondinho

Por RS 10, foi possível apre ciar o mocofava, receita que le va caldo de mocotó e fava, do chef Marcelo Pinheiro, do res taurante Tarsila e integrante da Abaga (Associação Brasileira de Alta Gastronomia).

"Boa parte das receitas foi fei ta exclusivamente para o even to como, por exemplo, o arru madinho", disse o chef.

O homenageado do Arraial de São Paulo é o compositor Luiz Gonzaga, mas o músico Dominguinhos também foi muito tocado pelas bandas.

O grupo Quatro Ases do Forró contou com a participação es pecial da cantora Anastácia. O cantor Alceu Valença fechou o primeiro dia de festa.

CORDEL/A tenda Chapéu de Palha, ao lado da sede dos Cor-reios, trouxe representantes de peso da literatura de cordel, do forró pé de serra e do repente

"É uma cultura muito ampla e representa todo o nosso país. Já levei a minha arte para todos os continentes", disse o per-nambucano Jeronimo Soares. consagrado xilogravurista.

... Para manter o clima de festa típica, tem até correio elegante no Vale do Anhagabaú...

Divulgação do calendário de Jeronimo Soares

Desejamos a todos os trabalhadores boas festas e bom descanso de fim de ano.

Os funcionários públicos

Marere de Acoptar

São os funcionários públicos Que, com força de vontade, E com determinação, Fazem com que esta cidade Possa caminhar tranquila, De encontro à prosperidade.

Dai a grande importância Do funcionalismo estar Sempre unido, confiante, Com o propósito de lutar, Pois é lutando que a gente Tem mais chances de avançar.

Se muito foi feito, ainda há muito que fazer

Findamos 2013 cu a certeza de que ainde ha matto o que conquistar Lags no Inicio de 2014 teremos a Campanha Salarial e reivindicações como a da Vale Refeição decente e para todes, a valorização salarial e o plano de cargos, salários e carreiras devem ser prioridade na nosa pauta

Desejamın a todos os/as trabalhadores/as boas festas e bom descanso de fim de ano. Nos encontramos no ano vindouro pois para continuar avançando é preciso manter nossa uniko, в пона ботдава поma organização.

Metrópole e Scania apresentam exposição sobre cultura Popular do ABC

Até 31 de agosto, o Shopping Metrópole é palco da exposição "Arte e Cultura Popular no ABC Paulista", que divulga e valoriza as tradições culturais populares das cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mau, Ribcuão Pires e Rio Grande da Serra; e tem como objetivo mostrar aos visitantes as tradições culturais da região. Com curadoria da antropóloga Maria Lucia Mon-tes, a exposição apresenta cinco manifestações culturais: congada, folia de reis, samba lenço, repente e cordel. Montada em uma área de aproximadamente 150 m², a mesma é estruturada em cinco módulos e utiliza recursos audiovisuais e interativos. O projeto é realizado com patrocínio da Scania e apoio da Secretaria de Cultura de São Bernardo.

Conhecimento na arte da Xilogravura

Jeronimo Soares ministra workshop na quinta-feira em centro cultural de Diadema

VINICIUS CASTELLI

Trabalho precioso e mina cioso, a xilogravura é a arte que Jeronimo Soares desen volve ha cerca de 58 anos. Pa raibano da cidade de Espe rança, o artista radicado em Diadema há mais de très de cadas tem encontro marcado com aqueles que quiserem aprender um pouco de seu trabalho.

Ele ministrara workshop gratuito na quinta-feira, no Centro Cultural Wladimir Herzog (Rua Eduardo de Ma 108, 159. Tel.: 4091-2299), em Diadema, em dois horá rios: às 10h e às 14h. Turma com até 25 alunos. Podem patticipar pessoas a partir de 7 anos. As inscrições, gratui tas, devem ser feitas no local

Dono de xilogravuras que retratam o imaginário e o co tidiano nurdestino, Jeroni mo se envolves com a arte dos entalhes na madeira aos 12 anos, dom que herdou de seu pai, seu grande incentiva dor. "Estou nessa ha 58 anos. Depois que comecei não pa rei mais", diz o artista de 78 e que já teve trabalhos expos tos em países coto Suiça, Es tados Unidos, França, Japão e Canada

"As pessoas vão aprender a costurat a madeira, passar a tinta e tirar cópias", explica ele, que, em 1978, desenvol veu método próprio de traba Tho. E uma agulha especial, feita de aço. Ele conta que es sa ferramenta lhe ajuda mui-to no fato de poder escolher entre os diferentes sons possi veis e necessários para mol dar os quadros.

"Fico muito contente de poder ensinar isso às pes soas. Me då mita satisfação. Já fiz mitita oficina e é dificil eu ir em algum lugar e as pes soas não gostarem", brinca ele. Os participantes pode rão fazer xilogravuras de qualquer tipo de desenha "Eu vou explicando paso a passo, Falo das tonalidades, das agullins. Levi wao menos umas duas hora e mela para ficar pronto o pri meiro trabalho."

Para quem quiser mergu thar em parte do legado de Jeronimo e ver de perto deta lhes de seus trabalhos, o Mu seu de Arte Popular de Diade ma conta com várias obras do artista no acerve. O MAP (Run Graciosa, 300. Tel.: 4051-5408) abre as portas de terça a sexta das 10h às 19h, e aos sábados, das 13h às 18h. A entrada é grátis

TVT. Diadema, no ABC

O pernambucano Jerônimo Soares é considerado um dos grandes mestres da xilogravura. Em Diadema, Soares mostrou sua arte para as crianças de uma escola pública.

https://www.youtube.com/watch?v=iHk4VpG5A6Q

Pró-memória abre exposição sobre arte popular nordestina

Exposição Poéticas do Nordeste: A Arte da Rima nos Cordéis de Francisco Luiz Mendes e da Xilogravura de Jerônimo Soares acontece no Parque Chico Mendes

Data: 24/09/2014 14:09

Alterado: 24/09/2014 14:09

Autor: Paula Fiorotti

Fonte: Fundação Pró-Memória

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Francisco Luiz Mendes e Jerônimo Soares são paraibanos que vivem na região do ABC há décadas. O primeiro, morador de São Caetano, é cordelista e narra incríveis histórias inspiradas em seu próprio cotidiano na cidade e nas lembranças de sua infância no Nordeste.

Já o segundo, morador de Diadema, produz xilogravuras cheias de poesia e que retratam o homem do sertão nordestino e sua essência. Os trabalhos destes dois artistas integram a exposição Poéticas do Nordeste: a Arte da Rima nos Cordéis de Francisco Luiz Mendes e da Xilogravura de Jerônimo Soares, que entra em cartaz a partir de 30 de setembro, no Salão Expositivo do Espaço Verde Chico Mendes (Rua Fernando Simonsen, n° 566, Bairro São José).

São cerca de 30 reproduções de gravuras e textos de cordéis, que levarão o visitante a peregrinar pela arte popular nordestina. Príncipes, cangaceiros, capangas, fadas e reis misturam-se entre realidade e ficção nas histórias de Francisco Luiz Mendes, que são ilustradas pelo famoso xilogravador Erivaldo Ferreira da Silva.

Já o trabalho de Jerônimo Soares ressalta o imaginário nordestino, com destaque para a natureza, as crianças e a vida do sertanejo. Suas obras estão espalhadas por Portugal, Estados Unidos, Japão, Canadá e Paraguai e ilustram capas de livros, CDs e folhetos de cordel.

A exposição Poéticas do Nordeste: a Arte da Rima nos Cordéis de Francisco Luiz Mendes e da Xilogravura de Jerônimo Soares fica no local até 30 de novembro, com visitação de terça a sábado, das 8h às 17h, e domingo, das 9h às 16h. A entrada é livre e gratuita. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 4223-4780.

https://abcdoabc.com.br/pro-memoria-abre-exposicao-sobre-arte-popular-nordestina/

Bairro tem xilogravurista conhecido em diversos países

As mais variadas situações retratadas em imagens talha das em madeira. Esta é a arte da xilogravura e é no Jardim Canhema que vive, há mais de 30 anos, um dos maiores nomes do gênero em todo o mundo: Jeronimo Soares, que na sexta-feira completa 80 anos.

O xilogravurista nasceu na cidade de Esperança, no Esta do da Parailsa, e é filho de Jo-sé Soares, cordelista conheci do como o poeta repórter. Aos 12 anos, quando visitava o patriarca em Recife, Per-nambuco, foi apresentado por ele à xilogravura e come çou a fazer suas primeiras ilus trações nos folhetos que conti nham os poemas de cordel. "A partir dali, não parei mais", fala

O talento foi reconhecido por um dos mais famosos es critores brasileiros, o balano Jorge Amado. "Não o conheci pessoalmente, mas ele acom panhava os meus trabalhos e, em 1977, fez uma citação so bre mim." No texto, o escritor salienta que "Jeronimo res é um dos mais notáveis gravadores populares do Bra sil" e que "suas madeiras para as capas de folhetos de cordel são de real beleza, poderosas e poéticas." Soa Jeronimo seguiu fazendo sua arte, mas queria criar uma marca. Em 1978, ele in-ventou uma agulha especial feita de aço com a qual costu ra' a madeira para dar origem aos mais variados persona gens e paisagens. "O porntiiha do que se ve nas minhas obras é único graças à ferra menta que criei", orgulha-se.

Por 15 anos, o artista expos seu trabalho na Praça da Re pública, o que ampliou a di vulgação de seus feitos. "Pe guei amizade com muitos tu-ristas estrangeiros que leva ram minhas obras."

Graças a isso, hoje muitas delas estão espalhadas por Portugal, Estados Unidos, Ca nadá, Inglaterra, Suiça, Ja pão e França, participando também de exposições fora do País. Em Diadema, 25 qua dros podem ser vistos no MAP (Museu de Arte Popu lar), no Centro.

Jeronimo foi sanfoneum pot quase quatro décadas, "Che guei a tocar com Lutz Gonzaga em um programa de rádio que ele tinha no Rio de Janeiro, mas acabei ficando só com a logravura e, graças a Deus, deu certinho."

VO

Artista de Diadema é homenageado em exposição no MAP

O artista Jeronimo Soares será homenagea-do no Museu de Arte Moderna (MAP), em Diadema, cidade onde mora, com uma expo-sição de suas obras. A mostra chamada "Costu-rando a Poesia Nordesti-na" revela a sua trajetória na produção de gravuras que trazem a cultura nor-destina. A exposição co-meça hoje, 14, às 19h.

Jerónimo Soares, um dos nomes mais im-portantes da xilogravu-ra brasileira, nasceu na Paraiba, mora no bairro Canhena e passou a ser reconhecido após produ-zir um álbum sobre aci-dentes de trabalho para a revista Xilon, editada na Alemanha.

Obras do artista já foram publicadas nos principais jornais brasi-leiros e é reconhecido in-ternacionalmente, sendo possível encontrar suas obras na Suíça, França, Japão, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e Por-tugal.

Seus principais álbuns são A Via Sacra segundo Jerónimo, com versos de João de Barros; 10 xilo-gravuras de Jerônimo, com apresentação de Jorge Amado; Cinco xi-logravuras de Jeronimo, com apresentação de Jor-ge Amado e Cinco xilo-gravuras populares, com apresentação de Joseph Luyten.

"O mestre Jeronimo representa muito bem a cultura de Diadema e a cultura nordestina. Por conta disso abrimos esse espaço para que os muni-cipes possam conhecer mais sobre seu trabalho e sua trajetória retratando a parte cultural do nordeste já que ele está voltando a ativa nessa exposição", conta o secretario de Cul-tura, Everaldo Maciel.

Para quem não conhe-ce, xilogravura significa gravura na madeira e é uma técnica chinesa na qual o artista utiliza a madeira para entalhar um desenho.

A exposição é gratuita é estará aberta ao público até dia 29, de segunda a sexta das 9h às 18h e aos sábados das 9h às 13h.

Da redação

Museu de Arte Popular de Diadema ganha nova sede

De cara nova e em nova casa, tecnicamente preparada para preservação do acervo…

Por Marcos Luiz / Fotos Ronaldo Lima/ Divulgação

De cara nova e em nova casa, tecnicamente preparada para preservação do acervo, o Museu de Arte Popular (MAP) de Diadema será reaberto nesta sexta-feira, dia 25, a partir das 18 horas, em novo endereço (Rua Professora Vitalina Caiafa Esquível, 96 – Centro ) com a exposição “Traços de Brasilidade”, da artista plástica Thaís Gomez. O MAP reúne obras de artistas de Diadema como Jerônimo Soares, Zé Pretinho e Geni Santos, com pinturas, objetos, esculturas e xilogravuras. Além de exposições, o museu realiza ações educativas e festas que permeiam expressões plásticas e cênicas da cultura popular.

Todo o processo de reinstalação do museu foi baseado em normas técnicas, do Sistema Estadual de Museus (SISEM-SP), órgão ligado à Secretaria Estadual de Cultura. O SISEM-SP fez uma vistoria técnica no MAP, em 2012, apontou que o Centro Cultural Diadema não apresentava condições técnicas para sediar o museu.

Atualmente, mantido pela Secretaria de Cultura de Diadema, o MAP, criado em 2007, é pioneiro na região do ABCD em acervo de importantes nomes da arte popular nacional, com foco na Arte Naïf, nome dado aos trabalhos de artistas sem formação acadêmica. No acervo, há cerca de 800 obras dos mais importantes artistas populares do Brasil como Aécio de Andrade, Cícero Lourenço, João Cândido da Silva, Lourdes de Deus, Odonagué e Waldomiro de Deus.

O antigo espaço do museu passou a abrigar a Biblioteca Olíria de Campos Barros.  O MAP agora encontra-se climatizado, vedado para ruídos e resíduos, dotado de iluminação técnica especial, espaço para reserva técnica e área para a realização de cursos e palestras. Tudo isso melhora a conservação do acervo, o conforto dos visitantes e de funcionários do setor.

O MAP está inserido no enorme complexo cultural da Prefeitura de Diadema, no coração da cidade: o Centro de Formação Musical Olímpio Martins (CEFOM), o Centro de Memória, o Centro Cultural Diadema (Teatro Clara Nunes, Espaço Cândido Portinari e Biblioteca Olíria de Campos Barros) e a Fábrica de Cultura, que está em construção.

Segundo a nova coordenadora do MAP, a também artista plástica Thaís Gomez, essa proximidade do museu com importantes equipamentos culturais, escolas e comércio, vai fortalecer suas interações, atividades e parcerias, tornando o museu cada vez mais conhecido e frequentado pela população de Diadema e cidades vizinhas. ”Agora que o MAP é vizinho do Parque Pousada dos Jesuítas, por exemplo, podemos criar e realizar alguma ação artística que dialogue e interaja com a educação ambiental”, disse.

Exposição – A simplicidade e a diversidade presentes na cultura brasileira são destacadas na mostra “Traços de Brasilidade”, de Thaís Gomez, nascida em Diadema. A exposição revela o olhar da artista sobre o Brasil e suas manifestações culturais regionais. Seus traços ingênuos expressam sentimentos do cotidiano, transmitem alegria pelas cores e fortalecem a nossa cultura popular. Sua arte, que já estampou coleções de grifes de moda e merchandising e ilustra livros de renomadas editoras brasileiras, tornou-se fonte de estudo de professores e alunos em escolas de várias regiões do país.

Serviço:

Inauguração da nova sede do MAP Diadema: dia 25, sexta-feira, a partir das 18h

Rua Professora Vitalina Caiafa Esquível, 96 – Centro (atrás da Câmara Municipal);

Visitação: de terça a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 13h às 18h.

https://abcdoabc.com.br/museu-de-arte-popular-de-diadema-ganha-nova-sede/

Jerônimo Soares

"Jeronimo Soares é um dos mais notáveis gravadores populares do Brasil. Suas madeiras para as capas de folhetos de cordel são de real beleza, poderosas e poéticas."

Naturalidade: Esperança-PB

Nascimento:  24 de maio de 1935

Atividades artísticos-culturais: Gravador

Nascido em 24 de maio de 1935, em Esperança (PB), Jerônimo Soares é filho do cordelista José Soares (o poeta repórter) e de dona Hilda Fernandes Soares e irmão do cordelista Marcelo Soares. Jerônimo começou a trabalhar com xilogravura aos 12 anos de idade na sua terra natal. Dali em diante, seu talento não parou de crescer. Mais adulto, foi para São Paulo e ficou por 15 anos expondo suas obras na Praça da República, centro da Capital. “Assim que deixei o Nordeste, comecei a apresentar o meu trabalho. Muita gente vinha me procurar ali”, lembra-se.

Radicado em Diadema/SP, residindo em Jardim Canhema, tem mais de 58 peças produzidas. Seus trabalhos são continuamente expostos em galerias e museus, a exemplo do MAP e da Pinacoteca de São Bernardo.

O artista desenvolveu um estilo próprio a partir de uma agulha especial feita de aço que inventou em 1978. Com esta ferramenta “costura” a madeira para dar origem as suas criações que ilustram capas de livros, CDs e folhetos de cordel.

Sua notoriedade veio a partir do álbum sobre acidentes de trabalho produzido para a revista Xilon editada na Alemanha. Hoje é possível encontrar suas obras na Suíça, França, Japão, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Portugal e França. Tradição esta que se perpetua na família, o irmão Marcelo, o filho Anderson (Nino) e o neto Wesley também mostram talento com a madeira.

Jeronimo possui ainda obras publicadas nos principais jornais brasileiros: O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Jornal da Manhã, Diário do Grande ABC, Correio Brasiliense, Diário de Pernambuco e outros.

Segundo Jorge Amado: “Jeronimo Soares é um dos mais notáveis gravadores populares do Brasil. Suas madeiras para capas de folhetos de cordel são de real beleza, poderosas e poéticas”.

Seus principais álbuns são:

– A Via Sacra segundo Jerônimo, com versos de João de Barros;

– 10 xilogravuras de Jerônimo, com apresentação de Jorge Amado;

– Cinco xilogravuras populares, com apresentação de Joseph Luyten

E as xilogravura dos folhetos: Fofocas de futebol e Pega ladrão de José Soares; A mulher de quatro metros que andava de feira em feira, de Enéias Tavares dos Santos; Acidentes no trabalho na construção civil, de Severino José.

Sendo considerado um dos maiores xilogravadores populares do Brasil, foi lançado o livro “Na Ponta da Agulha: Jerônimo Soares, Mestre da Xilogravura”, organizado por Andréia Alcantara, Lyara Apostolico e Ricardo Amadasi,  com sua obra completa.  O livro representa o coroamento de uma obra grandiosa de um artista que já dispensa o rótulo de “popular”.  Um artista dono de uma prodigiosa imaginação criativa, artesão que empresta à madeira sombras, tons, profundidades, abismos, imagens particulares que o tornam único e reconhecível.

Nas palavras de Jorge Amado: ” Jeronimo Soares é um dos mais notáveis gravadores populares do Brasil. Suas madeiras para as capas de folhetos de cordel são de real beleza, poderosas e poéticas. Refletem a identidade do artista com a vida sofrida e a imaginação invencível do povo. Vindo do cordel – sendo ele próprio nascido em família de trovadores – os álbuns que tem realizado ultimamente nos dão a medida do talento e da poesia de Jerônimo Soares e o situam em posição singular entre os gravadores ingênuos. Ingênuos? Talvez os mais sábios de todos: os mais brasileiros, certamente.”

Em 2004  Jerônimo recebeu uma homenagem em Diadema (SP) e teve um cordel escrito por César Obéid sobre ele.

Cordel em Homenagem a Jerônimo Soares

*Este cordel foi escrito para divulgação evento que homenageou Jerônimo em agosto de 2004 em Diadema.

Apresento minhas rimas

Em cordel, verso e poema

Pra dizer de grande Núcleo

De Cordel de Diadema

Que durante o mês de agosto

Vai estar lá no Canhema.

Centro Cultural Canhema

É a casa Hip- Hop

Um dos maiores acervos

Sempre subindo o Ibope

Em agosto abre as portas

Para rima e galope.

Aos irmãos do Hip- Hop

Todos nós agradecemos

Duas artes, dois destinos

Na união sempre crescemos

Por abrirem suas portas

Nunca mais esqueceremos.

Vai ter rimas em teatro

E também em cantadores

Cancioneiros, cordelistas

Bonecos, aboiadores

A viola e o repente

Xilos e pesquisadores.

Mais de oitenta bons artistas

Demonstrando o painel

Da cultura do repente

Do poeta menestrel

Só tem três anos de idade

Nosso Núcleo de Cordel.

Um gigante painel

Vai pairar por esses ares

Invadindo corações

Almas, ouvidos e lares

Pra prestar justa homenagem

A Jerônimo Soares.

Um dos grandes gravadores

Que existem no Brasil

Um filho da Paraíba

Meigo, forte e gentil

Da cidade Esperança

Todos damos nota mil.

Em 24 de maio

No ano de 35

Nasce esse nordestino

Já dizendo: – Eu já destrinco

Nasci pra talhar madeira

E com xilo eu nunca brinco.

Filho de José Soares

Poeta paraibano

Um dos maiores poetas

Cordelista soberano

Foi-se em 82

Mas deixou seu belo plano.

A mãe é Hilda Fernades

Mulher de delicadeza

Pois a mãe de um artista

É rainha, é princesa

Dando a luz ao nosso mestre

Ao Otávio e a Tereza.

Parte da sua Esperança

Bela cidade Natal

Vai morar lá no Recife

Onde é lindo o litoral

Sempre talhando madeira

Trabalho vocacional.

Mas o homem nordestino

Vem pra essa terra fria

No ano 59

Muito medo e agonia

Mas recebe o bom abrigo

Da sua formosa tia.

Digo já das profissões

Que fez esse talhador

De automóveis, Jerônimo

Trabalhou como pintor

E por trinta e cinco anos

De sanfona, tocador.

Formou um trio lá chamado

“Jerônimo do Sertão”

Que levava o forró

E também badalação

Nesta vida com sanfona

Já tocou com Gonzagão.

Esse homem talentoso

Sempre foi um felizardo

E com a Maria de Lurdes

Juntou panos, juntou fardo

E a filha é Rosângela

Hoje mora em São Bernardo.

Separou e se uniu

À querida Roseli

Que nasceu na Paraíba

Mas os filhos são daqui

Adriana e jovem Nino

Hoje estão conosco aqui.

Nino está no seu caminho

Pra o sucesso sempre vai

Tem um traço diferente

E da xilo não mais sai

Nós ganhamos um talento

Seguindo os passos do pai.

Adriana se uniu

Com Zé Alves em afetos

Adriana concebeu

Em seus sonhos e projetos

Welenci e Émile

São os seus queridos netos.

De outro irmão paterno

Do Jerônimo vou falar

É o Marcelo Soares

Um artista exemplar

E gigante cordelista

Talha xilo sem parar.

Do Jerônimo, minha gente

Eu confesso as diretrizes

Desd’os doze anos talhando

Mais de 4 mil matrizes

Essa máquina de talento

Deixa todos tão felizes.

Ele sempre foi gigante

Nunca vai ser esquecido

Disse que depois do Núcleo

Ficou bem mais conhecido

Vive em capas de jornais

Esse velho é convencido…

E falou para o poeta:

– Faça um verso tão profundo

Diga que o Jorge Amado

Disse em menos d’um segundo

Que sou o melhor gravador

Que existe neste mundo!

Fez xilos para muita gente

Velha e nova geração

Eu tenho bastante orgulho

De tê-lo em meu coração

Fez mi’a xilo pro Natal

Primavera e São João.

Nesse evento de homenagem

Vai ter muita cantoria

Repentistas da cidade

Zé Luiz com simpatia

Também Manuel Ferreira

E Passo Preto da Bahia.

A dupla de aboiadores

Zé de Zilda, Noé de Lima

Que são filhos de Sergipe

Vão fabricar muita rima

Junto com Orlando Dias

Um poeta que só prima.

Falo já dos cordelistas

Expandindo o meu leque

Moreira de Acopiara

Costa Senna sem ter breque

Eu, o poeta paulista

E nosso mestre Valdeck.

Repentistas não sabemos

Quais serão as trajetórias

Nem tão pouco quais as duplas

Que terão suas vitórias

Pra chegarem à final

Farão eliminatórias.

Em duas eliminatórias

Em parceria da Ucran

A União dos Cantadores

Que do verso sempre é fã

Nosso ‘Bastião Marinho

O presidente titã.

A final é no Canhema

De poetas repentistas

De migrantes nordestinos

Lindo time de artistas

Com violas afinadas

E estrofes não previstas.

Haverá uma exposição

Todo o mês lá permanente

Cristhian Montagna, o fotógrafo

Afinou a sua lente

Para o público apreciar

Xilo, cordel e repente.

A Nireuda Longobardi

Gravadora exemplar

Também estará presente

Para a festa ilustrar

Nesta grande exposição

Da cultura popular.

São três peças de teatro

De atores que consomem

Taubaté nos mando logo

“Sinhá Moça Lobisomem”

De Campinas vem “Cordel”

Com bonecos feito homem.

Com a “Feira de Cordel”

Farão justa homenagem

A esse grande gravador

Que mantém sua coragem

Para o caminho da arte

Ele leva sua bagagem.

Terão os pesquisadores

Que já passaram no teste

O saber em cada um

Todo instante se veste

Provando que arte é viva

Dentro e fora do nordeste.

Jerônimo inventou u’a técnica

De agulha sombreada

Para fazer sua arte

Muito mais valorizada

Fez do bairro do Canhema

Há 15 anos, sua morada.

Pra dizer desse amigo

A minha estrofe tece

Um fantástico elogio

Envolvido numa prece

Pra dizer desse artista

Que o mundo inteiro conhece.

Já expôs lá na Suíça

França e também Japão

Portugal e Canadá

Arte que vem do sertão

Esse filho nordestino

Vive a globalização.

Do norte ao sul do país

Recebeu a sua arte

Galerias e museus

Esse homem não reparte

O trabalho da gravura

Carregando o estandarte.

Termino esse cordel

Com amor e harmonia

Grato por ver esse evento

Da arte, da poesia

Gritarei por todos ares

Salve Jerônimo Soares

Adeus, até outro dia.

Fontes:

José Paulo Ribeiro, pesquisador de cordel e cultura popular.

https://historiaesperancense.blogspot.com/2015/02/jeronimo-soares.html?fbclid=IwAR0LipS3_VIwZxciO2HmG7ZwICNCWvAgNRsANq0SP-RKsWwzurwov4RgQFs

http://www.teatrodecordel.com.br/cordel_jeronimo.htm?fbclid=IwAR2EeVQ2zsBiharAyG5M09d9BgBL1ieTHDOCUWLhrqRNHrcDoF7OPhN1M0E

http://alpharrabio.com.br/blog/2013/07/05/mestre-jeronimo-e-toda-sua-obra-em-livro/?fbclid=IwAR0DS1y8yKXS5ISKsQLp4N3WrFO2mBO1U65wuM9ycHZQxvEXhYeR6Fa9jDU

Linha do Tempo Geral

Linha do Tempo Geral

Década de 1970

Chegada a São Paulo, atuação na Praça da República, feiras nordestinas, diálogo com o cordel, campanhas sindicais e primeiras inserções institucionais estruturam este período.

Década de 1980

fortalecimento da identidade autoral e maior presença em exposições e eventos culturais.

Década de 1990

A de Jeronimo trajetória passa a ser reconhecida como referência na produção de xilogravura vinculada à tradição do cordel.

Década de 2000

 A produção do artista se mantém ativa e vinculada às raízes culturais, dialogando com novos espaços e públicos.

Década de 2010

A obra de Jeronimo passa a ser compreendida como parte da memória cultural e da permanência da xilogravura popular no cenário contemporâneo.

Década de 2020

Sua produção de xilogravuras permanecem como linguagem viva, reafirmando sua presença no debate cultural atual.

Projeto

Arte e Tempo: Registrando a Trajetória de Jerônimo Soares

Realização

Recursos para a realização desse projeto: PNAB – Política Nacional Aldir Blanc — Ministério da Cultura, Governo Federal. Município de Diadema (2025)